Três Poemas de João Luís Barreto Guimarães

Por: Bertrand Livreiros a 2022-06-03 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

João Luís Barreto Guimarães

João Luís Barreto Guimarães

Além de poeta e tradutor, João Luís Barreto Guimarães, que nasceu no Porto em junho de 1967, é médico, professor de poesia no ICBAS/Universidade do Porto, e publicou o primeiro livro de poemas, Há Violinos na Tribo, em 1989. Depois desse, seguiram-se Rua Trinta e Um de Fevereiro (1991), Este Lado para Cima (1994), Lugares Comuns (2000), 3 (poesia 1987-1994), em 2001, Rés-do-Chão (2003), Luz Última (2006) e A Parte pelo Todo (2009).

Seguiram-se na Quetzal Editores, Poesia Reunida de 2011; Você está Aqui (2013), traduzido em Itália; Mediterrâneo (2016) distinguido com o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa e publicado em Espanha, Itália, França, Polónia e Egipto; Nómada (2018) distinguido com o Prémio Livro de Poesia do Ano Bertrand e com o Prémio Literário Armando da Silva Carvalho, publicado também em Itália; a antologia O Tempo Avança por Sílabas (2019), editada também na Croácia, Macedónia e Brasil; e Movimento (2020). Finalista do Premio Internazionale Camaiori, em Itália, com Mediterraneo, em 2019, e Nomade, em 2020, recebeu o Willow Run Poetry Book Award 2020, nos EUA, com Mediterranean.

Está representado em antologias e revistas literárias de Portugal, Espanha (castelhano e catalão), França, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Alemanha, Áustria, Itália, Hungria, Bulgária, Roménia, Eslovénia, Sérvia, Croácia, Montenegro, Macedónia, México, Uruguai, Chile, República Dominicana, Estados Unidos, Canadá e Brasil. Leu a sua poesia no México, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Croácia. Recebeu o Prémio Criatividade Nações Unidas em 1992. Além da Medicina, divide o seu tempo entre o Porto (frente ao rio) e Venade (no coração da serra, perto de Caminha, Alto Minho).

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Embora dedique a rotina dos seus dias à prática da medicina, é nas horas vagas que João Luís Barreto Guimarães se distingue como tradutor e poeta. Nascido no Porto em 1967, publicou o seu primeiro livro de poemas em 1989 (Há violinos na tribo), tendo já dezenas de livros publicados atualmente. Para além de ter recebido o Prémio Criatividade Nações Unidas em 1992, e o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, foi ainda o vencedor do Prémio Livro de Poesia do Ano Bertrand 2018 com o livro Nómada - a escolha dos nossos livreiros e leitores e foi o primeiro autor não americano a ser reconhecido com o prémio Willow Run Poetry Book Award, pelo livro Mediterrâneo. A propósito do seu aniversário, celebrado hoje, 3 de junho, partilhamos três dos seus poemas.


Sentar-me e
ver os outros passar é o
meu exercício favorito. Entretém.
Não esgota.
É gratuito. Neste meu jogo-do-não
são os outros que passam
(é aos outros que reservo a tarefa
de passar). Lavo daí os pés.
Escrevo de dentro da vida.
Pode até parecer que assim não
chego a lugar algum mas também quem
é que quer ir
ao sítio dos outros?

in Luz Última

 

***
 

O casal da mesa do lado tocou nas palavras durante o 
pequeno-almoço. Cumpriu-o indiferente sem incomodar o silêncio, 
sem ter provado sequer uma curta vez que fosse do dissabor das 
palavras.
O casal da mesa do lado já deve ter dito tudo.

in Poesia Reunida (Quetzal)

 

***


Só o amor pára o tempo (só
ele detém a voragem)
rasgámos cidades a meio
(cruzámos rios e lagos)
disponíveis para lugares com nomes
impronunciáveis. É preciso conhecer os mapas mais ao acaso
(jamais evitar fronteiras
nunca ficar para trás)
tudo nos deve assombrar como
neve
em Abril. Só o amor pára o tempo só 
nele perdura o enigma
(lançar pedras sem forma e o lago
devolver círculos).

in Nómada

Opinião dos leitores

observador
Inalma | 23-06-2022
se tivesse de dar um nome aos três poemas. e de facto assim o é o escritor, em geral. A nossa inspiração vem do que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos, tocamos, gostei do 'neve em abril', pensei: «Há quanto tempo não vejo a neve em Abril?» se é que alguma vez vi, isto por causa do amor e questionando-me acerca de 'há quantos dias não acordo feliz'? Também escrevo, ainda não tive coragem de postar, faço.o de forma autobiográfica, terapêutica e só lamento ter rasgado e perdido tantos poemas que escrevi quando era adolescente que afinal, vejo agora, foi a escrita que me salvou. Um caminho, do qual ainda não saí nem quero. Imagino-o sentado num banco de jardim a escrever no seu bloco de notas, a ver o silêncio entre casais, ambos com o seu telemóvel, como se não fossem um Uno. Parabéns, gostei.
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