Um grande puzzzzle por resolver

Por: Carla Maia de Almeida a 2026-05-11

Diogo Faro

Diogo Faro

Diogo Faro é seguido por 130.000 pessoas no Instagram e as suas publicações têm uma média de mais de 10.000 likes e muitíssimas partilhas, inclusive por pessoas de grande mediatismo e exposição social. Humorista de profissão e cronista no sapo.pt (os seus textos chegam a milhares de pessoas todas as semanas), os seus espetáculos pré-pandemia esgotavam o coliseu e, durante a pandemia, esgotaram também os bilhetes para as 3 sessões que fez na grande Lisboa. Estas autobiografias devem ter sido inventadas pelo Narciso e soam sempre àquele aluno que, na autoavaliação, diz à professora que merece 20 e é só mesmo porque não dá para mais. Portanto, a única coisa que me parece relevante saberem sobre mim é que sou comediante, viajante tanto quanto posso e sou um bom e assumido apreciador da vida boémia, já de merecida reputação. Ah, e acho que os Direitos Humanos são uma coisa mais ou menos decente pela qual devemos bater-nos.

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Planeta Z
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São a Geração Z. Nasceram entre 1997 e 2012, com o wi-fi já ligado e o telemóvel sempre à mão. Conseguem ver um vídeo, responder a uma mensagem e ouvir música ao mesmo tempo. Preferem aprender coisas no YouTube a ler manuais de instruções. Usam as redes sociais para denunciar o que está mal, mas também saem à rua para protestar. E, claro, estão muito preocupados com o estado do planeta (e têm razões para isso).

Então, o que pensam e fazem os jovens da Geração Z?

O ativista, comunicador e humorista Diogo Faro responde no livro Planeta Z (Booksmile). Ou melhor, passa a palavra a quem tem propriedade para responder, porque vive esse tema na pele ou enfrenta desafios diários. Fala-se aqui do racismo e da xenofobia, do problema da habitação e das alterações climáticas, e de outros não menos sérios, como a saúde mental e a violência sexual na internet. Ao todo, são 13 grandes temas — ou grandes quebra-cabeças do nosso tempo — que surgem explicados pela voz de 13 ativistas e criadores digitais.

Todos “com coragem e vontade de criar um mundo melhor”.

Nas 13 entrevistas conduzidas por Diogo Faro, o tom é sempre de uma conversa entre iguais, “sem filtros nem paternalismos”. O livro está organizado como um guia de consulta, podendo ser lido de trás para a frente ou intercalando cada capítulo temático. E isto é importante, porque, com a ajuda das ilustrações de Leandro Lassmar, a leitura torna-se mais leve e intuitiva. No fim de cada capítulo, há muitas sugestões de livros, filmes, séries e podcasts para quem quiser aprofundar os assuntos por conta própria.

Em resumo, Planeta Z é um excelente “termómetro” da sociedade atual, ligada pela tecnologia por todos os lados, mas cheia de ilhas de solidão e profundamente desigual. O que salta à vista, ao ler estas entrevistas, é que, para a Geração Z, quase todos os problemas e questões se encontram ligados (chama-se a isso “interseccionalidade”) e não podem ser combatidos isoladamente. Siga a luta.

Ui, que palavra tão difícil!

No livro, aparece uma palavra gigante e muito atual:

INTERSECCIONALIDADE

Parece um trava-línguas, não é? Este conceito serve para explicar que as pessoas não são atingidas por apenas um tipo de opressão, mas por vários ao mesmo tempo, que se “cruzam” (ou seja, fazem interseção) na sua história pessoal. Por exemplo: sofrer de bullying na escola tem um peso, mas, quando se vive a insegurança financeira ou o preconceito racial, esse peso será sempre agravado.

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Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.