7 dos livros preferidos de Samuel Beckett

Por: Joana Vilela a 2023-06-27 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Samuel Beckett

Samuel Beckett

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1969

Romancista e dramaturgo irlandês, Samuel Barclay Beckett nasceu a 13 de abril de 1906 na cidade de Dublin. Oriundo de uma família protestante abastada, estudou na Portora Royal School antes de ingressar no Trinity College da sua terra natal. Após ter conseguido o bacharelato em Estudos Franceses e Italianos, no ano de 1927, Beckett começou a trabalhar como professor em Belfast. Mudando-se para Paris, passou a frequentar a pequena comunidade literária de expressão britânica que se reunia na famosa livraria Shakespeare and Company de Sylvia Beach, onde conheceu James Joyce. Auxiliou o compatriota na preparação do manuscrito de Finnegan's Wake (1939) e lecionou Inglês na École Normale Superieure .
Em 1930 Beckett estreou-se como poeta, ao publicar Whoroscope, um monólogo dramático que fazia protagonizar pelo filósofo francês René Descartes, que empreendia uma meditação sobre os mistérios de Deus, da vida e da morte, enquanto esperava pelo seu pequeno-almoço, uma substancial omeleta. No ano seguinte reuniu uma coletânea de ensaios com o título Proust (1931) e, de regresso a Dublin, licenciou-se pelo Trinity College, o que valeu uma posição como docente de Francês nessa mesma instituição. A morte do pai trouxe-lhe uma herança considerável, recebida em anuidades, facto preponderante na decisão de abandonar a carreira académica em 1932, com o firme propósito de se dedicar inteiramente à escrita.
Julgando Londres um meio mais propício a oportunidades, mudou-se para esta cidade em 1933. Imiscuindo-se na boémia londrina, publicou, no ano seguinte, o seu primeiro romance, More Pricks Than Kicks (1934). Seguiu-se um período difícil na sua vida, marcado por visitas regulares a um psicanalista, entre os anos de 1935 e 1936. Em 1938 foi apunhalado por um proxeneta e hospitalizado. Nesse mesmo ano de 1938 publicou Murphy, obra em que Beckett analisava o mundo da prostituição. Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, Samuel Beckett partiu da Irlanda para a França, para se juntar às fileiras da Resistência mas, procurado pelos Nacional-Socialistas, foi obrigado a fugir para o Sul do país, escondendo-se no Roussillon durante dois anos na companhia de uma estudante de piano, Suzanne Dechevaux-Dumesnil, com quem viria eventualmente a casar em 1961.
Trabalhando como lavrador, Beckett continuou a escrever, elaborando o manuscrito do seu segundo romance, que veio a ser publicado em 1953 com o título Watt.
Finda a guerra, Beckett esteve ao serviço da Cruz Vermelha em Paris. Passou a escrever em francês, publicando uma trilogia narrativa composta por Molloy (1951), Malone Meurt (1951) e L'Innommable (1953), e as suas peças de teatro mais famosas, En Attendant Godot (1952), Fin De Partie (1957) e Oh Les Beaux Jours (1961). Estas obras consagraram Beckett como um dos nomes mais proeminentes do teatro do absurdo, lidando com temas complexos e existencialistas como a desilusão, o sofrimento e o absurdo da condição humana. Em Beckett, a ironia amarga resulta de um violento contraste entre a esperança que o homem coloca na sua existência e o que realmente obtém dela.
O ano de 1959 marca o regresso do autor à língua materna, publicando Krapp's Last Tape, peça de teatro em que um velho se senta só num quarto a ouvir gravações do seu passado.
Beckett foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1969, e conta-se que terá utilizado a soma recebida pela Real Academia Sueca em auxílio de artistas necessitados.
Faleceu a 22 de dezembro de 1989 após ter sido hospitalizado por problemas respiratórios.

