Os livros que sou — Ana Margarida de Carvalho

Por: Raquel Fonseca a 2025-10-30

Ana Margarida de Carvalho

Ana Margarida de Carvalho

Ana Margarida de Carvalho é escritora e jornalista. Venceu por duas vezes o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (Que importa a fúria do mar e Não se pode morar nos olhos de um gato), foi galardoada com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (Pequenos delírios domésticos), finalista do Prémio Oceanos e do Prémio da União Europeia para a Literatura (O gesto que fazemos para proteger a cabeça) e do Prémio PEN Clube Português (Cartografias de lugares mal situados). A chuva que lança a areia do Saara marca a estreia da autora na Companhia das Letras, que republicará toda a sua obra.

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Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato
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Que Importa a Fúria do Mar
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A Chuva que Lança a Areia do Saara
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Martin Eden
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Três Homens num Barco
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Dom Quixote de La Mancha
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A Pérola
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Quem Matou o Meu Pai
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Aqui na Bertrand, somos livros — por isso, convidámos a Ana Margarida de Carvalho para uma conversa sobre os livros que fizeram dela a escritora e leitora que é. A autora de Não se pode morar nos olhos de um gato e Que Importa a Fúria do Mar, partilha conosco os livros que marcaram a sua vida e aqueles que acompanham o seu dia-a-dia. Conta-nos também sobre a forma como lê, o presente literário que gostava de receber este Natal e um pouco sobre o seu novo livro A chuva que lança a areia do Saara. Nas palavras de Afonso Cruz, somos feitos de histórias, não de "a-dê-énes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros". Estas são as histórias de que é feita Ana Margarida de Carvalho.
 

1. Lembra-se de qual foi o primeiro livro que despertou em si o amor pela leitura? 

Sim, aos 16 anos. Martin Eden, de Jack London

 

2. E pela escrita? Houve algum livro que a tenha levado a dar os primeiros passos como escritora? 

Em português, os livros de José Saramago e de António Lobo Antunes. E, mais tarde, os de Aquilino Ribeiro, Guimarães Rosa e João Ubaldo Ribeiro, por exemplo… 

 

3. Que livro levaria consigo para uma ilha deserta? 

Levaria um Manual de instruções sobre como sobreviver numa ilha deserta. 

 

4. Pode contar-nos sobre um livro que a fez rir, e outro que a levou às lágrimas? 

Rir: Três Homens num Bote, de Jerome K. Jerome, e Dom Quixote, de Cervantes. Chorar: Amante do Tenente Francês, de John Fowles.

 

5. Como leitora, anota os livros ou prefere mantê-los intactos? 

Anoto e dobro páginas. Não saio intacta de alguns livros. Mas os livros também não saem intactos de mim. 

 

6. Qual o cenário de leitura ideal? Em silêncio, no conforto da sua casa, ou num espaço público — com ou sem ruído de fundo? 

Em casa e pode haver ruído de fundo. Desde que não seja de obras. 

 

7. Que livro (ou livros) tem atualmente na sua mesinha de cabeceira? 

Poemas de Maiakóvski

 

8. As melhores leituras por vezes devem-se a conversas entre amigos… Qual foi o último livro que ofereceu ou recomendou? 

A Pérola, de John Steinbeck

 

9. E a sua última descoberta literária? 

Quem Matou o meu Pai, de Édouard Louis.

 

10. Há algum livro que gostaria de encontrar debaixo da árvore de Natal este ano? 

Vento em Setembro, de Tony Bellotto

 

11. Existe uma banda sonora que acompanha regularmente ou inspira a escrita dos seus livros? 

Sim. Assim falou Zarathustra, de Richard Strauss. 

 

12. E sobre o seu novo livro, A Chuva que Lança a Areia do Saara, o que gostaria de partilhar com os nossos leitores? 

É o meu quarto romance, sexto livro. Trabalhei o sentimento da exaustão. São personagens em estado de esgotamento e todas se encontram à beira de um abismo - que é simbolizado por uma pedreira. Aqui se fala de exaustão laboral dos operários da pedreira, da exaustão de um corpo em falência por alcoolismo em estado avançado. Da exaustão das prostitutas num bordel. Da exaustão de uma mulher velha que luta contra ao tempo para voltar a ser nova. Da exaustão da espera. Da exaustão da natureza destruída pelo homem. Da exaustão de andarmos a vida inteira a carregar os nossos traumas, como o pedregulho de Sísifo. 

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