"Apeirogon" | Desolação e beleza infinita

Por: Marisa Sousa a 2021-07-06

Colum McCann

Colum McCann

Colum McCann é o autor de 7 romances e 3 antologias de contos. Nascido e criado em Dublin, Irlanda, foi agraciado com várias distinções, incluindo o National Book Award e o International Dublin Impac Prize. Distinguido como Chevalier des Arts et Lettres pelo governo francês e eleito para a Irish Arts Academy, recebeu variados prémios europeus, o 2010 Best Foreign Novel Award, na China, e uma nomeação para os Óscares. Em 2017, foi eleito para a American Academy of Arts. A sua obra está publicada em mais de 40 línguas. É cofundador da organização global e sem fins lucrativos de intercâmbio de histórias, a Narrative 4, e é professor no Hunter College MFA Creative Writing Program. Vive em Nova Iorque com a família.

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“Escondiam-se livros proibidos atrás de prateleiras falsas”: a Bertrand no pré e pós-revolução

Fernando Oliveira era uma “criança” quando começou a trabalhar na Bertrand. A 21 de janeiro de 1973 — tem a data na ponta da língua — era tudo “completamente diferente do que é agora”. Cada ficha de cada livro era feita à mão e até se recorda de ir à estação buscar os livros novos, que vinham pelo correio. Tudo era feito naquela livraria Bertrand, na rua Sacadura Cabral, em Viana do Castelo: “o arquivo, a classificação, o contacto com os fornecedores, com alguns autores também”.

5 coisas surpreendentes que eram proibidas antes do 25 de abril

Para quem não viveu durante este período da História de Portugal, até pode parecer mentira, mas o nosso país era um lugar muito diferente antes de 25 de abril de 1974. Para além das proibições evidentes impostas por um regime ditatorial, como a liberdade de expressão ou de imprensa, havia algumas um pouco mais… fora da caixa. No livro Antes do 25 de abril era proibido, o jornalista António Costa Santos recorda este tempo de restrições em que sentenças como “é proibido”, “não se faz”, “parece mal” ou “é pecado” ditavam as normas e os costumes, muitas vezes com consequências muito sérias para os incumpridores. 

Emílio Rui Vilar — Memórias de Dois Regimes: a edificação democrática contada na primeira pessoa

Emílio Rui Vilar — Memórias de Dois Regimes, editado pela Temas & Debates, revisita a vida do homem que empresta o nome ao título. O livro é uma transcrição de entrevistas que os autores (António Araújo, Pedro Magalhães e Maria Inácia Rezola) fizeram, ao longo de vários meses, a Emílio Rui Vilar, e conta com várias notas bibliográficas de mais de duzentas personalidades, fotografias e documentos que o enriquecem.

Apeirogon: Viagens Infinitas (Porto Editora, 2021) devia trazer instruções de uso para os mais desavisados: sinta este livro. Para percorrer os 1001 capítulos — muitos deles, brevíssimos fragmentos, frases ou imagens — que o compõem, convocamos todos os sentidos e, ainda assim, o que ele nos entrega é infinitamente maior do que aquilo que nos pede. As estatísticas do mundo e as histórias dos outros têm outro peso quando lhes atribuímos um rosto. Nas linhas de Apeirogon pulsa o coração do mundo. “Aqui, a geografia é tudo.” Ler ativamente e vestir a pele do outro é a única forma de fazermos esta cartografia das fronteiras dos homens; de aprender que o outro, apesar de profusamente regado com medo, dor e ódio, pode deixar que lhe cresçam flores no peito.


Bassam Aramin, palestiniano, e Rami Elhanan, israelita, vivem sob o espectro de um conflito que condiciona todas as vidas e ínfimas rotinas, desde as estradas que estão autorizados a percorrer — onde dançam espanta-espíritos feitos de latas de gás lacrimogéneo — até às escolas frequentadas pelas suas filhas, Abir e Smadar, passando pelos inevitáveis postos de controlo, físicos e emocionais, que os mantêm em permanente estado de alerta. As suas vidas mudam irreparavelmente quando Abir (dez anos) é morta por um membro da polícia fronteiriça, junto à escola, e Smadar (treze anos) engrossa a sangrenta e longa lista de vítimas de bombistas suicidas.“Bassam e Rami começaram gradualmente a entender que utilizariam a força da sua dor como uma arma.” Da perda avassaladora nasceu uma amizade movida pela esperança de paz.

 

"Aprendera que a cura para o destino era a paciência."

 

Bassam e Rami, Abir (9 anos) e Smadar (10 anos) | Via Colummccann.com.

 

Partindo das suas experiências na organização sem fins lucrativos Narrative 4, que promove o storytelling como veículo para a paz, ao infundir “empatia radical” entre pessoas oriundas de zonas de conflito, Colum McCann mistura ficção e realidade num “romance-híbrido”, oferecendo-nos um dos livros mais poderosos do ano, onde as generosas pinceladas de arte, história, política e poesia convivem com o relato quase cinematográfico de uma realidade desoladora e, simultaneamente, repleta de esperança. “Quantas vezes, pensou Rami, o banal nos salva.”

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