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Raquel Serejo Martins (1974) é economista, vegetariana, dançava flamenco, agora estuda violoncelo, tem três gatos, vive em Lisboa. Todos os dias ouve uma canção do Sinatra, do Sabina ou do Buarque. Todos os dias lê pelo menos um poema. Tem em papel dois romances: A Solidão dos Inconstantes (2009) e Pretérito Perfeito (2013), seis livros de poesia: Aves de Incêndio (2016), Subúrbios de Veneza (2017), Os Invencíveis (2018), Plantas de Interior (2019), Silêncio Sálico (2020) e Valsa a Vau (2021), e uma peça de teatro: Preferia estar em Filadélfia (2019). Já escreveu duas canções. Abrimos Valsa a Vau e este foi o poema que nos escolheu.
Para António Ramos Rosa, a poesia de Al Berto era com um "grito de fragilidade extrema e irredutível do ser humano, do seu desamparado infinito, da sua revolta absoluta e sem esperança". Poeta e editor português, de nome completo Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de Janeiro de 1948, em Coimbra, e faleceu a 13 de Junho de 1997, em Lisboa
Poetisa, mulher de letras polaca, Prémio Nobel da Literatura em 1996, Wislawa Szymborska nasceu em Bnin, nas cercanias de Kornik, em 1923. “Eu sou antiquada e penso que ler livros é o passatempo mais glorioso que a humanidade alguma vez inventou.”, chegou, um dia, a confessar. Nós também somos antiquados e fervorosos praticantes deste passatempo glorioso. Hoje lemos, e relemos, o seu poema “Possibilidades” e, assumidamente, preferimos “o ridículo de escrever poemas ao ridículo de não os escrever”.
Nasceu a 15 de dezembro de 1965, na Madeira, e teve no mar a sua escola do espanto. A escrita começou como um estranhamento e é da Bíblia ("um grande poema”) que nasce o seu amor pela literatura, essa escola de sabedoria. Investido cardeal em finais de 2019, o "Bibliotecário de Deus e dos Homens”, como já foi apelidado, foi eleito pelo Papa Francisco para ser o guardião do mais vasto arquivo do saber, o grande arquivo do Vaticano. Vê na poesia um lugar de inevitabilidades e gosta de citar Beckett ("falhar, falhar mais, falhar melhor”), para sublinhar a importância da arte de falhar, de esculpir, tirar camadas, para cada vez mais chegar ao osso, ao essencial. José Tolentino Mendonça está hoje de parabéns.
Decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do Surrealismo português e europeu, Artur do Cruzeiro Seixas nasceu em 3 de dezembro de 1920. No seu longo percurso artístico, conta com uma fase expressionista, outra neorrealista e outra, com início no final dos anos 40, mais prolongada, em que integra o movimento Surrealista Português, ao lado de Mário Cesariny, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Pedro Oom ou Mário Henrique Leiria. Foi um dos seus precursores e atualmente é considerado um dos seus máximos expoentes. No dia em que celebraria 101 anos, recordamos a sua poesia.
Se fosse vivo, Herberto Helder (1930-2005) completaria hoje 91 anos. Considerado um dos mais importantes autores portugueses, a vida do poeta que procurava dizer “como tudo é outra coisa” permanece, em grande parte, envolta em mistério. Controverso, impossível de categorizar e, sobretudo, muito respeitado pelos seus pares e leitores, o autor manteve, ao longo da sua vida, uma grande distância da atenção mediática, tendo mesmo recusado o Prémio Pessoa, em 1994. Deste modo, conhecer Herberto Helder é possível, essencialmente, a partir da leitura da sua obra; conhecemos não o homem mas o poeta, essa criatura “mais mortal do que os outros animais”.
Para Manoel de Barros, um dos mais aclamados poetas brasileiros de sempre, a poesia era uma “voz de fazer nascimentos”. Apesar de ter escrito o seu primeiro livro de poemas aos 19 anos de idade (Poemas Concebidos sem Pecado), só ficou conhecido aos 64, quando Millôr Fernandes o descobriu e divulgou. A partir daí, levaria a literatura brasileira a atravessar o oceano, valendo-lhe a comparação a Guimarães Rosa, enquanto figura de proa do panorama literário do seu país.
Revisitando a reunião de Poemas, levada a cabo em 1996, a Assírio & Alvim faz agora chegar às livrarias uma nova edição revista dos poemas publicados por António Franco Alexandre posteriores a essa data (Quatro Caprichos, Uma Fábula, «Aniversário», Duende e Aracne) e um conjunto de inéditos com o título «Carrocel». António Franco Alexandre fez os seus estudos académicos nas áreas de Matemática e Filosofia em França e nos EUA. Após o seu regresso a Portugal, em 1975, é convidado para professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou até meados de 2009. Embora se tenha estreado como poeta ainda na década de sessenta, é sobretudo a partir da publicação de Sem Palavras nem Coisas (1974) que a sua obra se afirmou. Partilhamos consigo três poemas desta voz incontornável no nosso panorama literário.
Poetisa e ficcionista, Hélia Correia é reconhecida, principalmente, como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980. Contudo, mesmo nos seus contos, novelas ou romances, é o discurso poético que prevalece. Recentemente, este valeu-lhe o Prémio P.E.N. Clube na categoria Poesia, com o livro Acidentes. Faz parte deste livro o poema que partilhamos hoje convosco.
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