Samuel Beckett. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

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Samuel Barclay Beckett foi um escritor, dramaturgo e poeta irlandês. Nasceu em Foxrock, um subúrbio de Dublin, a 13 de abril de 1906. Foi criado segundo os princípios da igreja anglicana, mas mais tarde assumir-se-ia como agnóstico, o que acabou por se refletir bastante na sua escrita. Em 1969 é laureado com o Prémio Nobel da Literatura e viria a falecer a 22 de dezembro de 1989, com problemas respiratórios. O seu primeiro trabalho publicado foi o ensaio critico “Dante… Bruno. Vico… Joyce”, em 1929, que defende os métodos e trabalhos de James Joyce, de quem Beckett era amigo próximo. Estreou-se como poeta no ano seguinte, com a publicação de Whoroscope, um monólogo protagonizado pelo filósofo francês René Descartes.


Integrou a Resistência francesa no combate contra a invasão nazi, durante a Segunda Guerra Mundial e, após o fim da guerra, esteve ao serviço da Cruz Vermelha em Paris. Foi durante esse período que começou a escrever em francês. Exemplo disso são algumas das suas peças de teatro mais famosas, como por exemplo En Attendant Godot, em 1952. Em 2011, foi publicado um conjunto de cartas que Beckett escreveu, entre 1941 e 1956, e que revelaram alguns dos livros que o autor tinha na sua mesa de cabeceira. Compilamos uma lista com sete deles.
 


 

A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne

Phileas Fogg, um gentleman inglês, aposta com os membros do seu clube, o Reform Club, que será capaz de dar a volta à Terra em 80 dias. Decidido a vencer a aposta, parte imediatamente com o seu criado Jean, um desenvolto parisiense conhecido por Passepartout. “Uma leitura animada”, segundo Beckett.


O Castelo, de Franz Kafka

Na sua inconfundível escrita sem fôlego, Franz Kafka grava a força de uma narrativa que se debruça sobre a espera, a frustração e a impotência perante um mundo turvo e intransponível. Samuel Beckett não conseguiu terminar esta obra, “senti que estava em casa, demasiado até. Talvez tenha sido isso que me impediu de continuar a ler. O caso ficou encerrado ali mesmo”.


À Espera no Centeio, de J. D. Salinger

A história de um jovem nova-iorquino, expulso da escola três dias antes das férias de Natal e que não tem coragem de regressar a casa e enfrentar os pais. Por isso passa esses dias deambulando pela cidade, fazendo descobertas decisivas, vivendo contradições, alegrias e temores. Um dos preferidos de Beckett: “gostei imenso, de facto, mais do que alguma coisa durante muito tempo.”


A Casa Torta, de Agatha Christie

A numerosa família Leonides vive numa estranha mansão nos subúrbios de Londres, sob o olhar protector, e um tanto controlador, do patriarca Aristide Leonides. Quando o velho milionário é assassinado, deixa para trás uma longa lista de suspeitos, encabeçada pela própria viuva, cinquenta anos mais nova do que ele. Samuel Beckett disse encontrar “uma [Agatha] Christie muito cansada”.


O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo

Numa Paris medieval, a beleza da jovem Esmeralda desperta paixões nos corações de todos, incluindo mendigos, guardas e arquidiáconos. A Catedral de Notre-Dame serve como palco de uma luta entre as diferentes classes sociais, que culmina no rapto de Esmeralda e na loucura do corcunda Quasimodo.


O Estrangeiro, de Albert Camus

Um romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, onde se joga o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência. Publicado originalmente em 1942, este foi o primeiro romance de Albert Camus. Uma leitura obrigatória segundo Beckett, "experimenta e lê, acho que é muito importante".


A Condição Humana, de André Malraux

Publicado em 1933, e nesse mesmo ano distinguido com o Prémio Goncourt, este livro é um documento incontornável de reflexão sobre o indivíduo, sobre o confronto entre ética pessoal e convicção ideológica, sobre traição e morte, sobre amor e liberdade.
 

Fonte: Open Culture

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