Ludwick Glowacki, o protagonista de Nadar no Escuro (Clube do Autor) — o romance de estreia de Tomasz Jedrowski —, abre-nos a porta da sua vida e, num tom confessional, leva-nos numa viagem ao passado, às primeiras vezes em que tudo mudou.
Polónia, anos 60. As primeiras dúvidas sobre a sua sexualidade nasceram da incontrolável vontade de beijar Beniek, o seu vizinho de nove anos. A primeira vez que o desejo trouxe consigo a sensação de vergonha. A intensidade das descobertas, a profundidade das primeiras perdas e o fim da inocência. Seguimos até aos anos 80, do outro lado da Cortina de Ferro: o trabalho no campo agrícola, e Janusz, que conheceu aos 22 anos (“Olhaste para mim e o meu coração parou de bater por instantes”).
Sem pudor, mergulhamos com ambos, nus, em lagos isolados, testemunhamos a paixão que rasga a pele sem pré-aviso e os livros proibidos que lhes alimentam a intimidade da partilha.
“— Não tenhas medo. A forma como disseste isto — suavemente, com uma calma absoluta — trespassou-me de imediato. As chamas crepitavam. Acenei com a cabeça; não consegui fazer mais nada. Tu sorriste, dissolvendo a tensão, os teus dentes a brilhar com a luz do fogo. Ficámos ali sentados durante um instante, cada um mergulhado no seu silêncio privado, eu a sentir mundos a mudar de posição dentro de mim.”
— Tomasz Jedrowski, in Nadar no Escuro
Sentimos, juntos, findo o verão, o comunismo e a opressão. O estrondo da realidade a estilhaçar a ilusão dos futuros. Um livro onde ecoam notas de uma profunda sensibilidade poética. Uma história sobre liberdade, sobre escolhas, sobre lugares onde o amor nem sempre tem espaço para crescer.