Ai Weiwei | A arte que grita liberdade

Por: Marisa Sousa a 2021-07-23

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Jorge, o mais "Amado" escritor brasileiro

Nasceu Jorge Leal Amado de Faria mas foi como Jorge Amado que ficou conhecido no Brasil e por todo o mundo. Autor de obras de sucesso como Gabriela, Cravo e Canela, Capitães de areia ou, para o público infantojuvenil, O gato malhado e a andorinha Sinhá, foi um dos autores brasileiros mais traduzidos e também um dos mais acarinhados pelos leitores. Embora já nos tenho deixado há vinte anos, no final deste mês é publicado um novo livro de memórias do autor, intitulado Navegação de Cabotagem (Dom Quixote), no qual relata episódios caricatos da sua vida, desde uma bebedeira com Pablo Neruda, uma reunião política com Picasso, ou uma visita ao bordel ou ao terreiro de candomblé com Carybé ou Dorival Caymmi. 

Jorge Luis Borges, o eterno bibliotecário

Hoje, comemoramos 122 anos do nascimento deste autor que, mesmo cego, viu o mundo e as pessoas mais profundamente pois, como canta Chico Buarque, “Os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão”.

Consegue adivinhar qual é o livro infantojuvenil português mais popular de todos?

Todos conhecemos os grandes clássicos infanto-juvenis da literatura mundial, como O Principezinho, Alice no País das Maravilhas ou As Aventuras de Pinóquio, e os livros que fazem parte da infância de todas os portugueses, como a coleção Uma Aventura ou os contos de Sophia de Mello Breyner. No entanto, já parou para pensar quantos livros infantis de outros países realmente conhece?

“Todos podemos ser agentes de mudança. Por vezes, os desafios que nos rodeiam impedem-nos de saber por onde começar.” O artista chinês Ai Weiwei é mundialmente conhecido pelas suas criações, que esbatem a ténue fronteira entre arte e ativismo. Depois de ter fugido da China, vive atualmente no Alentejo, tem uma exposição patente na Cordoaria Nacional e verá as suas memórias chegarem às livrarias no final de 2021. Antes da exposição e das tão aguardadas memórias, detivemo-nos no documentário Ai Weiwei: Yours Truly (2020), que se propõe inspirar-nos a agir e a defender os direitos humanos. Tudo começa com uma forma simples e direta de demonstrar empatia: o envio de um postal.


"Your own acts tell the world who you are and what kind of society you think it should be."  — Ai Weiwei

 

Ai Weiwei, crítico feroz do governo chinês, foi detido pelas autoridades em 2011 e levado para um local secreto durante 81 dias. Acabou por ser libertado e mantido sob forte vigilância e ameaças veladas, tendo visto o seu passaporte restituído apenas em 22 de julho de 2015. A história do documentário Ai Weiwei: Yours Truly começa com a extraordinária exposição sobre liberdade de expressão e direitos humanos, @Large: Ai Weiwei on Alcatraz, organizada em 2014, na antiga prisão de segurança máxima, nos Estados Unidos da América. Depois da sua libertação, o artista e ativista transformou a antiga prisão numa plataforma artística, fazendo nascer uma exposição que acabaria por receber cerca de 900 000 visitantes, que foram envolvidos num diálogo sobre prisioneiros de consciência.

 

Instalação Trace, Exposição @Large: Ai Weiwei on Alcatraz, Hirshhorn Museum.

 

Trace, uma das obras mais emblemáticas da exposição, composta inteiramente por peças LEGO, apresentava os rostos e nomes de 176 pessoas, que Ai Weiwei apelidou de “heróis do nosso tempo”, aprisionadas ou exiladas devido às suas crenças, afiliações ou manifestações não violentas. Os visitantes eram convidados a enviar mensagens de esperança a esses prisioneiros e às suas famílias, utilizando postais ilustrados com fotos de flores e pássaros originários dos países das 176 pessoas representadas. Galvanizados pelo possível impacto que as suas vozes pudessem vir a ter, os visitantes aderiram em massa e, quando a exposição terminou, haviam sido enviados mais de 90 000 postais para diversos locais do mundo. O poder das palavras semeadas começou a dar frutos de forma avassaladora: a organização começou a ter notícias de muitos dos prisioneiros e das suas famílias, emocionados e com a força e a coragem reforçadas, fruto do apoio recebido. Alguns destes prisioneiros terão mesmo confessado que esses postais lhes salvaram a vida, representando um novo motivo para se manterem firmes nas suas crenças, apesar das circunstâncias a que estavam sujeitos. Sim, as palavras salvam.
 

