Rosa, minha Irmã Rosa não é apenas a história de Mariana, mas uma representação dos filhos de Alice Vieira que, na altura em que a escreveu, estava grávida do terceiro filho. “Eles já tinham nove, dez anos, sempre tinham vivido juntos e eu estava com medo que a irmã ou irmão que estava para nascer viesse alterar isso. E sem eles saberem introduzi aquela história da irmã mais nova, para ver como é que eles reagiam. Pelo meio, tive um desastre complicado e a criança não nasceu, mas foi isso que desencadeou a história” , lembrou.
Depois do sucesso de Rosa, minha Irmã Rosa , a autora escreveu outros dois livros com as mesmas personagens: Lote 12, 2.º frente (1980) e Chocolate à chuva (1982) – e a trilogia é ainda motivo de conversa nos encontros com alunos e com adultos, que foram seus leitores na infância.
Em quatro décadas de escrita, Alice Vieira também publicou poesia e romance para adultos, mas é no universo infanto-juvenil que a situam, com várias dezenas de livros, prémios e amizades que duram até hoje.
Olhando para trás, a escritora diz que, com a escrita para os mais novos, cumpre uma promessa pessoal: “Tive uma infância complicada e lembro-me de ter dito para mim própria: ‘Nunca me hei de esquecer disso’. Foi um bocadinho vingança” .
Rosa, minha Irmã Rosa , recomendado pelo Plano Nacional de Leitura , tem agora a sua 34.ª edição publicada pela Editorial Caminho, numa edição comemorativa ilustrada por Patrícia Furtado.