Foi a vencedora do Prémio Livro do Ano Bertrand 2023 na categoria de poesia com Aqui Nenhuma Bruxa Foi Atirada à Fogueira, a vencedora dos Goodreads Choice Awards por este mesmo livro em 2018 e pelo seu antecessor, Aqui a Princesa Salva-se Sozinha, em 2016, e uma sensação viral nas redes sociais. Já conhece Amanda Lovelace?
Poetisa, contadora de histórias e “bruxa praticante”, Amanda Lovelace conquistou os leitores muito antes de publicar o seu primeiro livro, a partir dos poemas que partilhava no Tumblr e, posteriormente, no Instagram. A sua obra, assumidamente feminista, aborda temas como empoderamento feminino, trauma, cura e resiliência, centrando-se frequentemente em interpretações modernas de contos tradicionais. Na semana em que comemoramos o Dia Internacional da Igualdade Feminina, e enquanto esperamos pelo próximo livro da autora (com lançamento anunciado para outubro deste ano), partilhamos três poemas sobre as bruxas da vida real — as “mulheres capazes de incendiar o mundo ao seu redor” —, retirados de Nenhuma Bruxa Foi Atirada à Fogueira.
I.
tenho medo
devo confessar
eu herdei
a raiva da minha mãe
e a
raiva-mãe
que veio
antes dela
que atravessou
todos os ramos
da nossa emaranhada
árvore genealógica.
— nada me pode extinguir.
II.
as mulheres são
consideradas ser
propriedades
antes de sermos
consideradas
seres humanos,
e se as nossas janelas
e as nossas portas
são alguma vez despedaçadas
por homens malvados,
aí somos condenadas
a imprestáveis —
executadas
nunca vendidas.
então saímos dos
nossos bairros
e fazemos casas-irmãs
umas das outras.
— nós trancamos essas portas e engolimos essas chaves.
III.
mulheres
aprendem
a sentir
o que quem
perigo
se parece
apenas
a apanhar
outros
olhares de mulheres
do outro lado
de um lugar
apinhado.
— sobrevivência.