Hoje, dia 8 de maio, David Attenborough completa 100 anos. Uma vida inteira dedicada a percorrer o planeta, a observá-lo com paciência e a mostrá-lo a quem ficou em casa, através de uma voz que se tornou talvez a mais reconhecida da história natural.
Nascido em Isleworth em 1926, começou a carreira na BBC em 1954, com o programa Zoo Quest, que o levou às selvas do Bornéu, da Nova Guiné e da Guiana Britânica numa altura em que filmar animais selvagens no seu habitat era ainda uma aventura logística sem muitas garantias. Desde aí, nunca parou. Ao longo de sete décadas, percorreu mais de 80 países e assinou algumas das séries documentais mais vistas de sempre.
Estes são alguns dos lugares que David Attenborough tornou inesquecíveis — e três livros para os visitar a partir de onde estiver.
Ruanda, Montanhas Virunga
Foi aqui, em 1978, durante as filmagens de A Vida na Terra, que aconteceu aquilo que o próprio Attenborough descreveu como o momento mais extraordinário da sua carreira. Uma família de gorilas-de-montanha aproximou-se, os filhotes sentaram-se ao lado dele, e uma fêmea adulta olhou-o nos olhos. Nada disto estava previsto. A câmara continuou a filmar. Os gorilas-de-montanha estavam então à beira da extinção; hoje, em parte graças à atenção que esse momento gerou, são o único grande primata não-humano com uma população em crescimento no estado selvagem.
Antártida
Em 1993, Attenborough foi o primeiro a dedicar uma série inteira à história natural do continente mais meridional do planeta. A Vida no Gelo e, mais tarde, Planeta Gelado mostraram pinguins, orcas e focas numa paisagem que parece resistir à presença humana. Um lugar que a maioria de nós só conhece através dos seus documentários e que, por isso, lhe pertence de uma forma muito particular.
Os oceanos
Planeta Azul (2001) abriu as profundezas marinhas às audiências de todo o mundo. A segunda série, em 2017, foi mais urgente: o episódio sobre o plástico nos oceanos gerou uma onda de indignação pública que levou governos e retalhistas a anunciar medidas concretas. Não é comum que um documentário mude políticas. Este mudou.
As florestas tropicais
Desde as primeiras expedições de Zoo Quest que as florestas densas do outro lado do mundo estiveram no centro da sua obra. Foi na Nova Guiné que filmou pela primeira vez as aves-do-paraíso no seu habitat natural; foi na Indonésia que encontrou os orangotangos e os dragões de Komodo. Florestas separadas por milhares de quilómetros, mas unidas pela mesma lógica: lugares remotos, biodiversidade incomparável, e espécies que em alguns casos só existem em arquivo por ele ter chegado lá a tempo.
Um roteiro em três livros
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Aventuras de um Jovem Naturalista reúne as memórias das primeiras expedições Zoo Quest, escritas com a energia de quem está a descobrir o mundo pela primeira vez. É o início de tudo e, ao mesmo tempo, um retrato de uma forma de fazer televisão que já não existe.
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Uma Vida no Nosso Planeta, escrito aos 94 anos, é o seu testemunho mais pessoal. Um balanço honesto do que o planeta perdeu durante a sua vida e, na segunda metade, uma proposta concreta sobre o que ainda é possível fazer.
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Oceano, o seu mais recente livro, é uma declaração de amor ao maior ecossistema da Terra. Com quase 100 anos, Attenborough continua a acreditar que compreender o oceano é a condição para o salvar.