“Dentro dos livros” de Pedro Mexia

Por: Beatriz Sertório a 2024-12-05

Pedro Mexia

Pedro Mexia

Pedro Mexia nasceu em Lisboa, em 1972, crítico e cronista em vários jornais, nomeadamente Diário de Notícias (1998-2007), Público (2007-2011) e Expresso (desde 2011), subdiretor e diretor interino da Cinemateca Portuguesa (2008-2010) e vogal do conselho diretivo da Fundação Centro Cultural de Belém (2016-2023). Escreveu regularmente na revista LER. Participou em diversos projetos das Produções Fictícias, como, por exemplo, É a Cultura, Estúpido (Teatro São Luiz); O Eixo do Mal (SIC Notícias); O Inimigo Público (suplemento do Público); Os Culturistas e O Que Fica do Que Passa (Canal Q). Manteve rubricas de cinema na Rádio Renascença (meados dos anos 1990) e na Antena 3 (2015-2016). Foi coautor, com Inês Meneses, de PBX (2015-2023), um programa da Radar e um podcast do Expresso. Publicou oito coletâneas de poesia entre 1999 e 2021. Editou oito volumes de crónicas e o penúltimo, Lá Fora, venceu o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários da Associação Portuguesa de Escritores – APE em 2018, editou cinco volumes de diários e a peça Suécia (2023), a convite do Teatro Nacional São João. A 10 de março de 2025, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

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Podemos aprender muito sobre uma pessoa a partir da sua biblioteca, mas ainda mais por aquilo que guardam no interior dos seus livros. A este refúgio último dos leitores, dedicou Pedro Mexia este poema. Poeta, crítico e cronista, nascido em Lisboa em 1972, é também um leitor ávido e detentor de uma vasta biblioteca  física e intelectual  que inspirou o ensaio Biblioteca.

Neste dia em que celebra 52 anos, honramos o aniversário de um dos grandes intelectuais portugueses com a leitura de um poema da sua mais recente antologia, Poemas Reunidos (Tinta da China). Uma homenagem às coisas que se escondem no interior dos livros, desde sublinhados e anotações a marcadores e bilhetes de autocarro
 para o poeta, “acasos mais importantes que a biografia.”
 

Dentro dos livros

Dentro dos livros
marcas de quando os lemos.
Bilhetes de cinema,
autocarro, apontamentos
com demasiadas
abreviaturas, folhas
que dizem «não esquecer»
e foram esquecidas.
 
Nesta tarde li este verso.
O romance na página 89.
Agrupar os eventos
por contiguidade, remissão,
a data muito precisa
destes acasos
mais importantes
que a biografia.

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