"O Ladrão de Tatuagens", de Alison Belsham | No Rasto da Agulha

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2020-03-13 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Alison Belsham

Alison Belsham

Alison Belsham começou a escrever com a ambição de se tornar argumentista – em 2000, foi distinguida com o Orange Prize Screenwriting e, em 2001, foi finalista numa competição para guionistas promovida pela BBC. A Bertrand Editora publicou o seu thriller sensação, O Ladrão de Tatuagens, em 2020, um romance que a autora apresentou no Bloody Scotland Crime Writing, um dos mais prestigiados festivais dedicado à literatura policial, onde o livro foi aclamado como vencedor. Depois de O Último Fôlego, chega agora O Embalsamador.

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A tatuagem faz parte da sociedade desde os primórdios da civilização. Transmite uma mensagem quer para a pessoa que a ostenta, quer para os que a contemplam. Ao longo da História, esta modificação do corpo tem assumido diferentes significados: amuleto de proteção, símbolo de punição, crenças religiosas, declarações de amor ou simples prazer estético. Fala-se de uma certa obsessão por parte das pessoas que se tatuam pela primeira vez, sentindo-se estas impelidas a tatuarem-se novamente. E se houvesse alguém obcecado com tatuagens ao ponto de matar?

 


 

Francis Sullivan é detetive-inspetor. O cargo foi-lhe atribuído recentemente, numa promoção repentina que fez dele, aos vinte e nove anos, o mais jovem detetive-inspetor da polícia do Sussex. A falta de experiência e a pressão dos seus pares não ajudam quando recebe o seu primeiro caso: um serial killer com um fascínio por tatuagens que o leva a recortá-las, com precisão, dos corpos das suas vítimas, ainda vivas. A peça fulcral para esta investigação parece ser Marni Mullins, tatuadora de profissão e a pessoa que encontra o primeiro corpo, num caixote do lixo. 

O inspetor e a tatuadora formam uma dupla improvável, mas necessária. Por um lado, Francis é o oposto do estereótipo associado a personagens deste género: não bebe, não é divorciado, vai à missa todos os domingos e demonstra uma ambição fervorosa em tudo o que faz. Marni, por outro lado, e ainda que seja mais velha e mais madura, possui um passado negro e uma desconfiança em relação à polícia, que acaba por chocar com a determinação de Sullivan em destacar-se no emprego. 

O Ladrão de Tatuagens é gráfico, detalhado e, por vezes, perturbador. Para além de acompanharmos os pontos de vista das duas personagens principais, é-nos permitido entrar na cabeça do próprio assassino, cujo trabalho minucioso é considerado “terapêutico”, e comparado com o processo de curtir couro: 

 

«É um processo. Tirar a pele. Curar. Demolhar. Caiar. Descarnar. Descaiar. Reduzir. Conservar. Desengordurar. Curtumar. Neutralizar. Lubrificar. Desidratar. Estender. Secar. Todos os passos são importantes para produzir o couro mais suave e macio. As pessoas não pensam na pele humana como couro, mas é preciso que se perceba que ela resulta no mais agradável dos produtos. Especialmente a pele tatuada.»

 

A dinâmica entre os dois protagonistas – que denota laivos da mesma energia que domina Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist, na saga Millenium, de Stieg Larsson –, bem como a incessante tentativa de descoberta do assassino, fazem o leitor submergir num mundo marcado a tinta. Para encontrar o que procuram, Francis e Marni terão de seguir o rasto da agulha.  

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