Entrevista do Ponto de Interrogação a José Jorge Letria

Por: Beatriz Sertório a 2024-04-15

José Jorge Letria

José Jorge Letria

José Jorge Letria é ficcionista, jornalista, poeta, dramaturgo. Nasceu em Cascais, em 1951, onde foi vereador da Cultura de 1994 a 2002. Traduzido em mais de dez idiomas, foi premiado em Portugal e no estrangeiro: destacam-se dois Grandes Prémios da APE, o Prémio Aula de Poesia de Barcelona, o Prémio Internacional UNESCO, o Prémio Eça de Queiroz – Município de Lisboa, o Prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prémio de Poesia Guerra Junqueiro. As antologias "O Fantasma da Obra", "O Livro Branco da Melancolia" e "Poesia Escolhida" condensam o essencial da sua poesia. Foi, ao lado de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, um destacado cantor político, tendo sido agraciado, em 1997, com a Ordem da Liberdade. É mestre em Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa e pós-graduado em Jornalismo Internacional. Doutorou-se com distinção em Ciências da Comunicação no ISCTE. É presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, presidiu ao Grupo Europeu de Sociedades de Autores e Compositores (GESAC), com sede em Bruxelas, e ao Comité Europeu de Sociedades de Autores da Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores, com sede em Paris.

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Mais conhecido como jornalista e escritor, José Jorge Letria foi também político e cantor de intervenção. Autor de uma obra extensa para crianças e adultos, dedicou vários livros à memória do 25 de Abril, um dia que recorda com alegria e que descreve como «uma forma, e talvez a mais bela, de dizer Liberdade em português»
 

Em 1999, no 25.º aniversário do 25 de Abril, publicou O 25 de Abril Contado às Crianças… e aos Outros que conta agora com uma nova edição, 25 anos depois. O Ponto de Interrogação conversou com o autor sobre a importância desta reedição e o papel dos livros no 50.º aniversário do 25 de Abril. 
 

A reedição de O 25 de Abril Contado às Crianças… e aos Outros é um reflexo da necessidade de continuar a regar a flor da liberdade que Abril plantou, para que não murche?

É sempre necessário e urgente manter presente a memória de Abril, partilhada por quem a viveu, com os seus leitores e ouvintes.

 

Achou necessário fazer algum tipo de revisão no texto para o adaptar à realidade dos jovens de hoje? O que diferencia esta edição?

Não efetuei nenhuma alteração no texto, pois o essencial encontra-se dito nesta edição. É uma edição cuidada e exigente, também do ponto de vista gráfico.

 

Se tivesse de explicar de forma sucinta aos leitores da nossa revista como era a vida em Portugal antes da Revolução do 25 de Abril e porque foi tão importante este dia, o que gostaria que eles soubessem?

Era uma vida difícil e incerta, sobretudo para quem arriscava politicamente, com foi o meu caso. Havia a guerra colonial, a censura, a privação da liberdade e o medo.

 

Qual é a memória mais especial que guarda do dia 25 de Abril de 1974?

Guardarei sempre a memória única da alegria, da partilha dos sonhos e da liberdade de quem já não teria de ir para a guerra em África.

 

Além de escritor e jornalista, foi também cantor de intervenção ao lado de artistas como José Afonso, sobre quem escreveu o livro Um menino chamado Zeca. O que nos pode contar sobre este período da sua vida?

Foi um período apaixonante e muito intenso. José Afonso foi, além de cantor e autor extraordinário, um grande amigo de todos os dias e de todas as esperanças.

 

Vários dos seus livros infantojuvenis falam sobre livros e o poder da leitura. Qual foi o livro que teve maior impacto em si durante a infância?

Na juventude e adolescência, entre outros, O Diário de Anne Frank, O Principezinho, de Saint-Exupéry, e as obras de Albert Camus e de Franz Kafka.

 

E dos que escreveu, qual é o que ocupa um lugar especial na sua estante?
Escrevi vários a falar de Abril, mas sem dúvida de que o livro sobre a vida e obra do Zeca Afonso foi dos mais estimulantes e inesquecíveis.

 

No livro A Poesia Explicada aos Jovens e aos Outros, escreve: «Quanto mais o tempo passa, mais convencido estou da importância da poesia nas nossas vidas.» No mundo em que vivemos atualmente, com uma presença cada vez maior do digital, que papel pode ter a poesia na formação dos adultos de amanhã?

A poesia é sempre essencial para nos humanizar, engrandecer interiormente e fazer estar mais perto dos outros e dos seus anseios cívicos e humanos. Sem a poesia, ficaríamos muito mais pobres e vulneráveis.

 

É autor de um poema intitulado «Quando eu for pequeno, mãe» referindo-se à forma como nos aproximamos da infância à medida que envelhecemos. Quando for pequeno, que livro seu gostaria que continuasse a ser lido pelos mais novos?

Por exemplo, gostava muito que lessem este, entre outros, para saberem como foi o 25 de Abril, contado por quem o sonhou e viveu.

 

Obrigado! Vemo-nos em breve.

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