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«Como podemos trazer para a conversa o tema da saúde mental de uma forma simples, sem artifícios ou ruído, desmistificando-o e procurando desfazer os tabus?» Foi a esta pergunta que as jornalistas Sara Antunes de Oliveira e Carla Jorge de Carvalho quiseram responder quando puseram em marcha o Labirinto e as entrevistas que compõem esta iniciativa do Observador.
Certa noite, oito mulheres menonitas reúnem-se num celeiro para um encontro secreto. Nos últimos anos, mais de uma centena de mulheres pertencentes à mesma comunidade foram repetidamente violadas durante a noite por demónios que as castigavam pelos seus pecados. A terrível verdade, contudo, é que os abusos eram perpetrados a partir de dentro, da sua própria colónia. Depois desta descoberta, decidem proteger-se, e às suas filhas, e pôr fim aos abusos.
Tóquio, era Meiji. Na época que modernizou o Japão, um gato vagueia pelas ruas da cidade e é adotado, contra a sua vontade, pelo professor Kushami, um homem mal-humorado cuja vida perdeu todo o interesse. Protagonista do romance que imortalizou Soseki no panteão dos autores japoneses do século XX, o orgulhoso felino não se coíbe de observar todos os humanos - a começar pelo professor, que o acolheu - e tecer tão argutas quanto mordazes apreciações sobre as personagens que desfilam à sua volta, traçando, de bigodes revirados e unhas afiadas, um retrato sarcástico e acutilante da sociedade japonesa.
Neste livro não há muito pudor, nem decoro, nem tranquilidade. Quase tudo é explosivo, mesmo quando a autora sussurra confidências - a sua história extremamente pessoal e a memória familiar transformam-se num manifesto feminista: a violação (e a violação do desejo feminino), a sua negação, a sua instrumentalização. Neste texto iconoclasta, torrencial, a autora diz em voz alta e com rara audácia o que muitas mulheres pensam consigo mesmas e o que muitos homens se recusam a imaginar acerca de desejo feminino, maternidade, estupro, a suposta «zona cinzenta» do consentimento, o diálogo impossível entre os sexos, o «Me Too» e a nova caça às bruxas, a educação dos filhos, o olhar masculino que domina o mundo das artes e das letras - e sempre com humor devastador. E se o riso fosse a arma mais poderosa para superar os nossos antagonismos estéreis? E se os homens desconhecem, mesmo, as mulheres? E se o sexo das mulheres fosse essa torrente de festa, desejo, humor, fúria, pacificação, antagonismo, delicadeza?
Desde sábado, dia 7, os olhos do mundo voltaram-se para o conflito entre Israel e Palestina. O ataque do Hamas levou de novo a atenção mediática para o território que já foi o centro do mundo. Um conflito de tantos anos multiplica-se em camadas e contextos e é fácil perdermo-nos com as informações que chegam diariamente. Sugerimos seis livros para conseguir compreender o que se passa – o que é o Hamas, o que defende Israel, o que defende a Palestina, que guerra é esta?
Cinco anos após os acontecimentos de A Criada, Millie pensa que pode construir uma vida «normal», formando-se como assistente social e trabalhando para outra família rica... mas está muito enganada!Indicado para: exorcizar desejos de vingança; denunciar e combater a violência doméstica e outras formas de opressão ou injustiça; estimular a imaginação, a criatividade e o pensamento dedutivo; treinar a capacidade de improviso e de adaptação;
O ensaísta e tradutor João Barrento foi esta terça-feira, dia 10, distinguido com o Prémio Camões, o mais importante da línguas portuguesa. O juri, constituído por representantes de Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Moçambique, destacou as “traduções de literatura de língua alemã, que vão da Idade Média à época contemporânea, e em todos os géneros literários” por constituirem “um meio de enriquecimento da língua e de difusão em português das grandes obras da literatura mundial”, lê-se no comunicado do Ministério da Cultura.
No verão de 1983, durante uma vaga de calor, a mãe de Annie Ernaux sentiu-se mal e foi hospitalizada. Aperceberam-se de que não comia nem bebia há vários dias, estava desorientada, revelava falhas de memória. Pouco depois, foi diagnosticada com a doença de Alzheimer. «Não saí da minha noite» foi a última frase que escreveu, numa carta a uma amiga, quando já se encontrava a viver com Annie, que nos três anos seguintes manteve um diário. Aí registou não apenas os sinais do agravamento da doença da mãe, mas também os seus próprios sentimentos ao ver-se impotente, assistindo ao definhar daquele ser que lhe deu vida. «Sonho muitas vezes com ela, tal qual era antes da doença. Está viva, mas esteve morta. Quando acordo, durante um minuto, tenho a certeza de que ela vive realmente sob essa dupla forma, morta e viva ao mesmo tempo, como as personagens da mitologia grega que atravessaram duas vezes o rio dos mortos.»
Um estudo da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, publicado no início deste ano, relaciona a baixa literacia ou ausência total de alfabetização com maior incidência de problemas de saúde mental. Segundo a equipa da investigação, há cerca de 773 milhões de pessoas no mundo que não sabem ler ou escrever.
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