"Não tenhas medo, ouve", de Miguel Torga

Por: Bertrand Livreiros a 2021-08-12

Miguel Torga

Miguel Torga

Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, autor de uma vasta produção literária, largamente reconhecida e traduzida em várias línguas. Nasceu em S. Martinho de Anta em 1907. Depois de uma experiência de emigração no Brasil durante a adolescência, cursou Medicina em Coimbra, onde passou a viver e onde veio a falecer em 1995. Foi poeta presencista numa primeira fase; a sua obra abordou temas sociais como a justiça e a liberdade, o amor, a angústia da morte, e deixou transparecer uma aliança íntima e permanente entre o homem e a terra. Estreou-se com Ansiedade, destacando-se no domínio da poesia com Orfeu Rebelde, Cântico do Homem, bem como através de muitos poemas dispersos pelos dezasseis volumes do seu Diário; na obra de ficção distinguimos A Criação do Mundo, Bichos, Novos Contos da Montanha, entre outros. O Diário ocupa um lugar de grande relevo na sua obra. Também como escritor dramático, publicou três obras intituladas Terra Firme, Mar e O Paraíso. Recebeu, entre outros, o Prémio Montaigne em 1981, o Prémio Camões em 1989 e o Prémio Vida Literária (atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores) em 1992.

VER +

10%

Diário Volumes XIII a XVI
25,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Últimos artigos publicados

Três “tisanas” para recordar Ana Hatherly

Nome singular da poesia experimental portuguesa, Ana Hatherly faria hoje, dia 8 de maio, 95 anos. Natural do Porto, a sua vasta obra inclui poesia, ficção, ensaio, tradução, performance, cinema e artes plásticas. Mas foi sobretudo pelos seus poemas visuais e pelas suas “tisanas”, pequenos poemas em prosa que foram um trabalho constante da sua vida literária, que ficou conhecida. Sobre o nome dado a estas divagações em prosa, recentemente reeditadas num único volume pela Assírio & Alvim, explicou a autora: «O que me parece que ainda não foi publicamente dito é que estas pequenas narrativas, que pertencem à área do poema em prosa, têm o título de Tisanas porque considero que são infusões e não efusões.» No dia do seu aniversário, recordamo-la com três excertos do livro Tisanas, que começam como começam os mais belos contos de fadas. Era uma vez…

“Abrigo”, de Mário de Sá-Carneiro

“Um pouco mais de sol” e “era brasa”, um pouco mais de azul” e “era além”. Poeta e ficcionista da Geração d’Orpheu, Mário de Sá-Carneiro deixou-nos há 108 anos, quando se suicidou num hotel em Paris com apenas 25 anos de idade. Prenunciado o seu fim precoce, escreveu: “Quando eu morrer batam em latas/rompam aos saltos e aos pinotes”. Para trás, ficou uma obra singular que o cimentou como um dos mais importantes nomes do Modernismo português.

Três poemas que não podia ler antes do 25 de abril

“Imorais”, “pornográficos” e ofensivos “da moral tradicional da nação”, são algumas das expressões que a PIDE utilizou para se referir aos livros aos quais pertencem estes poemas. Retirados dos livros O Vinho e a Lira, de Natália Correia, Canções, de António Botto, e Minha Senhora de mim, de Maria Teresa Horta, foram sujeitos ao lápis azul e a outros atos mais violentos de censura, como a queima do livro de António Botto num episódio que ficou conhecido como “Literatura de Sodoma”, ou a agressão física que Maria Teresa Horta sofreu às mãos de três elementos da PIDE que lhe disseram: “é para aprenderes a não escreveres como escreves”. Em memória da sua resistência em nome da literatura e da liberdade, hoje lemo-los e celebramo-los.

Adolfo Correia da Rocha adotou o nome Miguel Torga em homenagem à literatura e à sua terra natal: Miguel, por um lado, honra alguns dos grandes nomes da literatura ibérica, como Miguel de CervantesMiguel de Unamuno. A torga, também conhecida como urze, é uma planta brava muito comum em São Martinho de Anta, Trás-os-Montes. Autor de uma vasta produção literária, largamente reconhecida e traduzida em várias línguas, Miguel Torga abordou temas sociais como a justiça e a liberdade, o amor, a angústia da morte, e deixou transparecer uma aliança íntima e permanente entre o homem e a terra. Conhecido por obras como Bichos ou Contos da Montanha, o escritor e poeta português foi galardoado, em 1989, com o Prémio Literário Camões. 

Hoje partilhamos o poema Não tenhas medo, ouve, originalmente integrado n'O Diário de Torga, uma coletânea com 16 volumes, publicada entre 1941 e 1993.

 


 

Não tenhas medo, ouve, de Miguel Torga
Não tenhas medo, ouve:
É um poema.
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar,
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz…
X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?


O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.