Três poemas da poeta carioca que inspirou uma geração

Por: Beatriz Sertório a 2025-04-11

Ana Cristina César

Ana Cristina Cesar, também conhecida como Ana C., foi um dos maiores nomes da poesia marginal brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de junho de 1952. Ana C. fez parte do grupo Poesia Marginal, que ficou consagrado depois do lançamento do livro de Heloísa Buarque de Hollanda intitulado 26 poetas hoje (1976). As suas obras, além de integrarem o movimento da poesia marginal, têm um teor muito intimista e quebram a forma tradicional da poesia, usando versos sem métrica ou rima, linguagem informal, etc. O seu livro mais famoso chama-se A Teus Pés (1982).

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No Brasil, foi considerada a musa de uma geração e equiparada a vultos como Carlos Drummond de Andrade ou Oswald de Andrade, mas em Portugal ainda permanece largamente desconhecida. Afinal, quem foi Ana Cristina César

Também conhecida como Ana C., Ana Cristina César foi uma das vozes mais singulares da poesia marginal brasileira, um movimento que despontou nos anos 1970 como resposta à repressão da ditadura militar. Nascida no Rio de Janeiro, a 2 de junho de 1952, começou a ditar poemas ainda antes de saber escrever, mas foi só após um intercâmbio em Inglaterra, onde tomou contacto com autoras como Emily Dickinson e Sylvia Plath, que decidiu dedicar-se verdadeiramente à escrita.  

De volta ao Brasil, transformou cartas, diários e fragmentos do quotidiano numa obra poética de tom confessional, agudo e fragmentado, e alcançou reconhecimento com livros como A Teus Pés e uma participação na antologia 26 Poetas Hoje (1976), organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. O seu fim foi trágico, tendo cometido suicídio com apenas 31 anos, mas a sua obra continua mais viva do que nunca e chega agora, pela primeira vez, de forma integral ao público português. Fique com três poemas da autora incluídos na antologia Poética, que acaba de ser publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 

 

Quando você me deixa

Quando você me deixa, fica o silêncio 
e um eco de palavras que jamais 
encontraram seus destinos.  

Eu ando pela casa vazia, 
procurando nas paredes 
os vestígios do que não dissemos. 

 

Atrás dos Olhos das Meninas Sérias

Mas poderei dizer-vos que elas ousam? 
Ou vão, por injunções muito mais sérias, 
lustrar pecados que jamais repousam?  

Meninas, doces meninas, tão amadas, 
em seus cadernos de capa azul anotam 
segredos que a infância não revela. 

 

Poema para você ler

Leia-me entre as linhas 
onde os silêncios se confundem 
com os gritos que não quero mais ouvir. 

Talvez eu esteja esperando
que alguém adivinhe 

o que nunca pude escrever. 

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