A escritora C. J. Tudor foi conhecer a livraria mais antiga do mundo

Por: Bertrand Livreiros a 2019-04-03 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

C. J. Tudor

C. J. Tudor

C. J. Tudor é natural de Salisbury e cresceu em Nottingham. Vive em Sussex com o marido e a filha pequena. O seu amor pela escrita, em especial pelo macabro e pelo sinistro, manifestou-se desde cedo. Enquanto os jovens da sua idade liam Judy Blume, ela devorava as obras de Stephen King e de James Herbet. Ao longo dos anos, teve empregos tão diferentes como jornalista estagiária, empregada de mesa, autora de textos radiofónicos, empregada de loja, voz off, apresentadora de televisão, redatora publicitária e agora escritora. O Homem de Giz, Levaram Annie Thorne e Os Outros são os seus livros anteriores.

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O Homem de Giz é o livro de estreia da autora britânica C. J. Tudor, e é também um dos dez finalistas da 3.ª edição do Prémio Livro do Ano Bertrand, na categoria Melhor Livro de Ficção de Autores Estrangeiros. Caroline Jane Tudor, ou C. J. Tudor como prefere assinar, passou por Lisboa ontem, dia 2 de abril, e aproveitou para conhecer de perto, numa visita guiada, a Livraria Bertrand do Chiado, a mais antiga do mundo.

 

Antes de se tornar numa escritora de sucesso aclamada pela crítica internacional, C. J. Tudor ganhava a vida a passear cães, depois de ser continuamente rejeitada pelas editoras. “Passava literalmente cinco ou seis horas nos campos a correr atrás dos cães e tinha de tratar da minha filha, que tinha dois anos e meio na altura. Tinha de pagar as contas e tentava escrever de manhã ou à noite, sempre que conseguia um bocadinho”.

Aos 46 anos, e quando achava que nunca passaria de aspirante a escritora, tornou-se na nova autora-sensação britânica, com o thriller O Homem de Giz, um livro que saiu da pilha para entrar nas livrarias de todo o mundo.

Tudo o que sabe sobre escrita criativa aprendeu sozinha. Confessa que nunca foi uma aluna brilhante e deixou a escola com 16 anos. Sempre teve o gostinho pela escrita, o que se desvaneceu na casa dos 20, e só depois dos 30 é que começou a levar a escrita mais a sério. Passou dois anos a trabalhar num livro que não foi a lado nenhum. Já tinha 37 anos, e estava prestes a abandonar o sonho de ser escritora, quando a sua vida mudou radicalmente.

Um dia, no segundo aniversário da filha, alguém lhe ofereceu uma caixa com paus de giz e todos foram para a rua desenhar figuras de todas as cores no chão. O aspeto da rua era assustador, cheio de homens de giz no escuro, e foi aí que começou a ganhar forma a ideia do livro. Demorou seis meses a escrevê-lo. E daí até se tornar no livro-sensação da Feira de Frankfurt foi quase num piscar de olhos, com mais de 40 países a comprarem os direitos de publicação.

 

 

O Homem de Giz é um trilher arrepiante, repleto de influências de Stephen King, de quem é fã assumida, com uma narrativa que se divide entre 1986 e 2016, e acompanha as mesmas personagens, que partilham uma descoberta sinistra, entre a infância e a idade adulta.

Apesar de escrever sobre o lado negro da vida, C.J. Tudor confessa que toda essa negritude fica nos livros. Assustador, ou creepy, como gosta de referir a autora, é a palavra que melhor define O Homem de Giz, um livro que mudou por completo a vida desta britânica que nunca desistiu, nem deixou de acreditar, que aos 46 anos nunca é tarde de mais para começar.

Recentemente, a escritora publicou o seu novo thriller, Levaram Annie Thorne, ainda mais perturbador do que o primeiro.

 

Assista à entrevista exclusiva que a autora nos concedeu:

 

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