Comunidade Bertrand | Olha o que eu já li (Bárbara Rodrigues)

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2021-07-27 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Últimos artigos publicados

Sara Barros Leitão | A arte como revolta contra a História

Partilhamos consigo a parte final da entrevista de Sara Barros Leitão, publicada em três partes no nosso blogue. O trabalho da atriz retira da invisibilidade e do esquecimento as personagens secundárias de que não reza a história – fazendo lembrar a frase de Lídia Jorge “a arte é uma revolta contra a história”, mote para uma conversa de mais de duas horas com uma mulher e artista que traz na voz uma força imensa e não quer menos do que mudar o mundo: 

Mia Couto | "Na arte estamos sempre começando do zero"

O pseudónimo nasceu na infância, quando se misturava com os gatos, acreditando ser um deles. Disse aos pais que queria chamar-se Mia e o nome ficou. António Emílio Leite Couto, que chegou a querer ser psiquiatra, define-se como biólogo a tempo inteiro e escritor nos intervalos. A escolha do seu novo romance, O Mapeador de Ausências (Caminho) como Melhor livro de ficção lusófona, pelos leitores  Bertrand, no âmbito da 5.ª edição do Prémio Livro do Ano Bertrand, deu o mote para a nossa conversa sobre ausências, infinitos e maravilhamento.

As leituras e o clube do livro feminista de Sara Barros Leitão

Atriz, criadora, encenadora, professora, assistente de encenação e dramaturga. Dirigente da Plateia – Associação de Profissionais das Artes Cénicas. Sara Barros Leitão, 30 anos, assume-se “feminista, ativista por todas as desigualdades ou injustiças, incoerente e a tentar ser melhor, revolucionária quanto baste, artista difícil de domesticar.” No seu site pode ler-se: “Usa o espaço de cena, o papel e a caneta como se fosse uma caixa de fósforos e um bidão de gasolina, ou um megafone para contar a história dos esquecidos.” 

A Comunidade Bertrand une livrólicos e bloggers, de diversos quadrantes, com quem partilhamos a nossa paixão pelos livros e desenvolvemos diversas iniciativas, tendo em vista a promoção da leitura. Nesta edição, fomos descobrir o que dizem os olhos de Bárbara Rodrigues quando se fala sobre esse grande amor que é a literatura.


O bookstagram da Bárbara chama-se Olha o Que Eu Já Li. Como surgiu este projeto e qual a sua missão principal?

A ideia surgiu no meu último ano de universidade. Na altura lia muito, mas estava desmotivada pelo facto de não ter com quem conversar sobre aquilo que lia. No meu grupo de amigos quase ninguém lê. A principal missão do meu projeto continua a ser a mesma do início: quero encontrar outros leitores, discutir livros e ideias. Partilho as minhas experiências de leitura com a esperança de incentivar alguém a pegar num livro e, quem sabe, descobrir um novo amor.


Se espreitássemos as suas estantes, que autores ou géneros literários encontraríamos?

A minha estante é quase toda ocupada por romances e não-ficção. Os meus romances favoritos são os clássicos. Não me canso de descobrir novos clássicos. Em relação aos autores, os mais presentes na minha estante são José Saramago, Svetlana Alexievich e Elena Ferrante.

 

Se só lhe fosse possível recomendar três livros, quais escolheria e porquê?

Escolheria três livros muito diferentes. Em primeiro lugar Mulheres Invisíveis, uma vez que os dados referentes às mulheres são constantemente ignorados e as consequências disso mesmo estão expostas neste livro. Escolheria Uma Educação porque fala sobre a importância da educação, que tantas vezes não valorizamos. Por fim, recomendaria um livro de Saramago que não é muito conhecido, mas é genial: O Homem Duplicado. O final deste livro ainda me deixa a pensar.

 

"As minhas personagens favoritas são quase todas mulheres."

 

Sublinhar páginas, dobrar cantos, abusar dos post-its: que tipo de livrólica é?

Sou uma leitora muito pouco cuidadosa, confesso. Ando com os livros apertadinhos na mala, dobro páginas e não tenho medo de sublinhar ou até escrever. Gosto muito de usar post-its, mas na maioria das vezes esqueço-me de os utilizar.

 

Que três personagens literárias adoraria que passassem da ficção para a realidade, para que as pudesse conhecer?

Esta pergunta fez-me perceber que as minhas personagens favoritas são quase todas mulheres. Gostava de conhecer a Lila, da série Napolitana, da Elena Ferrante, a Janina, do livro Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos, e o conde Rostov, de Um Gentleman em Moscovo.

 

Se só lhe permitissem ler um único autor para o resto da vida, quem escolheria?

Escolheria Saramago, sem dúvida. Encontro nos livros dele tudo aquilo de que preciso. A escrita dele agrada-me. Ao contrário das outras pessoas, eu sinto que a sua escrita é fluida, como uma conversa. Encanta-me a imaginação dele e o humor. Se pudesse esquecia tudo o que li dele para poder voltar a ler.

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