Mário Cesariny, o homem que se barbeava com ódio
Com ascendência corsa, italiana e espanhola pelo lado da mãe, beirão de Tondela pela linha do pai, Mário Cesariny de Vasconcelos nasceu na Estrada da Damaia, ao cair do dia de 9 de agosto de 1923. Com três irmãs já no mundo — Henriette, que seria mais tarde o seu inseparável talismã, Maria del Carmen e Maria Luísa —, Mário Cesariny foi o milagre das irmãs e da mãe que o embalaram como se fosse um menino Jesus nascido às portas de Lisboa. Criado no coração da cidade, num vetusto prédio do Martim Moniz, paredes meias com a Praça da Figueira e com o Poço do Borratém, onde ainda estavam as mesmas tascas onde Fialho ceara grelos, bacalhau assado e iscas fritas junto de gandaieiras e fadistões, depressa se incompatibilizou com o pai, ofi cial de joalharia que só via o deve e o haver e que tinha oficina de prata lavrada e outras joias. Se a lenda de Mário Cesariny não começou no colo da mãe e das manas, abriu caminho neste despique com o pai, que se tornou depois a freima da sua vida.