Durante a II Guerra Mundial, o racionamento de bens e os impostos elevados nos produtos importados levaram a que o papel fosse um dos poucos recursos que ainda existia em abundância na ilha. Por essa razão, os livros tornaram-se uma escolha popular como presente para oferecer nas festividades. Com o tempo, o grande aumento na compra de livros na altura do Natal fez com que os editores começassem a publicar a maioria dos livros nos dois meses que antecedem a época natalícia, levando a um fenómeno a que os islandeses chamam de Jólabókaflóðið – traduzido literalmente como inundação de livros do Natal.
A meio de novembro, todas as famílias islandesas recebem em casa o Boletim de livros – ou Bókatíðindi –, um catálogo publicado anualmente pela Iceland Publishers Association, que lista as novidades literárias e outros livros populares, para que possam escolher os seus presentes. O frenesim em volta dos livros durante este período é tal que, durante dois meses, quase todos os dias existem festas de lançamento em livrarias, sessões de leitura em pubs e cafés, ou palestras com autores.
Mas os islandeses não trocam apenas os livros na véspera de Natal. Depois de abrirem os presentes, passam a noite a ler os livros que receberam, enquanto desfrutam de uma bebida quente. Talvez seja nisso que resida o segredo islandês para a felicidade. Porque embora não possamos comprar felicidade, podemos comprar livros – o que é quase a mesma coisa.