Sísifo, rei da Tessália e de Enarete, era o filho de Éolo. Tinha a reputação de ser o mais habilidoso e esperto dos homens e, por esta razão, dizia-se que era pai de Ulisses. Despertou a ira de Zeus quando contou ao deus dos rios, Asopo, que Zeus tinha sequestrado a sua filha Egina. Zeus mandou o deus da morte, Tanatos, perseguir Sísifo, mas este conseguiu enganá-lo e prender Tanatos. A prisão de Tanatos impedia que os mortos pudessem alcançar o Reino das Trevas, tendo sido necessário que fosse libertado por Ares. Foi então que Sísifo, não podendo escapar ao seu destino de morte, instruiu a sua mulher a não lhe prestar exéquias fúnebres. Quando chegou ao mundo dos mortos, queixou-se a Hades, soberano do reino das sombras, da negligência da sua mulher e pediu-lhe para voltar ao mundo dos vivos apenas por um curto período, para a castigar. Hades deu-lhe permissão para regressar mas, quando Sísifo voltou ao mundo dos vivos, não quis mais voltar ao mundo dos mortos.
Hermes, o deus mensageiro e condutor das almas para o Além, decidiu então castigá-lo pessoalmente, infligindo-lhe um duro castigo, pior do que a morte: Sísifo foi condenado, para todo o sempre, a empurrar uma pedra até ao cimo de um monte, caindo a pedra invariavelmente da montanha sempre que o topo era atingido. Este processo seria repetido até à eternidade.
Inspirado no filho de Éolo, Albert Camus escreveu O Mito de Sísifo, publicado pela primeira vez em 1942. Peça central na sua filosofia do absurdo, é considerado um dos mais influentes ensaios do século XX, apresentando uma exposição pungente do pensamento existencialista. Em 1974, o castigo eterno de Sísifo, levou o húngaro Marcell Jankovics a criar uma comovente animação, que acabou por ser nomeada, na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação, na 48.ª edição dos Óscares, que decorreu em 1976. Em 2008, a animação esteve de novo sob os holofotes, ao ser utilizada num anúncio a um carro, e que foi apresentado durante o Super Bowl.