São a Geração Z. Nasceram entre 1997 e 2012, com o wi-fi já ligado e o telemóvel sempre à mão. Conseguem ver um vídeo, responder a uma mensagem e ouvir música ao mesmo tempo. Preferem aprender coisas no YouTube a ler manuais de instruções. Usam as redes sociais para denunciar o que está mal, mas também saem à rua para protestar. E, claro, estão muito preocupados com o estado do planeta (e têm razões para isso).
Então, o que pensam e fazem os jovens da Geração Z?
O ativista, comunicador e humorista Diogo Faro responde no livro Planeta Z (Booksmile). Ou melhor, passa a palavra a quem tem propriedade para responder, porque vive esse tema na pele ou enfrenta desafios diários. Fala-se aqui do racismo e da xenofobia, do problema da habitação e das alterações climáticas, e de outros não menos sérios, como a saúde mental e a violência sexual na internet. Ao todo, são 13 grandes temas — ou grandes quebra-cabeças do nosso tempo — que surgem explicados pela voz de 13 ativistas e criadores digitais.
Todos “com coragem e vontade de criar um mundo melhor”.
Nas 13 entrevistas conduzidas por Diogo Faro, o tom é sempre de uma conversa entre iguais, “sem filtros nem paternalismos”. O livro está organizado como um guia de consulta, podendo ser lido de trás para a frente ou intercalando cada capítulo temático. E isto é importante, porque, com a ajuda das ilustrações de Leandro Lassmar, a leitura torna-se mais leve e intuitiva. No fim de cada capítulo, há muitas sugestões de livros, filmes, séries e podcasts para quem quiser aprofundar os assuntos por conta própria.
Em resumo, Planeta Z é um excelente “termómetro” da sociedade atual, ligada pela tecnologia por todos os lados, mas cheia de ilhas de solidão e profundamente desigual. O que salta à vista, ao ler estas entrevistas, é que, para a Geração Z, quase todos os problemas e questões se encontram ligados (chama-se a isso “interseccionalidade”) e não podem ser combatidos isoladamente. Siga a luta.
Ui, que palavra tão difícil!
No livro, aparece uma palavra gigante e muito atual:
INTERSECCIONALIDADE
Parece um trava-línguas, não é? Este conceito serve para explicar que as pessoas não são atingidas por apenas um tipo de opressão, mas por vários ao mesmo tempo, que se “cruzam” (ou seja, fazem interseção) na sua história pessoal. Por exemplo: sofrer de bullying na escola tem um peso, mas, quando se vive a insegurança financeira ou o preconceito racial, esse peso será sempre agravado.