Para Manoel de Barros , um dos mais aclamados poetas brasileiros de sempre, a poesia era uma “voz de fazer nascimentos”. Apesar de ter escrito o seu primeiro livro de poemas aos 19 anos de idade (Poemas Concebidos sem Pecado), só ficou conhecido aos 64, quando Millôr Fernandes o descobriu e divulgou. A partir daí, levaria a literatura brasileira a atravessar o oceano, valendo-lhe a comparação a Guimarães Rosa, enquanto figura de proa do panorama literário do seu país.
A poesia está guardada nas palavras – é tudo que
eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.
Manoel de Barros, in Poesia Completa