Os 8 livros escolhidos pelo Presidente da República

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-07-19 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Manuel Vilas

Manuel Vilas

Manuel Vilas é um premiado poeta e narrador espanhol nascido em Aragão (Barbastro, 1962). Entre os seus livros de poesía destacam-se El cielo (2000); Resurrección (2005; XV Premio Jaime Gil de Biedma); Calor (2008; VI Premio Fray Luis de León); Gran Vilas (2012; XXXIII Premio Ciudad de Melilla) e El hundimiento (2015; XVII Premio Internacional de Poesía Generación del 27). A sua poesia reunida publicou-se em 2010 com o título Amor, e a antologia Poesía completa saiu em 2016. É autor dos romances España (2008), que foi eleito pela revista literária Quimera como um dos dez romances mais importantes da primeira década do século XXI; Aire Nuestro (2009), distinguido com o Prémio Cálamo; Los inmortales (2012) e El luminoso regalo (2013). Também é autor de livros de contos e crónicas. Além dos prémios citados, venceu o Premio Llanes de literatura de viagens, e o Premio de Las Letras Aragonesas, em 2015. Em tudo havia beleza (publicado em Espanha com o título Ordesa) foi o primeiro romance seu a ser publicado em Portugal. Conquistou a crítica e milhares de leitores em vários países, tendo arrecadado o Prix Femina em França. Seguiu-se-lhe o romance: E, de repente, a alegria, finalista do Prémio Planeta em 2019.

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Gabriel García Márquez

Gabriel García Márquez

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1982

Escritor colombiano nascido a 6 de março de 1927 em Aracataca, um pequeno entreposto do comércio de bananas. Desde logo deixado ao cuidado dos seus avós, um coronel na reserva, ex-combatente na guerra civil, e uma apaixonada pelas tradições orais indígenas, estudou na austeridade de um colégio de jesuítas.
Terminando os seus estudos secundários, ingressou no curso de Direito da Universidade de Bogotá, mas não o chegou a concluir. Fascinado pela escrita, transferiu-se para a Universidade de Cartagena, onde recebeu preparação académica em Jornalismo. Publicou o seu primeiro conto, "La Hojarasca", em 1947. No ano seguinte, deu início a uma carreira como jornalista, colaborando com inúmeras publicações sul-americanas. No ano de 1954 foi especialmente enviado para Roma, como correspondente do jornal El Espectador mas, pouco tempo depois, o regime ditatorial colombiano encerrou a redação, o que contribuiu para que Márquez continuasse na Europa, sentindo-se mais seguro longe do seu país.
Em 1955 publicou o seu primeiro livro, uma coletânea de contos que já haviam aparecido em publicações periódicas, e que levou o título do mais famoso, "La Hojarasca". Passando despercebida pelo olhar da crítica, a obra inclui contos que lidam compassivamente com a realidade rural da Colômbia.
Em 1967 publicou a sua obra mais conhecida, o romance "Cien Años De Soledad" ("Cem Anos de Solidão"), romance que se tornou num marco considerável no estilo denominado como realismo mágico. Em "El Otoño Del Patriarca" (1977), Márquez conta a história de um patriarca, cuja notícia da morte origina uma autêntica luta de poder.
Uma outra obra tida entre as melhores do escritor é "Crónica De Una Muerte Anunciada" (1981, "Crónica de uma Morte Anunciada"), romance que descreve o assassinato de um homem em consequência da violação de um código de honra. Depois de "El Amor En Los Tiempos De Cólera" (1985, "Amor em Tempos de Cólera"), o autor publicou "El General En Su Laberinto" (1989), obra que conta a história da derradeira viagem de Simão Bolívar para jusante do Rio Magdalena. Em 2003, as Publicações D. Quixote editam, deste autor, "Viver para Contá-la", um volume de memórias de Gabriel García Márquez onde o autor descreve parte da sua vida.
Gabriel García Márquez foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1982.
Morreu a 17 de abril de 2014, aos 87 anos, em sua casa na Cidade do México, ao lado da mulher Mercedes e dos seus dois filhos.

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Walter Isaacson

Walter Isaacson

Walter Isaacson, presidente do Conselho de Administração do Aspen Institute, foi presidente da estação televisiva CNN e diretor editorial da revista Time. É autor das biografias de Albert Einstein, Benjamin Franklin e Henry Kissinger, obras de referência que lhe valeram o reconhecimento do público e da crítica. Vive com a mulher em Washington, D.C.

