8 Curiosidades sobre “A História de uma Serva”

Por: Bertrand Livreiros a 2023-05-16 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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A História de Uma Serva
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A História de uma serva (The Handmaid's Tale, no original), de Margaret Atwood, veio inaugurar uma nova iniciativa da Bertrand: chama-se Livro Adentro, e consiste na disponibilização de excertos de obras, interpretados por Ana Celeste Ferreira, cantora lírica e diseur. A História de uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo. 
 

Qual é afinal o enredo desta obra distópica? Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. Defred (Offred na versão original) é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.
 

Ouça o excerto lido por Ana Celeste Ferreira.
 


“A História de uma Serva de Margaret Atwood é das melhores construções distópicas que já li, com um realismo e cuidado na narrativa ao nível de 1984 de Orwell ou do Ensaio sobre a Cegueira de Saramago. E sim, já tinha visto a série The Handmaid's Tale, de que tinha gostado, mas usufruí muito mais, a todos os níveis, da experiência de ler o livro.” — Ana Celeste Ferreira 


Partilhamos consigo 8 curiosidades sobre a obra e sobre a sua adaptação ao ecrã.


1. Embora o futuro distópico retratado em The Handmaid's Tale possa parecer inimaginável no mundo real, Atwood afirmou que, ao escrever o livro, fez questão de manter-se fiel aos tipos de atrocidades que os seres humanos já haviam cometido historicamente uns contra os outros. "Estabeleci uma regra para mim mesma: não incluiria nada que os seres humanos ainda não tivessem feito em algum outro lugar ou tempo", escreveu ela num ensaio de 2012 para o The Guardian. "Não queria ser acusada de invenções sombrias e distorcidas, ou de deturpar o potencial humano para comportamentos deploráveis."
 

2. Apesar de Atwood ser canadiana, decidiu situar a história de The Handmaid's Tale nos Estados Unidos, porque não acreditava que o Canadá pudesse realisticamente "ceder a um regime totalitário extremo". O Canadá, historicamente,e tem sido um país para onde as pessoas fogem. O mesmo acontece em The Handmaid's Tale. No entanto, a série, que transpôs a história para o ecrã, foi filmada no Canadá.
 

3. Embora a série revele explicitamente que o verdadeiro nome de Offred, a personagem principal (Defred, na versão portuguesa), é June, isso não ocorre no livro, onde o seu verdadeiro nome nunca é revelado. 
 

4. No livro, todas as pessoas de cor são expulsas para o Meio-Oeste pelo regime racista que governa Gilead. O produtor executivo da série, Bruce Miller, afirmou à TVLine que tiveram "uma grande discussão com Margaret Atwood" sobre a decisão de mudar esse pormenor na série, explicando que, no papel "É fácil dizer 'eles mandaram embora todas as pessoas de cor', mas vê-lo numa série de TV é mais difícil."
 

5. Num ensaio para o The New York Times, Atwood explicou o simbolismo dos trajes vermelhos das Aias: "As Aias usam vermelho alusivo ao sangue do parto, mas também a Maria Madalena. Além disso, o vermelho é mais fácil de ver se alguém estiver a fugir."
 

6. Falando das muitas camadas de simbolismo no livro e na série, o nome de Offred (Defred, na versão portuguesa) é mais uma dessas camadas. "Este nome é composto pelo primeiro nome de um homem, 'Fred', e um prefixo que denota 'pertencente a', como 'de' em francês ou 'von' em alemão, ou como o sufixo 'son' nos apelidos ingleses como Williamson", explicou Atwood. "Dentro deste nome está escondida outra possibilidade: 'offered', denota uma oferta religiosa ou uma vítima oferecida para sacrifício."
 

7. Atwood afirmou que o governo totalitário em The Handmaid's Tale foi inspirado nos puritanos americanos. “As raízes do totalitarismo na América são encontradas, descobri, na teocracia do século XVII. A Letra Escarlate não está muito distante de The Handmaid's Tale, a minha visão do puritanismo americano."
 

8. Margaret Atwood fez uma pequena participação especial no episódio piloto da série, interpretando a Tia que dá uma bofetada a Offred.
 

Fonte: Harpers Bazaar

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