Afonso Reis Cabral: "Os escritores têm de fazer doer o que escrevem"

Por: Marisa Sousa a 2020-06-29

Afonso Reis Cabral

Afonso Reis Cabral

Afonso Reis Cabral nasceu em 1990. Aos quinze anos publicou o livro de poesia Condensação. É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos, fez mestrado na mesma área e tem uma pós-graduação em Escrita de Ficção. Foi duas vezes à Alemanha de camião TIR em busca de uma história, a primeira das quais aos treze anos. Trabalhou numa vacaria, num escritório de turismo e num alfarrabista. Em 2014, ganhou o Prémio LeYa com o romance O Meu Irmão, que se encontra em tradução em Espanha e já foi publicado no Brasil e em Itália. Tem contribuído com dezenas de textos para as mais variadas publicações. Em 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Europa David Mourão-Ferreira na categoria de Promessa, e em 2018 o Prémio Novos na categoria de Literatura. No final de 2018, publicou o seu segundo romance, Pão de Açúcar, com forte acolhimento por parte da crítica. Entre Abril e Maio de 2019, percorreu Portugal a pé ao longo dos 738,5 quilómetros da Estrada Nacional 2, tendo registado essa viagem no livro Leva-me Contigo. Trabalha actualmente como editor freelancer. Nos tempos livres, dedica-se à ornitologia, faz Scuba Diving e pratica boxe.

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Nasceu a 15 de dezembro de 1965, na Madeira, e teve no mar a sua escola do espanto. A escrita começou como um estranhamento e é da Bíblia ("um grande poema”) que nasce o seu amor pela literatura, essa escola de sabedoria. Investido cardeal em finais de 2019, o "Bibliotecário de Deus e dos Homens”, como já foi apelidado, foi eleito pelo Papa Francisco para ser o guardião do mais vasto arquivo do saber, o grande arquivo do Vaticano. Vê na poesia um lugar de inevitabilidades e gosta de citar Beckett ("falhar, falhar mais, falhar melhor”), para sublinhar a importância da arte de falhar, de esculpir, tirar camadas, para cada vez mais chegar ao osso, ao essencial. No seu novo livro, Rezar de Olhos Abertos (Quetzal) defende que a oração, mais do que um assunto privado, é um problema político, um assunto de conversa para todos. José Tolentino Mendonça, o cardeal poeta, no presente indicativo do verbo viver.

A conversa decorreu no Café Bertrand do Chiado, sob o olhar de Fernando Pessoa, eternizado no mural que é já um cartão-de-visita deste espaço — o mesmo poeta que Afonso lia aos nove anos e que, instigado pelo deslumbramento, tentava entender. No início da conversa, somos gentilmente interrompidos por um casal espanhol que pretende um autógrafo no exemplar de Pão de Açúcar, acabado de comprar. Afonso acede e engana-se na data, escreve a data do dia seguinte. “Estou sempre no futuro”, brinca. Se a sua vida tivesse uma banda sonora, seria cantada por José Mário Branco, assegura.


 

Qual é a primeira memória que tem relacionada com livros?

Há duas memórias, uma é de um livro que me ofereceram, em inglês — eu não percebia nada —, um livrinho ilustrado, pequeno, sobre répteis. Ainda tenho esse livro guardado. Eu teria dois, três, quatro anos, no máximo. Foi muito misterioso para mim ter aquele livro. Outra memória, que penso que será mais ou menos da mesma altura, é da minha irmã — uma das minhas irmãs, porque eu tenho quatro — a ler na cozinha. Estava muito compenetrada e parecia-me que ela se despejava para cima do livro, ou que desaparecia na leitura, e que, embora estivesse ali, ao mesmo tempo, de facto, não estava. Talvez essas duas memórias sejam as mais marcantes. E, claro, a memória de haver sempre livros em casa e de os meus pais serem grandes leitores. Era muito simples chegar aos livros.

 

Começou a escrever muito cedo e teve sempre essa determinação de que era isso que queria fazer. Nunca quis ser astronauta, jogador de futebol…? Não havia um plano B?

Eu não gosto de futebol. No colégio, jogava pessimamente e os meus amigos jogavam todos bem. Portanto, só se fosse masoquista é que sonharia ser jogador de futebol (risos). Mas nunca me passou pela cabeça outra coisa senão a escrita. Claro que tinha, dentro da mesma área, uma alternativa profissional, que era a edição — que, aliás, ainda hoje mantenho: sou editor da Imprensa Nacional, em regime de freelancer. Trabalho desde os 18 anos nessa área: primeiro, como revisor, também em modo freelancer, e em editoras, como editor. Nunca me vi a fazer mais nada exceto escrever.

