Pedro Andersson: ‘Antes de investir dinheiro, invista em conhecimento’

Por: Bertrand Livreiros a 2025-09-03

Pedro Andersson

Pedro Andersson

Pedro Andersson nasceu em 1973 e apaixonou-se pelo jornalismo ainda adolescente, na Rádio Clube da Covilhã. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior, e começou a carreira profissional na TSF. Em 2000, foi convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Atualmente, continua na SIC, como jornalista coordenador, e é responsável desde 2011 pela rubrica «Contas-poupança», dedicada às finanças pessoais e líder de audiências no seu horário.
No seu todo, os vários livros publicados na Contraponto (quatro na série Contas-poupança e ainda Ganhar dinheiro – Como criar riqueza com um salário normal e Começa já – Ganhar dinheiro é mais simples do que pensas) já venderam mais de 100 mil exemplares.
Em 2024, venceu os prémios de Influenciador Digital do ano do Prémio Cinco Estrelas, na categoria Negócios, e foi Escolha do Consumidor em 2024 e 2025 na categoria Educação Financeira. Em 2025, foi distinguido pela Euronext Lisbon (Bolsa de Valores portuguesa) pela divulgação da literacia financeira sobre o mercado de capitais.
É autor de um dos podcasts mais ouvidos em Portugal (Contas-poupança) e seguido por mais de 700 mil pessoas no Facebook, Instagram, LinkedIn, YouTube e Tik-Tok.

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Pedro Andersson é jornalista e há mais de uma década dedica-se a ajudar os portugueses a entender melhor o mundo das finanças pessoais. Criador do projeto,  podcast e rúbrica televisiva Contas-poupança, tornou-se uma referência no tema da literacia financeira, descomplicando temas como credito à habitação, renegociação de contratos, investimento e planeamento financeiro a longo termo. A sua missão é simples: tornar acessíveis os conhecimentos que ele próprio gostaria de ter tido antes de enfrentar a sua própria crise financeira.

A 18 de setembro chega às livrarias o novo livro Contas-Poupança - As Melhores Dicas, editado pela Contraponto, onde Andersson reúne aprendizagens práticas e exemplos reais para demostrar que gerir o nosso dinheiro não tem de ser complicado — basta informação, método e pequenas mudanças de hábitos.

Nesta entrevista, o autor partilhou conosco reflexões sobre as maiores fraquezas financeiras dos portugueses, os hábitos que fazem diferença no dia a dia e conselhos para construir uma relação mais saudável com o dinheiro, para que as decisões que tomamos sejam o mais informadas possíveis.


1. Para começar, como surgiu o seu interesse pelo tema das poupanças e da literacia financeira?

Houve um momento muito concreto que me obrigou a abrir os olhos. Durante muitos anos vivi com o que hoje chamo de “felicidade da ignorância”. Era jornalista na TSF, fazia o que gostava, ganhava bem (na altura), a minha mulher também tinha um bom salário como formadora, e sentíamo-nos realizados. Não tínhamos filhos na altura, estávamos a viver o sonho: jovens, empregados, felizes e, achávamos nós, financeiramente estáveis. Mas não poupávamos um cêntimo. Não por irresponsabilidade — era mesmo por desconhecimento.

Nunca ninguém me ensinou a poupar, a pensar no futuro ou a questionar os contratos que assinava. Simplesmente achava que tudo ia sempre correr bem, e que se ganhava X por mês, podia gastar X, porque no mês seguinte entrava outro ordenado. Depois, fui convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. O meu salário aumentou e continuava feliz na minha “ignorância”.

O verdadeiro choque aconteceu em 2008, com a crise financeira. De um mês para o outro, a Euribor disparou, e a prestação do crédito à habitação subiu de forma drástica. Daqui a 3 meses não tinha dinheiro para pagar a prestação da casa ao banco. Foi aí que percebi que andava a viver no fio da navalha. Não tinha fundo de emergência, não tinha qualquer margem de manobra. Fiz algo que nunca tinha feito: fui ao banco pedir ajuda. E com isso aumentaram-me o prazo do crédito. Passei de 40 para 42 anos de empréstimo. A ideia de pagar casa até aos 82 anos pareceu-me aceitável na altura, porque o mais importante era sobreviver financeiramente naquele momento.

Essa crise pessoal foi o meu gatilho. Quando me sentei com a minha mulher para perceber para onde ia o nosso dinheiro, fiquei chocado. Estávamos a desperdiçar centenas de euros por ano por pura desatenção: contratos mal feitos, seguros caros, tarifas de eletricidade desajustadas, telecomunicações que não usávamos. Comecei a renegociar tudo, uma coisa de cada vez, com método. No final de um ano, sem fazer grandes sacrifícios, poupámos cerca de 3.000 euros. Com os mesmos serviços, ou até melhores.

