De Atticus Finch a Arthur Weasley, a literatura está cheia de figuras paternas memoráveis, mas não é só de pais-heróis que lhe falamos hoje. Os livros que lhe sugerimos, a propósito do Dia do Pai (19 de março), falam da experiência da paternidade em toda a sua complexidade, do bom, do mau e do “suficientemente bom”, percorrendo diferentes géneros literários, da ficção à não ficção ou à banda desenhada. Partilhe-os com as figuras paternas da sua vida.
No Outono, de Karl Ove Knausgård
Nesta coleção de ensaios divididos por estações do ano, o autor norueguês Karl Ove Knausgård escreve para a filha que está prestes a nascer. “Agora, no momento em que escrevo isto, não sabes nada, nada do que te espera, do mundo a que vais chegar. E eu nada sei de ti. Vi uma imagem na ecografia, e pus uma mão sobre o ventre em que estás, é tudo.” A partir da beleza de objetos do quotidiano, Knausgård disserta sobre a vida, a existência, e a filha que deu um novo significado a tudo, mesmo antes de nascer.
A Estrada, de Cormac McCarthy
Neste romance do recém-falecido Cormac McCarthy, premiado com o Pulitzer em 2007, pai e filho lutam pela sobrevivência num cenário pós-apocalíptico. Longe de ser uma história de ficção científica, A Estrada é uma história humana sobre o pior e o melhor de que somos capazes perante a devastação total, e uma homenagem poderosa do amor que sustenta a relação entre um pai e um filho.
Pai Horácio, de Marco Horácio
O mais recente livro de Marco Horácio é a leitura ideal para os pais que preferem encarar a vida com humor. Escrito depois do humorista e apresentador de televisão ser pai pela segunda vez aos 50 anos, reflete sobre o lado menos cor-de-rosa da paternidade, as inseguranças masculinas e o lugar do romance numa vida com bebés, cães e noites mal dormidas. Na paternidade e na vida, rir é muitas vezes o melhor remédio, sobretudo naqueles dias em que o choro e as birras são a música ambiente.
D.A.D. - Desempregado, Artista e Dona de Casa, de Alexandre Esgaio
Um pai, duas filhas, uma casa para arrumar, roupa para lavar, comida para fazer, crianças para ir buscar à escola, birras, quedas, caos, alegria, humor e muito amor. Se este cenário lhe é familiar, não pode deixar de ler esta banda desenhada feita de pequenos momentos na vida de um pai de duas filhas irrequietas, inteligentes e muito senhoras de si. Hilariante e ternurento em igual medida, vai fazê-lo rir, emocionar-se e sobretudo identificar-se nesta grande aventura que é a paternidade.
Pais suficientemente bons, de Peter Strecht
Se, como muitos pais, por vezes se questiona se está a fazer o suficiente pelos seus filhos, o novo livro do médico de psiquiatria da infância e adolescência Pedro Strecht é leitura obrigatória. Tomando como ponto de partida o conceito de “suficientemente bom” do pedopsiquiatra britânico Donald Winnicott, debruça -se sobre a ânsia de perfeição dos pais de hoje e a pressão que exercem sobre os filhos para estes atingirem a excelência a todos os níveis. Mas a perfeição não só não é atingível, como também não é desejável. Pode ser “apenas” um pai suficientemente bom.
Património, de Phillip Roth
Filho és, pai serás. Neste livro biográfico de Philip Roth, o autor narra a batalha do seu pai com um tumor cerebral terminal. O filho, repleto de amor, ansiedade e medo, acompanha-o em cada atemorizante estádio da sua provação final e, ao fazê-lo, revela o apego à vida que marcou o compromisso longo e teimoso do seu pai com a vida. Uma história verdadeira à qual ninguém fica indiferente, sobre o derradeiro adeus entre um pai e um filho.
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