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Mário Cláudio

Mário Cláudio

Mário Cláudio nasceu no Porto. Ficcionista, poeta, dramaturgo e ensaísta, é formado em Direito pela Universidade de Coimbra, diplomado com o Curso de Bibliotecário-Arquivista, da Faculdade de Letras da mesma Universidade, e Master of Arts em Biblioteconomia e Ciências Documentais, pela Universidade de Londres.
É autor de uma vasta e multifacetada obra que abarca a ficção, a crónica, a poesia, a dramaturgia, o ensaio, a literatura infantojuvenil, e se encontra traduzida em várias línguas. Foi galardoado com, entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores-DGLAB (atribuído por três vezes), o Prémio PEN Clube, o Prémio Eça de Queiroz, o Prémio Vergílio Ferreira, o Prémio Literário Fernando Namora e o Prémio Pessoa, sendo igualmente titular de várias condecorações nacionais e estrangeiras. Em 2019 foi-lhe atribuído o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Autores apresentou-o recentemente como candidato ao Prémio Nobel de Literatura.
A sua obra ficcional, não raro composta por trilogias, inclui títulos como Amadeo, Guilhermina, Rosa, Gémeos, Camilo Broca, Tiago Veiga: Uma Biografia, Retrato de Rapaz, Astronomia, Tríptico da Salvação, Teoria das Nuvens e Diário Incontínuo.

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Fernando Namora

Fernando Namora

Fernando Namora nasceu em Condeixa (15 de abril de 1919) e licenciou-se em Medicina na Universidade de Coimbra. É no ambiente coimbrão, sobretudo no meio estudantil, que as suas primeiras obras radicam.
Fernando Namora é um dos mais destacados criadores do neorrealismo, a que deu uma feição peculiar, sobretudo quando a sua arte absorve, renova, a mais genuína tradição picaresca peninsular ou as experiências da modernidade.
Fernando Namora foi galardoado com prémios tão relevantes como o José Lins do Rego, o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia de Ciências de Lisboa, os SOPEM e D. Dinis, entre vários. Foi agraciado com o Grande Oficialato da Ordem de Santiago e com a Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique em 1988. Fernando Namora morreu em 31 de janeiro de 1989.

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António Cândido Franco

António Cândido Franco

António Cândido Franco (Lisboa, 1956) é professor e investigador na Universidade de Évora. Fez o seu doutoramento sobre a obra de Teixeira de Pascoaes. Poeta com uma vasta obra publicada, dedicou-se também ao romance histórico (9 títulos publicados), e é autor de duas biografias publicadas pela Quetzal – sobre Agostinho da Silva e Mário Cesariny.

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Tríptico da Salvação
18,80€
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PORTES GRÁTIS

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A Educação do Delfim
18,69€
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O Triângulo Mágico
22,20€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
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10%

Em Tudo Havia Beleza
21,95€
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Leonardo da Vinci
26,65€
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O Escândalo do Século
19,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
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Fogo na Noite Escura
23,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
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O gosto de Marcelo Rebelo de Sousa  pela leitura já é conhecido por todos. O público português recorda-se bem dos livros recomendados a seguir ao telejornal da noite, na TVI

Em entrevista ao Público , Marcelo Rebelo de Sousa falou sobre os oito livros que escolheu para este verão, ainda que não tenha o tempo de “outros verões” e acredite que agosto será “mais trabalhoso”.  Ainda assim, já anda a aproveitar “as viagens e noites ainda mais longas desta época do ano” para pôr a leitura em dia. 

 


 

Tríptico da Salvação , de Mário Cláudio

Foi no final de junho que o Presidente da República leu a mais recente obra de Mário Cláudio , um escritor que, admite, admira há muito tempo. Não só este livro o surpreendeu, como também o preencheu, “aliando a escrita trabalhada de sempre a um enredo apelativo a quase História, quase aventura exterior e interior e imaginação nunca esgotada”

A história narra a vida de Hans Kunsperger, amanuense que decide assassinar o seu amo após anos de inveja. Para além deste desejo, a sua maior ânsia era roubar-lhe o sonho por tantos anos acalentado de encomendar o tríptico que representava a Crucifixão, a Deposição e a Ressurreição de Cristo.

Este objeto levará Kunsperger até ao estúdio de Lucas Cranah, pintor e amigo controverso de Martinho Lutero, onde acaba por conhecer os dois filhos do artista, um dos quais terá um papel determinante na conclusão da encomenda que verá muitos sucumbirem antes de ser finalmente entregue.

 
A Educação do Delfim

“Imperdível para os interessados nessa personagem fascinante que foi Gulbenkian” , garante Marcelo Rebelo de Sousa acerca do livro que anda a ler atualmente. Uma obra que também pode interessar aos conhecedores ou curiosos dos anos 1941 a 1945 ou, simplesmente, “para os apreciadores do que já não há, epistolografia de qualidade” .

A Educação do Delfim reúne a correspondência trocada entre Calouste Gulbenkian e o seu único neto, Mikaël Essayan, aluno de um colégio interno britânico na década de 1940, em plena guerra. Os pais de Mikaël estão em Paris, então ocupada pelos nazis, e a comunicação directa com o filho é quase impossível. Gulbenkian responsabiliza-se pela educação do neto, que faz parte de uma minoria no seio da cultura britânica dominante, e enfrenta os desafios sociais e académicos dessa condição.

Estas cartas são, porventura, o melhor testemunho para compreendermos os valores, as ideias e as convicções mais profundas do Sr. 5%, um homem de natureza eminentemente privada.