AS CONSEQUÊNCIAS DA POESIA
No artigo On Poetry (2015), Ai Weiwei recorda o seu pai, Ai Qing, uma influência incontornável, um “verdadeiro poeta” que acabaria por sofrer às mãos do governo chinês por ser considerado de direita, acabando por ser desterrado para a inóspita região de Xinjiang, conhecida como Pequena Sibéria, e proibido de escrever. Durante a Revolução Cultural, foi obrigado a limpar casas de banho públicas (que Weiwei descreve como sendo locais cujas condições estão muito além da nossa compreensão). Terá sido em sua homenagem que criou Blossom, uma das instalações patentes na exposição @Large: Ai Weiwei on Alcatraz: as decrépitas casas de banho, anteriormente utilizadas pelos prisioneiros, foram povoadas por milhares de delicadas flores brancas em cerâmica.

 

Ai Weiwei com o pai, Ai Qing (1958).


“O meu pai foi castigado por ser poeta e eu cresci rodeado pelas consequências.” No entanto, mesmo quando as condições eram as piores, o artista garante que o coração do seu pai “estava protegido por uma inocente compreensão do mundo”. Depois de ler Walt Whitman, Pablo Neruda, Federico García Lorca e Vladimir Maiakovski, ainda muito jovem, Weiwei percebeu que a poesia tem a capacidade de nos transportar para outro local, para longe das nossas circunstâncias. Experienciar a poesia é viver uma outra vida. Numa entrevista concedida a Ian Boyden, acabaria por defender a sua crença de que a poesia é indissociável da política. “Tudo é arte. Tudo é política.” Talvez por isso, as suas obras transpiram poesia. “Se a minha arte não estiver relacionada com as dores e o sofrimento das pessoas, para que serve?”

 

“Quando restringimos a liberdade, ela levanta voo e pousa num parapeito." — Ai Weiwei
 

 

EXPOSIÇÃO RAPTURE
4 junho a 28 novembro 2021 | Cordoaria Nacional


A palavra Rapture, em inglês, tem assumidamente várias leituras: o momento transcendente que conecta a dimensão terrena e a dimensão espiritual; o sequestro dos direitos e liberdades de cada um; e a ligação entre o entusiasmo sensorial e o êxtase. Para Ai Weiwei, Rapture é um pouco de todas essas ideias tomando forma numa exposição inédita que propõe apresentar as duas dimensões criativas de um artista icónico dos nossos tempos: realidade e fantasia.


A exposição, patente na Cordoaria Nacional até dia 28 de novembro, divide-se em dois núcleos: o da fantasia, em que essa origem é explorada; e o da realidade e da emergência de assuntos que transbordam nas nossas vidas com o agravamento das condições humanas no planeta. Por razões sejam políticas, sejam ambientais, sejam sociais, Ai Weiwei oferece-nos uma visão atenta de questões essenciais que afligem todos os povos, tais como de onde viemos e o que estamos a aqui a fazer.

 

 

 

Informação adicional em everythingisnew.pt.

 

1000 ANOS DE ALEGRIAS E TRISTEZAS
As memórias de Ai Weiwei


“A ideia para este livro surgiu na minha mente durante os oitenta e um dias em que estive secretamente detido pelo governo chinês, em 2011.” Em 2 de novembro chega às livrarias 1000 Anos de Alegrias e Tristezas (Objetiva), as memórias de Ai Weiwei. “Ao longo dessas semanas intermináveis, pensei muitas vezes no meu pai, poeta, que tinha sido exilado no decorrer da campanha anti-direitista de Mao Tsé-tung. Percebi que pouco sabia sobre o meu pai, mas que era grande a minha mágoa pela distância intransponível que acabou por nos separar. Não quis que o meu filho sentisse a mesma tristeza, por isso, decidi que, se fosse libertado, escreveria tudo o que sabia sobre o meu pai e contaria ao meu filho, com honestidade, quem eu era, o que é a vida e porque é tão preciosa e por que razão a autocracia tanto teme a arte.”

 

Instalação Trace, Exposição @Large: Ai Weiwei on Alcatraz, Hirshhorn Museum.


Ai Weiwei oferece-nos uma descrição da China dos últimos 1000 anos e, simultaneamente, reflete sobre o seu processo artístico. Além de explorar as origens da sua criatividade fora de série e das suas apaixonadas convicções políticas, Weiwei revela ainda a história do seu pai, Ai Qing, outrora o poeta mais influente da China e camarada próximo e íntimo de Mao Tsé-Tung. Durante a Revolução Cultural Chinesa, Ai Qing foi considerado de direita e condenado a trabalhos forçados. Toda a sua família, incluindo o filho, foi desterrada para uma parte remota e desolada do país.

Nas suas memórias, Weiwei descreve uma infância no exílio e conta-nos a difícil decisão de abandonar a família para ir estudar Arte nos Estados Unidos, onde se tornou amigo de Allen Ginsberg e encontrou em Marcel Duchamp e Andy Warhol uma inspiração. Com honestidade e sageza, descreve o seu regresso à China e a sua ascensão de artista desconhecido a estrela da cena artística internacional e ativista pelos direitos humanos — sem esquecer a forma como o seu trabalho tem sido moldado pela vivência sob um regime totalitário.

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