Foi aí que senti que tinha de partilhar aquilo com os outros. Pensei: “Se eu, jornalista, com acesso à informação, não sabia nada disto, como estarão os outros?” Propus ao meu diretor fazer reportagens semanais com dicas práticas de poupança. E assim nasceu o Contas-poupança. De forma muito natural, quase por necessidade, e não como projeto idealizado. Foi mesmo uma consequência direta de uma crise pessoal que me fez acordar.


2. Na sua opinião, quais são os maiores erros que os portugueses cometem quando tentam poupar?

Sem dúvida, o maior erro é viverem apenas para o presente, sem qualquer tipo de planeamento financeiro. Aquela mentalidade muito portuguesa de “depois logo se vê”. É cultural. Crescemos a acreditar que o Estado estará sempre lá, que os pais ou os avós podem ajudar, que as coisas se resolvem de alguma forma. E enquanto tudo corre bem, essa ilusão mantém-se. Só que basta um imprevisto — uma doença, desemprego, a subida de uma taxa — para tudo ruir como um castelo de cartas.

Outro erro gravíssimo é a ignorância generalizada sobre os nossos direitos. As pessoas não sabem que podem mudar de banco, que podem negociar seguros, que têm apoios disponíveis se tiverem uma incapacidade, que podem recuperar IRS de anos anteriores, ou até que certos créditos podem ser renegociados ou transferidos. Este desconhecimento custa milhares de euros às famílias portuguesas todos os anos.

E é um ciclo: como ninguém ensina estas coisas — nem a escola, nem a família, nem o Estado — perpetua-se uma relação passiva com o dinheiro. As pessoas acham que o dinheiro serve para pagar contas e pronto. Trabalham o mês inteiro só para o ver desaparecer em dias. Falta estratégia, falta visão de futuro. E não é por culpa das pessoas. É mesmo por falta de formação e de ferramentas para pensar o dinheiro de outra forma.


3. Consegue dar aos nossos leitores três hábitos simples para quem quer começar a poupar hoje mesmo?

Primeiro, automatize a poupança no próprio dia em que recebe o salário. Agende uma transferência automática para uma “conta-cofre” — por exemplo, 50 €, 100 € ou 10% do ordenado. A disciplina vem da automatização e da regularidade: se transferir 100 € por mês para uma conta, ao fim de 12 meses terá 1.200 €. Se colocar em Certificados de Aforro, por exemplo, ainda acumula juros de 3 em 3 meses. Este passo é a base para construir um fundo de emergência de 3 a 6 meses de despesas.

Segundo, aplique a “regra das 24 horas” a todas as compras não essenciais. Coloque no carrinho e só finalize no dia seguinte, ou volte à loja no dia seguinte. Na prática, a maioria das vontades passa. Se travar apenas duas compras impulsivas de 15 € por semana, poupa cerca de 30 € semanais — o que dá 130 € por mês e 1.560 € por ano — sem sentir grande impacto no dia a dia.

Terceiro, renegocie as despesas fixas pelo menos uma vez por ano — ou hoje, se nunca o fez. Telecomunicações, energia, seguros e subscrições costumam ter “gorduras”. Conseguir 10 € de redução no pacote TV/Net, 10 € na eletricidade e 10 € no seguro soma 30 € por mês, ou 360 € por ano, sem mudar de vida. Aproveite para fazer uma lista de todas as subscrições e pergunte: “uso mesmo?”; é comum haver serviços duplicados.


4. Sabemos que a inflação e o aumento do custo de vida têm impacto direto nas finanças pessoais. Que estratégias aconselha para manter a poupança mesmo em períodos mais difíceis?

O primeiro passo é rever (ou fazer pela primeira vez) o seu orçamento mensal. Sente-se e numa folha de papel coloque todos os seus rendimentos e despesas (mensais e anuais) e veja se o dinheiro que ganha chega para todas as suas despesas atuais (incluindo o aumento dos preços). Se não chegar, por muito que lhe custe, vai ter de cortar despesas que até agora eram “normais” até conseguir ter dinheiro a sobrar ao fim de cada mês. Ou isso, ou vai ter de encontrar formas de aumentar os seus rendimentos.

Faça uma lista de compras antes de ir ao hipermercado, planeie as refeições e nunca vá às compras com fome.

Renegoceie todos os contratos e anule sem piedade tudo o que não for essencial para a sua vida.

Sempre que reduzir uma despesa, faça uma ordem de transferência automática mensal no seu banco no valor respetivo e verá a sua poupança crescer como nunca imaginou.

Ter uma margem de poupança todos os meses (ou o pagarmo-nos a nós próprios primeiro) é o que nos vai permitir ter um Fundo de Emergência (6 a 12 meses de todas as nossas despesas) para ter uma rede em caso de entrarmos em dificuldades financeiras. É igualmente importante renegociar todos os nossos contratos - um a um - sem perder a nossa qualidade de vida.


5. Existem pequenas despesas do dia a dia que passam despercebidas a muitas pessoas. Como identificar esses “gastos invisíveis” de forma acessível?

Muitas pessoas só pensam em renegociar contratos quando percebem que estão a ter dificuldade em pagar as contas. A minha dica é fazer isso regularmente (pelo menos de 6 em 6 meses) para que esteja sempre a pagar o menos possível por tudo aquilo que quer e precisa. Assim, nunca tem de escolher à pressa uma nova empresa porque já recebeu uma fatura gigante para pagar. O meu objetivo sempre é nunca receber nenhuma fatura dessas que são assustadoras. Ajo sempre por prevenção e não por reação. Serei sempre cliente da empresa que me fizer mais barato. Sou eu que as procuro e não elas a mim.

Olhe para o extrato bancário e veja, linha a linha, quais são todas as suas despesas mensais e anuais. Some tudo e assuste-se. Depois do susto, vem a solução.


6. Poupar para a casa própria é cada vez mais um desafio, sobretudo para jovens. Que conselhos dá a quem quer juntar dinheiro para comprar uma habitação?

Durante muito tempo, a narrativa dominante em Portugal foi: “Mais vale comprar do que estar a deitar dinheiro fora a pagar renda.” E eu próprio cresci com essa ideia. Mas hoje vejo as coisas de outra maneira.

Comprar casa pode ser uma excelente decisão se houver estabilidade — profissional, pessoal e financeira. É um investimento que, bem feito, pode dar segurança para o futuro. Mas também é um compromisso enorme. Um crédito a 30 ou 40 anos é uma espécie de casamento financeiro com o banco, e isso tem consequências.

Arrendar, por outro lado, pode ser uma escolha inteligente em certas fases da vida. Dá flexibilidade, permite mudar de cidade ou de país com mais facilidade, e obriga a menos encargos iniciais. Mas não há acumulação de património.

O que é essencial é fazer contas. Não apenas comparar prestações com rendas, mas considerar todos os custos: impostos, seguros, manutenção, taxas, juros. E mais importante ainda: perceber se aquele compromisso financeiro nos deixa margem para viver. Porque não vale a pena ter casa própria se depois não conseguimos pagar um jantar fora ou umas férias com os filhos.

Este é um dos erros mais comuns dos portugueses: comprarem uma casa muito cedo, acima das suas possibilidades financeiras. A primeira casa tem de ser logo a casa dos seus sonhos. O que acontece muitas vezes é que a casa dos sonhos torna-se rapidamente um pesadelo para a vida inteira porque deixa de sobrar dinheiro para serem felizes durante décadas.

Junta o máximo possível enquanto está em casa dos teus pais para dares a maior entrada possível, e amortiza nos primeiros anos o máximo que puderes. Procura o melhor spread/juro logo desde o início, mesmo que seja num banco que não conhecem bem. E negoceia bem o seguro de vida, de preferência fora do banco.


7. E quanto à reforma? Qual a importância de começar a poupar cedo e que estratégias recomenda a um jovem para preparar o futuro?

Começar cedo é meio caminho andado para uma reforma tranquila por causa dos juros compostos. Um único investimento de 10.000 € a crescer 6%/ano durante 40 anos pode tornar-se 102.000 €. E nas contribuições mensais o efeito é ainda mais visível: começando com 1.000 € e juntando 100 €/mês a 6%/ano durante 40 anos acumulam 191.000 € (48.000 € de capital + 143.000 € de crescimento). Se adiar 10 anos e poupar só durante 30 anos, o mesmo esforço (100 €/mês) resulta em 97.000 €. Ou seja, começar aos 22 em vez dos 32 pode mais que duplicar o resultado. Estes números são estimativas brutas e servem para ilustrar o poder do tempo.

Para um jovem, a estratégia prática começa por construir um fundo de emergência (6 a 12 meses de despesas) e automatizar a poupança no dia do salário, com 10–20% do rendimento. Depois, investir regularmente (DCA) em produtos de baixo custo e diversificados — por exemplo, um PPR com comissões baixas ou ETFs globais de acumulação — alinhando a carteira ao horizonte de longo prazo (maior peso em ações quando jovem e, gradualmente, mais obrigações mais perto da reforma).

Com tempo, disciplina e custos baixos, pequenas quantias hoje transformam-se em liberdade financeira amanhã.