 

E aquela noção de urgência, que costuma referir que sentia — a sensação de que já estava atrasado para a escrita aos 13, 14 anos?

Na verdade, era um sinal de imaturidade. Comecei a escrever poesia e queria publicar um livro. A poesia que escrevia era muito baseada nas minhas leituras e refletia uma angústia da infância, as saudades da infância — que é uma coisa absurda para quem está na infância (risos). Eram coisas que eu lia, por exemplo, em Fernando Pessoa. Frequentava muito a Biblioteca Almeida Garrett e tenho várias memórias, na biblioteca. Sentia que era muito importante, para mim, publicar um livro. Há uma memória muito clara, de uma tarde na biblioteca, de estar num certo desamparo por não ter conseguido ainda publicar um livro. Mas é, de facto, um sinal de imaturidade; eu tinha 13 anos ou 14, no máximo. Havia uma urgência e havia quase uma falta. Sinto muitas vezes que estou em falta — mas isso é um traço da minha personalidade.

 

Começou a ler Pessoa com que idade?

Nove, dez anos.

 

E o facto de escrever poesia aos nove anos era inocência ou era já uma ousadia enorme?

Na verdade, nunca pensei na minha escrita, em nenhum aspeto, ou em nenhuma fase da minha escrita, como uma ousadia; era muito natural. Eu comecei a escrever em outubro de 1999, na altura em que morreu a Amália. Como há muita tradição de leitura na minha família, sempre estive em casa na escrita. Não posso interpretar isso como uma ousadia, era muito natural. Houve alguns momentos, sim, em que foi preciso uma certa afirmação. Até aos 14 anos, estive num colégio só para rapazes — e, convenhamos, andar constantemente com uma pasta com poemas, num colégio só para rapazes, foi, nalguns casos, problemático. Aí, sim, era preciso lutar um pouco pela minha vocação.

 

Voltando a Fernando Pessoa, que lia com nove anos…

Achava aquilo misterioso, era um processo de descoberta, um processo de deslumbramento. Também ouvia o João Villaret a declamar Fernando Pessoa, num leitor de CD, porque a minha avó gostava imenso de João Villaret. Ainda hoje sei muitos poemas de cor por causa disso.

 

Qual é o seu preferido?

A Tabacaria, sem dúvida. O Menino de Sua Mãe, também, o Opiário, a Ode Triunfal, a Ode Marítima…, mas A Tabacaria, em particular.

 

Estava em construção o escritor. Que escritores e obras tiveram uma influência determinante nesse processo?

É muito difícil responder a essa pergunta porque não há um plano, não há um esquema em relação ao qual eu me defina. Isso seria assumir que as leituras que eu faço são estruturadas e são pensadas segundo essa lógica. Há algumas leituras que são: quando estou a escrever um livro, procuro livros de uma temática parecida ou livros que tenham ambientes que possam ajudar à minha própria escrita. Um autor que sempre me marcou e continua a marcar – e é transversal – é o John Steinbeck. Sem dúvida alguma. Não só pela escrita, como também pela pessoa. Tenho um certo fascínio pelo Steinbeck. E li o A Leste do Paraíso com 12, 13 anos. É uma obra-prima.

 

Disse que uma pessoa, quando quer escrever, fá-lo contra tudo.

A escrita faz-se contra ideias feitas, contra as próprias inseguranças, contra histórias demasiado duras, contra mal-entendidos e, sobretudo, faz-se contra o leitor, de certa maneira. Quem escreve, não pode ter em conta o leitor quando está a escrever.

 

O Afonso não tinha a noção do leitor?

Não, não tinha. O Meu Irmão tem uma certa pureza… Tem muitos defeitos: o livro estende-se demasiado, por vezes, e devia estar mais controlado, em certos aspetos; mas tem uma certa pureza de escrita, porque não escrevia para ninguém. Depois, foi preciso retomar essa pureza, foi preciso reencontrá-la. O livro saiu com o Prémio LeYa, foi muito lido — e continua a ser — e descobri o leitor, descobri milhares de cabeças, e cada uma tem a sua chave de leitura; isso é normal, mas eu não fazia a mínima ideia de como é que isso era. Depois de O Meu Irmão, sim, foi preciso redescobrir essa pureza da escrita e foi preciso descobrir que conseguia — ou que continuava a conseguir — escrever sozinho.

 

Consegue manter essa pureza à medida que vai publicando mais livros e que vai estando mais exposto?

