A Livraria Bertrand do Chiado vestiu-se a rigor para receber a cerimónia da entrega dos Prémios Livro do Ano, esta terça-feira, dia 3 de outubro. Este ano, houve ainda lugar para a estreia do Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos. Houve muitos premiados, mas Isabela Figueiredo foi a estrela da noite. Um Cão no Meio do Caminho levou para casa o novo prémio e houve ainda tempo para uma conversa com a autora e o editor Zeferino Coelho, moderada por Renato Duarte.
A partir das 18h, quem passasse para lá da porta era recebido pela música e pelas vozes que se multiplicavam. Começaram a chegar os leitores que se inscreveram, editores e alguns autores. Pouco depois a sala estava cheia e não havia lugares livres para os curiosos. Entre copos de vinho, Sandra Ramos e Ana Vidal punham a conversa em dia. Ambas leem e escrevem e marcaram presença por motivos diferentes. Sandra Ramos gere o blogue Escrevinhar e vê nestes eventos uma “garantia de qualidade”. Para além disso, gosta de conhecer os autores e sente que estes são espaços que podem abrir horizontes: “Desperta-nos para outros temas que às vezes não são tão óbvios”.
Ana Vidal, também escritora, estava sentada na fila da frente com esperança de que a amiga Rosa Alice Branco levasse o Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos. Amor Cão e outras palavras que não adestram era um dos nomeados, mas o desejo de Ana Vidal acabou por não se realizar. Sanda Ramos apostou as fichas em Misericórdia, de Lídia Jorge — nenhuma acertou, mas ainda não sabiam.
Antes, foi tempo de anunciar os vencedores do Prémio Livro do Ano. Os três primeiros lugares foram apresentados em vídeo e só depois foram entregues prémios simbólicos aos vencedores de cada categoria. Os prémios são divididos em sete categorias — ficção lusófona, ficção estrangeira, não ficção, poesia, reedição de grandes obras da literatura, infantil e BD e novela gráfica — e as votações separam-se entre livreiros e leitores.
A Editorial Presença foi a mais premiada com Guerra e Paz (Lev Tolstoi), votada pelos leitores como melhor reedição, A Breve Vida das Flores (Valérie Perrin), escolhida pelos leitores como melhor livro de ficção estrangeira e O Grande Livro Principezinho (Antoine de Saint-Exupéry), a escolha dos leitores para livro infantil. Este foi o ano de estreia da categoria Banda Desenhada e Novela Gráfica — os vencedores foram Ideiafix e os Irredutíveis (Jerome Erbin, Yves Coulon e Matthieu Choquet), para os leitores, e O Mundo de Sofia (Vincent Jabus e Jostein Gaarder), para os livreiros. Para além destes foram premiados A Mulher do Dragão Vermelho (José Rodrigues dos Santos), Um Cão no Meio do Caminho (Isabela Figueiredo), A Aldeia das Almas Desaparecidas I (Richard Zimler), Pessoa. Uma Biografia (Richard Zenith), Boitempo (Carlos Drummond de Andrade), Beowulf, 1984 (George Orwell) e Hachiko: o Cão que Esperava (Lluis Prats).
Prémios entregues, foi tempo de os livreiros entregaram o prémio que elegeram. Um a um entraram pelos corredores que atravessam a sala até ao centro e leram um excerto de cada um dos livros finalistas. No final, uma montra aparecia diante dos olhos dos presentes. Em conjunto, anunciaram a obra vencedora: Um Cão no Meio do Caminho, de Isabela Figueiredo. A escritora estava presente e agradeceu aos livreiros, seus “amigos” que, diz, são quem mais a divulga.
À escritora juntou-se o editor Zeferino Coelho numa conversa moderada por Renato Duarte. Falaram sobre o medo de falhar depois de dois livros bem sucedidos, a relação entre escritor e editor e a preferência por anti-heróis. Isabela Figueiredo confessou que vê no editor uma figura tutelar — como uma mãe ou um pai —, quer agradar, quer que ele gosta do que escreve, até tem mais cuidado ao pentear-se quando o encontra. Mas isso pode ter a ver com o facto de Zeferino Coelho lhe ter dito uma vez que parecia o Boris Johnson. Leva os comentários muito a sério porque sabe que melhoram o que está escrito. O primeiro capítulo deste livro só é o primeiro por causa do editor — enviou-lhe aquele texto quando já tinha grande parte do livro escrita e a resposta foi: “este seria um grande início de romance”. Assim foi: o leitor passou a saber da Matadora desde o início.
Isabela Figueiredo conta que os leitores são muito insistentes: um mês depois de ter lançado Um Cão no Meio do Caminho começaram a perguntar-lhe quando saía o próximo. Prometeu que o próximo livro já está a caminho e sai no próximo ano, que marca os 50 anos do 25 de Abril.
Sobrou tempo para autógrafos, conversas e fotografias. Assim que se deu por terminado o evento, a fila começou a formar-se em direção à escritora que alegremente recebia os leitores, conversava com eles e convida-os a sentar-se ao seu lado. Os leitores que se inscreveram receberam um exemplar do livro vencedor.
Esta foi a sétima edição do Prémio Livro do Ano Bertrand e a primeira do Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos.