As nossas livrarias são muito mais do que um local onde se vendem ou compram livros. São um ponto de encontro entre pessoas, livreiros e leitores, que conversam e partilham diariamente as suas histórias, as dos livros e as da vida. E como as histórias que contam são as que vivemos juntos, recolhemos alguns testemunhos de livreiros e de leitores que ilustram a ligação que vamos criando e reforçando quando escutamos com o coração, adivinhamos o que não foi dito, compreendemos, sentimos e agimos como se fôssemos o outro.
Leia também: Livreiros e Leitores: histórias que contam — Vol. 1
As histórias dos livreiros
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Pedro e Marisa
Livraria Açores
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Pedro: Abordei uma senhora que estava junto das estantes com livros de autoajuda e que me disse:
"Estou à procura de um livro para resolver problemas. "
"Que tipo de problemas? Problemas seus, dos outros?"
"Problemas meus, cá dentro. São problemas que eu já tenho há muito tempo e tenho dificuldade em resolver."
Tentei, de uma forma não intrusiva, pedir que me contasse um bocadinho mais, para poder recomendar um livro que fosse indicado. A senhora começou a abrir-se devagarinho sobre os seus problemas de ansiedade, sobre como ficava muito preocupada com as doenças, e sofria de ataques de pânico, especialmente desde a altura da covid.
E eu pensei, "espera aí, tenho uma colega que está a passar pelo mesmo". Pensei que, se a chamasse, a senhora iria sentir-se mais segura. Foi então que a minha colega Marisa se juntou a nós e, com o decorrer da conversa, a cliente começou a partilhar mais coisa.
Marisa: Consegui perceber que a ansiedade da cliente tinha começado com o falecimento da avó. Para mim, a ansiedade também esteve relacionada morte da minha avó: era a pessoa que me era mais chegada. A partir daí, começámos a falar muito, e acabámos com uma lágrima no olho, emocionadas e a partilhar técnicas.
Pedro: A cliente voltou recentemente, disse que estava melhor e até acrescentou “olhe, recomendo este livro à sua colega”.
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Micaela Perdigão
Livraria Plaza Madeira
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Recebi uma senhora na livraria que me disse que gostaria de ver livros sobre o autismo. Comecei a fazer algumas perguntas para tentar perceber o porquê dessa necessidade.
Durante a nossa conversa, a senhora começou a ficar emocionada. Senti que precisava de se abrir e, com cuidado, continuei a fazer perguntas.
A senhora foi partilhando comigo que procurava livros sobre autismo porque tinha necessidade de conversar com um adulto. Precisava de estabelecer comunicação com um adulto, o seu marido, que, naquele momento, estava a passar por uma situação delicada de saúde, porque tinha um tumor cerebral em desenvolvimento.
Escutei-a atentamente e tentei confirmar se estava mesmo a compreendê-la:
Então, aquilo de que precisa é compreender o que lhe diz, é que ele lhe possa dizer se acordou bem, se acordou mal.
E ela respondeu-me:
Exatamente isso, eu preciso de perceber como ele se sente para eu conseguir perceber o que vou fazer. Eu preciso de perceber onde ele quer ir para não gerar frustração e não desistir de pedir para fazer alguma coisa.
A partir desse momento, senti que a senhora criou o à-vontade necessário para falarmos do tema e continuou a explicar-me:
Falei em livros sobre autismo, não porque o meu marido seja autista, mas porque foi uma recomendação que me fizeram para me ajudar a comunicar com ele…
E continuou…
Por enquanto, ainda tem alguma autonomia motora, ainda se consegue levantar e ir buscar a laranja de que tanto gosta, mas já não a consegue descascar. Ainda consegue responder se dormiu bem ou dormiu mal, mas daqui a muito pouco tempo, o mais certo é que já não se consiga expressar… Sabe, o amor também dói.
Depois desta conversa, refletimos em conjunto, e acabei por lhe sugerir livros com imagens ou sobre rotinas que pudessem identificar as várias fases do dia.
No fim, em boa verdade, a senhora não levou nenhum livro. Comprometi-me a fazer uma pesquisa mais exaustiva de livros que a ajudassem a comunicar com o marido.
As histórias dos leitores
Quero deixar o meu sincero agradecimento a si a e a toda a equipa da Bertrand pela forma como acompanharam a resolução da situação do pagamento. A vossa paciência, dedicação e atenção ao detalhe fizeram toda a diferença. Graças ao vosso empenho, consegui adquirir os livros que tanto desejava. Este gesto ultrapassa a simples resolução de um problema: transmite profissionalismo, empatia e verdadeiro cuidado pelo cliente. E é precisamente esse tipo de atitude que fideliza e marca a diferença. Fico, por isso, muito grato por todo o vosso apoio e deixo o meu reconhecimento público pelo excelente trabalho.
A minha livraria Bertrand (Seixal) enche-me o coração. Sou sempre muito bem recebida, com sorrisos e boa disposição. Vir a esta Bertrand é conforto, alegria e ternura. Obrigada por serem maravilhosas e continuem a ser as livreiras incríveis que conheço. Por mais pessoas especiais como vocês.
Sempre que venho à loja sou superbem atendida. Além dos livros pelos quais tenho interesse, procuram ajudar a explorar novos livros do mesmo género, o que é muito acolhedor. Nesta loja, cria-se uma grande relação com o cliente. Venho felicitar a Sra. Celina Monteiro e a Sra. Mafalda Pedrosa pela enorme simpatia e grandes recomendações de livros. Superatenciosas, mesmo, e venho a esta loja desde a primária (atualmente, tenho 22 anos). Voltarei, sempre!
E se estes testemunhos o inspiraram, temos uma sugestão:
Este Natal, convidamo-lo a enviar uma carta ao seu livreiro Bertrand.
Pode contar uma história passada numa das nossas livrarias, agradecer por um livro de que gostou muito, ou incluir um desenho ou fotografia que reflita esta conexão tão especial. Deixe a magia e o espírito natalício inspirá-lo — é isso que importa. Estendemos este convite a todos os nossos leitores, pequenos e graúdos: basta deixar a carta na sua livraria preferida, num dos nossos marcos de correio especiais:
Os postos de correio vão estar em todas as livrarias a partir desta semana. Pedimos apenas que, ao entregar a carta, inclua a morada completa, pois no final desta iniciativa, leremos todas as cartas com carinho e comprometemo-nos a responder por carta, para a morada indicada, acompanhado de um presente, até 31 de janeiro.
Ficamos à espera da sua carta!