Até agora sim, mas é um combate. A escrita é sempre um ato solitário, mas saber que o livro vai ser publicado, que vai ter leitores, que vai ser criticado, que vai entrar num sistema… que é preciso, de certa maneira, dar a cara por ele, que é preciso, hoje em dia, fazer um bocado de escritor caixeiro-viajante e estar exposto… manter a pureza, apesar disso, é um combate. Mas eu, até agora, tenho conseguido.

 

Também disse que todos os escritores têm de escrever sobre o que lhes dói.

Eu acho que agora reformulava a frase: têm de fazer doer o que escrevem. O Meu Irmão é um livro que se inspira numa realidade que eu conheço — porque tenho um irmão, cinco anos mais novo, com síndrome de Down —, por isso é natural que essa realidade me doesse e me confrontasse. Por doer entenda-se confrontar, entenda-se ser próxima e, portanto, poder ser trabalhada. No Pão de Açúcar, de maneira nenhuma; quer pela condição da Gisberta, quer pela condição dos rapazes… para mim, era tudo muito estrangeiro e não me doía, não me confrontava. Mas acabou por me confrontar e por me doer porque a história é minha, porque a literatura torna a história nossa.

 

Sente que as personagens dos seus livros vivem consigo ou, depois da obra acabada, há um distanciamento?

Durante a escrita, sim.

 

Depois não?

Depois vão desaparecendo, necessariamente. Não podemos estar sempre com o coração na boca, não é? E quem diz em relação à escrita, diz em relação a tantas coisas na vida que nada têm que ver com a escrita. Coisas extraordinárias que pensamos para o nosso futuro, ou que sonhamos, e, quando acontecem, empolgam, enchem o peito; depois caem na normalidade. As mesmas personagens mantêm-me o coração na boca enquanto estou a escrever, mas mais tarde vão sendo silenciadas.

 

Referia, há pouco, o facto de O Meu Irmão ser um livro, ainda assim, com algumas falhas.

Hoje em dia, acho que, se calhar, tirava algumas páginas.

 

Costuma fazer esse exercício e pensar que, agora, faria diferente?

Necessariamente, se assumir que a escrita evolui — espero que evolua —, se olho para livros que publiquei há algum tempo, apetece-me mexer. Mas é preciso respeitar o próprio trabalho. Tenho a certeza de que foi o melhor que eu consegui fazer na altura. Não tenho qualquer dúvida disso.

 

Neste momento, com qual das suas obras se identifica mais?

Do ponto de vista de transparecer mais a minha personalidade, é com o Leva-me Contigo, porque é um relato mais intimista da viagem que fiz a pé pela Nacional 2.

 

Pode falar-se de uma experiência transformadora?

Aí não há um crivo literário… É, com certeza, literário, espero que sim, mas não há um crivo de jogo literário. Transparece muito o meu estado de espírito durante a viagem, as pessoas com quem me encontrei… É, por excelência, não ficcional. Do ponto de vista literário, identifico-me mais com o Pão de Açúcar. Mas também já estou a escrever o próximo livro e a escrita continua a evoluir de outras maneiras, portanto…

 

E o que é que nos pode dizer sobre o novo livro?

Nada. Nada.

 

Acaba, quase sempre, por desmistificar um pouco o processo da escrita. Tem alguma mania ou alguma rotina?

Tenho uma rotina de escrita das nove às seis da tarde, no escritório. Uma coisa que me ajuda muito é, à hora do almoço, ir dar um passeio num parque próximo, para desentorpecer as pernas e a cabeça. E, muitas vezes, à noite também. Mas acho que não tenho manias ou rituais. Talvez devesse ter, porque podiam ajudar.

 

Diz ser uma pessoa insegura: entretanto, já recebeu dois dos grandes prémios literários. Neste momento, a fasquia está muito elevada?

Já não penso nisso. Alguns meses depois do Prémio Leya, e de sair O Meu Irmão, isso pesou e acanhou-me um bocado. Mas agora já não, porque saiu o Pão de Açúcar e o Prémio Saramago veio num contexto muito diferente; o livro já estava publicado havia um ano, já tinha tido a sua receção pelos leitores, eu já estava a fazer outras coisas — aliás, publiquei o Leva-me Contigo um mês antes do Prémio Saramago — e, portanto, a vida já tinha avançado. A única responsabilidade que eu sinto é para comigo, mais nada. Se me sentir satisfeito com o que estou a fazer, isso é o que interessa.

 

Agora não há aquela expectativa de que este próximo tem de ser…

Não. Eu espero que seja melhor do que os outros; se não for, paciência. Que mal vem ao mundo por isso?

 

Qual foi o melhor comentário ou a melhor crítica que fizeram a um trabalho seu?

