Entrega de Prémios Bertrand: leitores, livreiros e editores juntos para celebrar a literatura

Por: Bertrand Livreiros a 2023-10-04

A Livraria Bertrand do Chiado vestiu-se a rigor para receber a cerimónia da entrega dos Prémios Livro do Ano, esta terça-feira, dia 3 de outubro. Este ano, houve ainda lugar para a estreia do Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos. Houve muitos premiados, mas Isabela Figueiredo foi a estrela da noite. Um Cão no Meio do Caminho levou para casa o novo prémio e houve ainda tempo para uma conversa com a autora e o editor Zeferino Coelho, moderada por Renato Duarte.

A partir das 18h, quem passasse para lá da porta era recebido pela música e pelas vozes que se multiplicavam. Começaram a chegar os leitores que se inscreveram, editores e alguns autores. Pouco depois a sala estava cheia e não havia lugares livres para os curiosos. Entre copos de vinho, Sandra Ramos e Ana Vidal punham a conversa em dia. Ambas leem e escrevem e marcaram presença por motivos diferentes. Sandra Ramos gere o blogue Escrevinhar e vê nestes eventos uma “garantia de qualidade”. Para além disso, gosta de conhecer os autores e sente que estes são espaços que podem abrir horizontes: “Desperta-nos para outros temas que às vezes não são tão óbvios”.

Ana Vidal, também escritora, estava sentada na fila da frente com esperança de que a amiga Rosa Alice Branco levasse o Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos. Amor Cão e outras palavras que não adestram era um dos nomeados, mas o desejo de Ana Vidal acabou por não se realizar. Sanda Ramos apostou as fichas em Misericórdia, de Lídia Jorge
 nenhuma acertou, mas ainda não sabiam.

Antes, foi tempo de anunciar os vencedores do Prémio Livro do Ano. Os três primeiros lugares foram apresentados em vídeo e só depois foram entregues prémios simbólicos aos vencedores de cada categoria. Os prémios são divididos em sete categorias
 ficção lusófona, ficção estrangeira, não ficção, poesia, reedição de grandes obras da literatura, infantil e BD e novela gráfica  e as votações separam-se entre livreiros e leitores.

A Editorial Presença foi a mais premiada com Guerra e Paz (Lev Tolstoi), votada pelos leitores como melhor reedição, A Breve Vida das Flores (Valérie Perrin), escolhida pelos leitores como melhor livro de ficção estrangeira e O Grande Livro Principezinho (Antoine de Saint-Exupéry), a escolha dos leitores para livro infantil. Este foi o ano de estreia da categoria Banda Desenhada e Novela Gráfica
 os vencedores foram Ideiafix e os Irredutíveis (Jerome Erbin, Yves Coulon e Matthieu Choquet), para os leitores, e O Mundo de Sofia (Vincent Jabus e Jostein Gaarder), para os livreiros. Para além destes foram premiados A Mulher do Dragão Vermelho (José Rodrigues dos Santos), Um Cão no Meio do Caminho (Isabela Figueiredo), A Aldeia das Almas Desaparecidas I (Richard Zimler), Pessoa. Uma Biografia (Richard Zenith), Boitempo (Carlos Drummond de Andrade), Beowulf, 1984 (George Orwell) e Hachiko: o Cão que Esperava (Lluis Prats).

Prémios entregues, foi tempo de os livreiros entregaram o prémio que elegeram. Um a um entraram pelos corredores que atravessam a sala até ao centro e leram um excerto de cada um dos livros finalistas. No final, uma montra aparecia diante dos olhos dos presentes. Em conjunto, anunciaram a obra vencedora: Um Cão no Meio do Caminho, de Isabela Figueiredo. A escritora estava presente e agradeceu aos livreiros, seus “amigos” que, diz, são quem mais a divulga.

À escritora juntou-se o editor Zeferino Coelho numa conversa moderada por Renato Duarte. Falaram sobre o medo de falhar depois de dois livros bem sucedidos, a relação entre escritor e editor e a preferência por anti-heróis. Isabela Figueiredo confessou que vê no editor uma figura tutelar
 como uma mãe ou um pai , quer agradar, quer que ele gosta do que escreve, até tem mais cuidado ao pentear-se quando o encontra. Mas isso pode ter a ver com o facto de Zeferino Coelho lhe ter dito uma vez que parecia o Boris Johnson. Leva os comentários muito a sério porque sabe que melhoram o que está escrito. O primeiro capítulo deste livro só é o primeiro por causa do editor  enviou-lhe aquele texto quando já tinha grande parte do livro escrita e a resposta foi: “este seria um grande início de romance”. Assim foi: o leitor passou a saber da Matadora desde o início.

Isabela Figueiredo conta que os leitores são muito insistentes: um mês depois de ter lançado Um Cão no Meio do Caminho começaram a perguntar-lhe quando saía o próximo. Prometeu que o próximo livro já está a caminho e sai no próximo ano, que marca os 50 anos do 25 de Abril.

Sobrou tempo para autógrafos, conversas e fotografias. Assim que se deu por terminado o evento, a fila começou a formar-se em direção à escritora que alegremente recebia os leitores, conversava com eles e convida-os a sentar-se ao seu lado. Os leitores que se inscreveram receberam um exemplar do livro vencedor.

Esta foi a sétima edição do Prémio Livro do Ano Bertrand e a primeira do Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos.

Opinião dos leitores

Um Cão No Caminho...
Vicino | 07-10-2023
....de muitos.
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