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Uma pintora conduz em plena noite sem saber que está prestes a chegar a Betânia — uma espécie de território fora do mundo, habitado por cabras, cães e mulheres que, no entanto, parecem estar à sua espera.Ela carrega a culpa de uma irmã afogada num desastre de automóvel e não contou a ninguém para onde ia, nem levou telemóvel porque não pensava demorar-se. Detém-se ali apenas porque se perdeu e precisa de gasolina para regressar a casa.
Eu penso que o fator determinante foi a Guerra Colonial. Talvez sem Guerra Colonial, poderíamos ter tido uma transição para a democracia mas de outra forma, não por rutura como foi, dia 24 sob um regime, dia 26 já estávamos noutro. Mas a Guerra Colonial foi muito importante pelo facto de Marcello Caetano, quando substituiu Salazar, ter prometido uma certa liberalização mas ao mesmo tempo ter continuado a Guerra Colonial e portanto, estava derrotado à partida. Transformou Portugal numa panela de pressão à espera de um movimento, e foi então que os militares o lançaram.
Desde adolescente que Putin sonhava ser agente do KGB — não apenas concretizou o sonho, como o superou largamente. Passou de agente a chefe dos serviços secretos e, em menos de um ano, deixou esse cargo para ocupar a presidência da Federação Russa. A sua chegada ao Kremlin, devidamente calculada e com uma coleção de golpes sujos pelo meio, foi outra operação especial, para a qual contou com a ajuda de velhos amigos e ex-colegas da secreta.
“A História é escrita pelos vencedores”, é uma afirmação atribuída a George Orwell, mas reiterada por Irene Flunser Pimentel que, no 50º aniversário do 25 de Abril, dedicou um livro ao lado menos conhecido de um período tumultuoso da História de Portugal. Em Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975 - Episódios menos Conhecidos (Temas e Debates), a autora e investigadora doutorada em História Institucional e Política Contemporânea, recupera diferentes testemunhos e pontos de vista para uma compreensão global dos eventos que antecederam e sucederam a Revolução, culminando no controverso 25 de novembro de 1975. Em conversa para a revista Somos Livros, falou dos motivos que a levaram a querer escrever este livro, da origem do desconhecimento em relação a alguns dos episódios evocados e das suas memórias sobre aquele que foi, nas suas palavras, o dia mais feliz da sua vida.
Com este livro, vais aprender que o respeito é a regra mais importante do planeta Terra.
Preferimos o termo “poeta” pela mesma razão que Sophia de Mello Breyner recusava a conotação de inferioridade do termo “poetisa”. Romancista, jornalista e feminista desde que teve consciência das desigualdades que existiam entre os homens e as mulheres, Maria Teresa Horta, com 86 anos, viu chegar às livrarias a sua primeira biografia, pela mão de Patrícia Reis e da editora Contraponto. Dividida em cinco partes que vão desde as suas primeiras memórias da infância às horas solitárias da terceira idade, A Desobediente resulta de dezenas de conversas entre a autora e a biógrafa, e de uma compreensão daquilo que sempre pautou a vida de Teresa: ”a desobediência, face à absurdez, à irracionalidade do mundo” (Frédéric Gros, Desobedecer). Desvendamos um pouco daquilo que foi, segundo Patrícia Reis, uma vida inteira à beira do abismo, em cinco excertos memoráveis – símbolo daquilo que tem sido a salvação de Maria Teresa Horta até hoje: os livros, as palavras, a poesia.
Ainda hoje muitos não sabem que foi um livro que deu origem ao acontecimento que mudou o país em 1974 e que bastou ao mais prestigiado general português de então apenas uma frase-choque para derrubar em poucos dias o Regime: "A vitória exclusivamente militar é inviável." Esta declaração do general António de Spínola no seu livro Portugal e o Futuro, sobre a guerra no Ultramar, arrasou por completo a credibilidade do Governo de Marcello Caetano e provocou um autêntico terramoto no país.
A desigualdade tem origens extraordinariamente diversas, intimamente relacionadas com o momento histórico e o contexto social em análise. Um debate antigo contrapõe fatores culturais, como seriam políticas educativas e fiscais, a fatores naturais, como os recursos geográficos ou um qualquer talento inato, para destrinçar a origem de clivagens sociais e económicas tão expressivas e dispersas no tempo e no espaço.
Antes dos cravos, a Revolução de Abril fez-se com lápis, canetas e máquinas de escrever por todos os escritores — e escritoras — que tiveram coragem de enfrentar a censura e registar para a posteridade a realidade do nosso país. Mas foram precisas inúmeras mulheres de canetas em riste, por todo o mundo, para alcançar as liberdades de que as mulheres usufruem hoje. Fica a conhecer sete escritoras que abriram caminho para as revoluções do futuro, algumas sobre as quais podes ler no livro Herstory: Uma História Ilustrada das Mulheres (Orfeu Negro).
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