É difícil dizer porque há muitas coisas que me passam ao lado, mas houve, há uns tempos, uma senhora, no Facebook, que disse que tinha acabado de ler o Leva-me Contigo e completou dizendo “Quando for velhinha quero continuar a ler livros teus”. Achei bonito.

 

Qual foi a primeira coisa que lhe passou pela cabeça quando anunciaram o Prémio Leya?

Na verdade, é difícil dizer a primeira coisa que me passou pela cabeça, porque o que aconteceu foi uma descarga de adrenalina brutal. Foi uma reação muito animal, de adrenalina pura e de explosão. Isso não é traduzível em pensamentos, é uma emoção. Houve o telefonema do Manuel Alegre e eu tinha de responder a algumas perguntas, nomeadamente a minha idade e o meu nome, e eu não sabia responder (risos).

 

Bloqueou?

Bloqueei. Depois, justamente para acalmar a adrenalina, saí; estava numa editora, na altura, que ficava na Rua do Século, e saí para a rua e fui correr a Rua do Século toda até ficar sem energia nenhuma. A minha reação foi essa. Não me passou nada em particular pela cabeça, exceto esse instinto animal.

 

E teve a mesma reação com o Prémio Saramago?

Desatei a rir, penso eu. Foi diferente. Embora as idades não sejam assim tão diferentes, a experiência de vida já era diferente. O contexto também é completamente diferente. Foi uma reação mais calma, mas também estava na rua e desatei a andar mais rápido e a rir — a rir de atrapalhado e de satisfeito, ao mesmo tempo.

 

É curioso falar em correr, em andar mais rápido… aos 13 e aos 25 viajou, à boleia, num camião TIR, viveu a experiência na EN2. É como se tivesse constantemente essa necessidade de…

De ir para a frente (risos).

 

De ir para a frente e continuar a caminhar, não é?

Lá está, o tempo… Eu sou ansioso. Uma pessoa ansiosa, por natureza, vive do futuro; senão, não se justificaria a ansiedade. Acho sempre que está alguma coisa por acontecer.

 

Algo melhor?

Não necessariamente (risos). Sinto sempre que há alguma coisa que tenho de descobrir; eu estou quase a parafrasear a música do José Mário Branco, Inquietação. Identifico-me muito com essa música. Quando ando, essa busca do que está para acontecer ou por descobrir — pode ser só descobrir em mim e nos meus pensamentos —, é facilitada fico menos ansioso. Também pratico boxe, o que me ajuda a libertar.

 

Queria voltar ao Pão de Açúcar, que, depreendo, teve um processo de escrita diferente, porque exigiu investigação… O que é que aprendeu?

Se bem que O Meu Irmão também tenha exigido investigação. No caso do Pão de Açúcar, o processo foi muito diferente, muito diferente. Aprendi que a ficção e a literatura abraçam tudo e transformam tudo. Por muito que o livro seja baseado num caso real, não é um caso real; é um livro, é aquele livro, é aquela literatura e aquela ficção. A literatura, de facto, transforma.

 

O Leva-me Contigo foi uma experiência muito introspetiva.

Sim, o objetivo da caminhada pela Nacional 2 foi fazer um exame de consciência.

 

E com essa experiência aprendeu mais sobre si ou sobre nós?

Lamentavelmente, quem está a caminhar a uma média de 30 km por dia não tem assim tanto tempo para pensar. A gestão do corpo ocupa muito espaço; o cérebro ocupa-se muito a aguentar. Tentei fazer um exame de consciência — e fiz —, mas achava que ia ter mais tempo para isso. O que fica mais da viagem são os outros, os amigos que fiz na Nacional 2, as pessoas que descobri, e constatar, no corpo, que somos um povo muito solidário. Eu tinha ideia disso, mas foi uma confirmação cabal.

 

As estatísticas dizem que, em 2019, cada português comprou, em média, um livro. Como é que um escritor vê estes números?

Eu acho que se lê muito, mas lê-se muito pouca literatura. Ou seja, uma certa necessidade de ficção que nós temos, como seres humanos, está a ser desviada para as séries da Netflix, para filmes, para outros exercícios culturais que talvez sejam mais passivos do que a literatura. Não se pode nunca da utilidade da literatura — isso é estúpido —, mas se há alguma utilidade, é a de descobrirmos o outro e de, com a leitura, nos pormos no lugar do outro.

 

O que é que anda a ler neste momento?

Estou a acabar de ler o segundo e último romance do Leonard Cohen: Belos Vencidos. Gostei muito do primeiro — eu sou um admirador do Leonard Cohen, como poeta e cantor —, mas ainda não tinha descoberto o Leonard Cohen romancista.

 

O que é que está ainda por fazer?

Para já, escrever o próximo livro (risos). E mais não posso pedir.

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