10 curiosidades sobre Sophia

Por: Beatriz Sertório a 2020-11-06 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro 1919 no Porto, onde passou a infância. Em 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Na sequência do seu casamento com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares, em 1946, passou a viver em Lisboa. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis. Além da literatura infantil, Sophia escreveu também contos, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses.

Em termos cívicos, a escritora caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Apoiou a candidatura do general Humberto Delgado e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime, tendo sido um dos subscritores da "Carta dos 101 Católicos" contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política de Salazar. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Foi também público o seu apoio à independência de Timor-Leste, consagrada em 2002.

A sua obra está traduzida em várias línguas e foi várias vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana – a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, Sophia evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias.
Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.

Na data em que se celebrou o seu centenário, 6 de novembro de 2019, é-lhe concedido o grau de Grande-Colar da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

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No dia de hoje, em 1919, nascia Sophia de Mello Breyner Andresen, um dos nomes maiores da poesia portuguesa do século XX. Embora não gostasse de falar de si própria, tendo dito, em entrevista ao Jornal de Letras, que isso é “(…) coisa que não leva a nada, porque a pessoa que escreve procura […] tornar-se uma página em branco, criar em si própria um certo vazio”, recordamo-la no dia em que se assinalam 101 anos desde o seu nascimento, com 10 curiosidades sobre a autora.


1. Sophia de Mello Breyner Andresen tinha raízes dinamarquesas e cresceu na cidade do Porto, cidade que o seu avô, Jan Andresen, visitou e não mais deixou;

2. Descendente de uma família de aristocratas, Sophia viveu no que é hoje o Jardim Botânico do Porto (na altura, Quinta do Campo Alegre), espaço que era uma fonte de inspiração para a poetisa, tendo sido a natureza um dos temas mais importantes da sua obra;

3. Frequentou Filologia Clássica, na Universidade de Lisboa, embora não tenha concluído os estudos. Durante esse mesmo período, colaborou com a revista “Cadernos de Poesia”, onde conviveu com autores como Jorge de SenaRuy Cinatti, Tomaz Kim e José Blanc de Portugal;

4. Começou a escrever poesia aos 12 anos, e aos 25 (em 1944), lançou o seu primeiro livro – Poesia -, uma colectânea de poemas que escrevera até então, numa edição de 300 exemplares financiada pelo seu pai;

5. Para além de poetisa, foi contista (Contos Exemplares) e autora de livros infantis – A Menina do Mar, O Cavaleiro da Dinamarca, A Floresta, O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana, etc. Foi também tradutora, tendo traduzido para português obras como A Anunciação a Maria de Paul Claudel,  Hamlet e Muito Barulho Por Nada de William Shakespeare, Medeia de Eurípides e Um Amigo de Leit Kristianson. Traduziu ainda poemas de Camões, Cesário Verde, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, para francês;

 

A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. 


6. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões, em 1999, tendo sido agraciada com um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Aveiro, no ano anterior, e com o Prémio Rainha Sofia, em 2003, entre outras distinções;

 

7. Na segunda metade dos anos 50, manifestou abertamente a sua oposição ao salazarismo, sendo vários os poemas da autora que expressam um ataque ao regime (sobretudo nos seus livro Mar Novo, publicado em 1958, e  Livro Sexto, publicado em 1962, – no qual Salazar é retratado como um “velho abutre” cujos discursos “têm o dom de tornar as almas mais pequenas”. Recebeu o Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE), dois anos depois;

 

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

 

8. Ainda antes do 25 de Abril, Sophia integrou a Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Naquele que apelidou de “o dia inicial inteiro e limpo”, milhares de manifestantes ecoaram em Lisboa a palavra de ordem proclamada nas palavras de Sophia (e, posteriormente, imortalizada num quadro de Vieira da Silva): “A poesia está na rua”;

9. Em 1975, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte, pelo círculo do Porto, nas listas do Partido Socialista, mas a sua experiência na política foi breve. Dedicou os últimos 30 anos da sua vida à escrita, todavia, sem nunca deixar de considerar a poesia como “uma luta contra a treva e a imperfeição. [Uma] tentativa de ordenar o caos, de nos salvarmos do caos”, algo que ela buscou ativamente, tanto nos seus poemas como na sua intervenção cívica;

10. Faleceu aos 84 anos, no dia 2 de Julho de 2004, em Lisboa, no Hospital Pulido Valente. A 2 de julho de 2014, o seu corpo foi transladado para o Panteão Nacional – foi a segunda mulher lá sepultada (a primeira foi a fadista Amália Rodrigues). Contudo, a memória que nos fica de Sophia é, sobretudo, a de uma mulher que amou a natureza, o mundo, as palavras e o seu poder de transformá-lo. Durante a cerimónia de transladação, Rita Sousa Tavares, sua neta, recordou aquele que foi um dos seus grandes amores – o mar -, ao qual a autora dedicou inúmeros poemas: “Se lhe dessem a escolher entre um prémio literário e um último mergulho no mar, preferia o mergulho no mar”.

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