8. Para famílias com filhos, quais são as melhores formas de ensinar as crianças a gerir e poupar dinheiro desde cedo?

Começar cedo e com previsibilidade. Dos 2 aos 5 anos, use jogos e brincadeiras para explicar que o dinheiro é um meio de troca; até aos 5, dê uma “mesada simbólica” (moedas e notas esporádicas) só para mexer, contar e reconhecer valores. A partir dos 6 anos, introduza uma semanada/mesada educativa com regras claras: por exemplo, 1 € por cada ano de idade (ou metade, se for muito para a sua realidade) e um dia fixo de “pagamento”. Envolva-os nas compras com uma lista e “missões” (um filho compara preços do arroz, outro dos cereais). Esta previsibilidade reduz birras e cria rotinas financeiras.

Uma educadora financeira especializada em crianças, a Cristina Judas, ensinou-me a técnica dos “3 cofrinhos + 1” para dar propósito ao dinheiro: (1) gastos do dia a dia (um gelado), (2) sonhos (um brinquedo maior), (3) “tesouro” para investir (aprender a fazer o dinheiro trabalhar) e (4) doação (generosidade). Em vez de dizer “não tenho dinheiro”, transforme pedidos em aprendizagem: “Hoje não estamos preparados para esta compra; vamos juntar e decidir quando comprar — queres ajudar?”.

Não pague tarefas domésticas nem boas notas: fazem parte da responsabilidade familiar. Se gastarem tudo e não chegarem ao objetivo, não cubra a diferença — a frustração, em ambiente seguro, é uma aula valiosa sobre escolhas.

Introduza juros compostos com exemplos simples. Diga: “Se poupares 1 € por mês e esse dinheiro render 3%/ano, ao fim de 12 meses terás 13 € — mais do que só por esperar.” E mostre metas concretas: 2 € por semana dão 104 € num ano para um “sonho”.

Se quiser ir mais além, use Certificados de Aforro ou simuladores online para ver a evolução no tempo. Acima de tudo, seja exemplo: poupar, planear e investir fala mais alto do que qualquer discurso. Comece hoje: arranje quatro cofrinhos, defina montantes e regras, faça a lista de compras em família. Falar de dinheiro sem tabus é uma prova de amor — e nunca é tarde para começar.


9. No que diz respeito a investimentos. Que critérios devem guiar a decisão entre investir o dinheiro ou deixá-lo numa poupança?

Começa-se por aprender. Não há volta a dar. Ninguém deve investir um euro sem perceber onde está a meter-se. Felizmente, hoje há muito conteúdo acessível: livros, vídeos, podcasts — e tudo gratuito. O primeiro passo é mesmo dedicar tempo a perceber o que é o fundo de emergência, os juros compostos, o que é o risco, a diferença entre ações e obrigações, o que são ETFs, como funcionam os impostos sobre os rendimentos de capitais, e por aí fora.

Depois, é fundamental ter o básico resolvido: fundo de emergência feito, dívidas controladas, orçamento equilibrado. Aconselho as pessoas a lerem o meu livro Ganhar Dinheiro com os 5 passos fundamentais para que tudo corra bem à primeira. Só a seguir é que faz sentido pensar em investir.

E mesmo aí, deve-se começar com pouco. Eu gosto da ideia de começar com 100 euros, só para ganhar confiança e perceber como funciona. Os ETFs são uma boa porta de entrada: produtos simples, diversificados, com custos baixos. Mas não é receita para todos. Cada pessoa tem o seu perfil e os seus objetivos.

Acima de tudo, não se trata de “ficar rico”. Trata-se de proteger o futuro, criar alternativas, ganhar autonomia. E isso só se consegue com conhecimento. Por isso, o meu conselho é este: antes de investir dinheiro, invista em conhecimento. Dá muito mais retorno.


10. Por fim, qual é a sua dica de ouro para quem quer ter uma vida financeira mais tranquila e equilibrada?

A minha dica de ouro é simples: pague-se primeiro e automatize. No dia em que recebe, faça um débito direto para três “baldes”: 1) fundo de emergência até 6-12 meses de despesas; 2) objetivos de 1–5 anos (viagens, formação, entrada de casa) em produtos conservadores; 3) longo prazo (reforma) em investimentos diversificados e de baixo custo.

Para facilitar, torne o “bom comportamento” o padrão: automatize poupança e investimento, indexe cada aumento de salário a +1 ponto percentual na taxa de poupança, e pague sempre o cartão de crédito a 100% (evite dívidas caras). Reveja uma vez por ano todos os custos (energia, telecomunicações, seguros) e realinhe a carteira de investimentos à sua idade e objetivos.

Se fizer só isto — automatizar, manter custos baixos e ser consistente — já estará a construir uma vida financeira mais tranquila e equilibrada sem depender de força de vontade diária. Deixe de ser o seu principal inimigo e torne-se o maior amigo da sua carteira!

 

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