Este domingo, dia 9 de novembro, assinala-se o Dia Internacional Contra o Fascismo e o Antissemitismo. Compreender o fascismo é, hoje, mais importante do que nunca: esta ideologia tem vindo a crescer e a ganhar terreno e expressão em diversas partes do mundo contemporâneo. Um fenómeno político e social, que muitos pensavam ultrapassado após a Segunda Guerra Mundial, ressurge nos dias de hoje com novas roupagens e estratégias, tornando-se uma ameaça à democracia e aos direitos civis.
Reunimos oito livros essenciais para quem deseja compreender a origem, o funcionamento e os sinais deste fenómeno político, bem como a sua persistência e reinvenção ao longo do tempo. São títulos que abordam desde as bases filosóficas e ideológicas do fascismo até às suas manifestações contemporâneas no século XXI, indispensáveis para quem quer permanecer atento e informado.
As Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt
Uma obra clássica que investiga as origens históricas do totalitarismo, analisando tanto o nazismo como o estalinismo e que esclarece de que forma o fascismo se insere na lógica do poder totalitário. Arendt, que viveu na primeira pessoa a luta contra o fascismo, constrói uma reflexão profunda sobre os mecanismos de opressão, propaganda e controlo social que marcaram o século XX, permanecendo essenciais para compreender as dinâmicas autoritárias do nosso tempo.
Como Funciona o Fascismo, de Jason Stanley
Neste livro, Stanley explora os mecanismos e estratégias que tornam o fascismo recorrente, não apenas como regime do passado, mas como uma “tecnologia política” presente, focando-se na política do “nós contra eles”, na manipulação da memória coletiva, na propaganda e no ataque à solidariedade democrática. Essencial para compreender as ameaças atuais às instituições democráticas.
Como Morrem as Democracias, de Steven Levitsky
Levitsky analisa os processos que conduzem ao colapso das democracias, com base em casos como os dos Estados Unidos, da Venezuela e da Hungria, destacando o papel de líderes autoritários e de movimentos populistas que revelam traços fascistas. O autor demonstra como o enfraquecimento das instituições democráticas e o desrespeito pelas normas políticas abrem caminho ao autoritarismo, oferecendo uma leitura clara das ameaças que hoje pesam sobre o Estado de direito e a liberdade política.
Como Reconhecer o Fascismo, de Umberto Eco
Neste ensaio breve e contundente, Eco (italiano, nascido em 1932 no auge do fascismo em Itália) apresenta as características e estratégias das ideologias fascistas que continuam a existir sob diferentes formas. Analisa elementos como o culto do líder, a rejeição do modernismo, a apologia da violência e as teorias conspiratórias.
O Fascismo Eterno, de Umberto Eco
Complementando o anterior, Eco oferece uma reflexão sobre o fascismo como um fenómeno recorrente, que pode reaparecer em distintas épocas e contextos. Este livro analisa os padrões que se repetem em grupos e regimes fascistas, alertando para a importância da vigilância contínua contra ideologias que ameaçam a democracia e os direitos humanos.
A Ordem do Capital, de Clara E. Mattei
Mattei parte de uma questão importante que, segundo a autora, permanece sem resposta: e se a solvência nunca foi o verdadeiro objetivo da austeridade? Com este mote, analisa como as políticas de austeridade económica foram desenhadas, deliberadamente, para preservar a ordem capitalista e abrir caminho ao fascismo, especialmente nos períodos pós-crise.
Homenagem à Catalunha, de George Orwell
Orwell narra a sua experiência direta nas trincheiras da Guerra Civil de Espanha, testemunhando o combate ao fascismo de Franco e as contradições dos movimentos revolucionários. É uma narrativa envolvente sobre a luta pela liberdade contra a opressão totalitária, que mostra a sua realidade de forma crua, para que nunca nos esqueçamos.
Fighting Fascism, de Clara Zetkin
Este volume recupera discursos e textos da militante Clara Zetkin, incluindo o seu famoso relatório à Internacional Comunista em 1923. Zetkin denuncia os perigos do fascismo nascente e propõe estratégias organizadas de luta antifascista, com destaque para o papel das mulheres e das massas trabalhadoras.