A 6 de julho de 1907 nascia, em Coyoacán, Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón. Quase oito décadas depois da sua morte, a mulher de sobrancelhas cerradas e flores no cabelo continua a ser um dos rostos mais reproduzidos da história da arte, ao ponto de correr o risco de se tornar um ícone banalizado.
Mas por trás do mito há uma mulher que sobreviveu à poliomielite, a um acidente de autocarro que lhe fraturou a coluna e a bacia, a mais de trinta cirurgias, a um casamento tumultuoso com Diego Rivera, e que ainda assim transformou tudo isso em cerca de cinquenta autorretratos que continuam a fascinar e incomodar em igual medida.
Para lá da imagem, fica a pergunta: quem foi, de facto, Frida Kahlo? Escolhemos cinco livros que ajudam a responder à pergunta, para leitores de todas as idades.
Uma biografia ilustrada que conta a vida de Frida na primeira pessoa, da infância ao acidente que mudaria tudo, passando pelo amor complicado com Diego Rivera e pela determinação feroz que a transformou em artista. As imagens evocativas de Hesse tornam este livro tão bom para contemplar como para ler, e continuam a ser um dos retratos mais delicados alguma vez feitos da pintora.
Um retrato a duas vozes de um dos casais mais míticos e turbulentos da história da arte. No México, na década de 1930, Diego Rivera - já consagrado pelos seus murais -, apaixona-se por uma estrela em ascensão: Frida. O livro acompanha o encontro e o percurso paralelo dos dois pintores, num formato acessível e que serve tanto para uma primeira aproximação como para revisitar a história doutro ângulo.
Um romance biográfico centrado numa fase menos conhecida da vida de Frida: o verão de 1938, quando a sua primeira exposição individual em Nova Iorque a consagra como pintora por direito próprio, e não apenas como mulher de Diego Rivera. É também nesta altura que reencontra o fotógrafo Nickolas Muray, com quem vive uma paixão intensa. Um livro ideal para quem prefere conhecer a artista através da ficção, sem perder o rigor histórico.
Com prefácio de Laura Esquivel, este é talvez o mais original dos seis. Parte de um objeto real, um pequeno caderno preto encontrado entre os pertences de Frida, para imaginar um pacto entre a pintora e a morte: para continuar viva depois do acidente que quase lhe roubou a vida, teria de lhe preparar todos os anos uma oferenda no Dia dos Mortos. Realismo mágico, receitas de cozinha e memórias fundem-se numa biografia ficcionada que atravessa a relação com Diego Rivera, Trotsky, Georgia O'Keeffe e outros nomes marcantes do seu círculo.
Da coleção bestseller Little People, Big Dreams (Meninas pequenas, Grandes Sonhos) este é o ponto de partida ideal para apresentar Frida aos mais pequenos: conta o acidente que mudou a sua vida, a descoberta da pintura a partir da sua cama e o caminho até se tornar uma das artistas mais reconhecidas do século XX, tudo sem simplificar em excesso a sua história.
Do romance ao livro para crianças, do realismo mágico à biografia ilustrada, estes títulos mostram que vale a pena continuar a procurar conhecer Frida, um livro de cada vez, seja qual for a idade do leitor.