 
O Triângulo Mágico , de António Cândido Franco

Como leitura ideal para a chegada dos netos, Marcelo Rebelo de Sousa escolheu a biografia de Mário Cesariny , escrita pelo professor António Cândido Franco “Recorda-me os anos 80, em que o conheci, a propósito da compra de um quadro seu, com Manuel de Brito pelo meio. Início dos anos 80 e início da minha mania de coleccionar o que podia de pintura contemporânea portuguesa”

Mário Cesariny de Vasconcelos foi poeta, pintor e referência fundamental do surrealismo português. É uma das maiores vozes da poesia portuguesa do século xx. Para Cesariny , o surrealismo representava a realização total do nosso estado de espírito, a defesa do amor, da liberdade e da poesia – e a sua obra, tanto na poesia como na pintura e na vida real, foi testemunho dessa enorme vontade de viver.

 

Em tudo havia beleza , de Manuel Vilas

Esta é uma leitura prometida para agosto, após uma visita oficial ao estrangeiro, e com a qual  irá lançar-se “na ficção não nacional” . Há dez anos, leu España , do mesmo autor.

No livro Em Tudo Havia Beleza , o autor compõe, com uma voz corajosa, desencantada, poética, o relato íntimo de uma vida e de um país. Simultaneamente filho e pai, autor e narrador, Vilas escava no passado, procurando recompor as peças, lutando para fazer presente quem já não está. Porque os laços com a família, com os que amamos, mesmo que distantes ou ausentes, são o que nos sustém, o que nos define. São esses mesmos laços que nos permitem ver, à distância do tempo, que a beleza está nos mais simples gestos quotidianos, no afecto contido, inconfessado, e até nas palavras não ditas. 

 
Desta Terra Nada Vai Sobrar (...) , de Ignácio de Loyola Brandão

Com Desta terra nada vai sobrar a não ser o vento que sopra sobre ela , de Ignácio de Loyola Brandão , o Presidente procurará saber “se a visão ficcionada é um retrato do mundo que aí vem ou é, também, o acentuar dessa visão por um pessimismo que tenho encontrado, muitas vezes, fruto do desencanto pessoal com tanta realidade na vida” .

A narrativa da obra transcorre num futuro indeterminado em que, ao nascer, todos recebem pulseiras eletrónicas, são seguidos, vigiados, fiscalizados por câmaras instaladas nas casas, ruas e casas-de-banho. Com um dos finais mais surpreendentes da literatura brasileira.

 

Leonardo da Vinci , de Walter Isaacson

Em setembro, após um agosto que se prevê ocupado, Marcelo Rebelo de Sousa dedicar-se-á a outra biografia, desta feita sobre Leonardo da Vinci , escrita por Walter Isaacson . “Do autor li a biografia de Kissinger, mas reconheço que me está a atrair mais esta”

Recorrendo a milhares de páginas dos impressionantes cadernos deixados por Leonardo da Vinci , e atendendo às mais recentes descobertas sobre a sua obra e trajetória de vida, Walter Isaacson revela-nos facetas desconhecidas do artista, desfazendo a aura sobre-humana que lhe é atribuída e mostrando como a genialidade de Leonardo se fundamenta em características bastante humanas , moldadas por uma enorme vontade e ambição e assentes em habilidades que cada um de nós pode cultivar, não isentas de imperfeições e fraquezas.

 
O Escândalo do Século , de Gabriel García Marquez

“Uma leitura leve para poder ser repartida entre Lisboa e uma ida a Nova Iorque, às Nações Unidas” . É este o objetivo do Presidente da República para fechar o verão da melhor forma, com as crónicas reunidas sob o título de O Escândalo do Século , de Gabriel García Marquez , o jornalista. 

A obra reúne cinquenta textos representativos do percurso jornalístico do escritor, selecionados pelo seu editor Cristóbal Pera. Nestas histórias, onde não se diferencia o jornalista do romancista, o leitor descobrirá um fascínio por enredos que desafiam a nossa ideia da realidade, umas vezes porque nunca iremos compreendê-los por completo, tais como o misterioso caso de Wilma Montesi, que dá nome a este livro; outras porque nos obrigam a olhar o mundo com novos olhos, abertos para se surpreenderem com as contradições, desgraças e maravilhas que governam o seu imprevisível mecanismo.

 

Fogo na noite escura , de Fernando Namora

Fernando Namora fica para o fim, “se ainda tiver umas noites livres, na transição para outubro” . Marcelo Rebelo de Sousa confessa que nunca aderiu a esse esquecimento de Namora ou aos juízos mais críticos quanto à sua temporalidade. Uma decisão que só será feita no final de agosto, pois “só Deus sabe se haverá tempo para essa breve digressão antes do outubro que temos pela frente” .

Fogo na Noite Escura explora o retrato de uma geração que soube recusar os horizontes fechados de uma sociedade forçadamente enclausurada. Uma obra sempre actual, que funciona não apenas como uma radiografia de um tempo passado, mas também como um alerta contra os fazedores de noites.

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