Os Prémios Pulitzer 2026 foram anunciados esta semana pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Criados em 1917, distinguem anualmente o melhor do jornalismo, da literatura e das artes nos Estados Unidos. Este ano, antes de revelar os vencedores, a administradora Marjorie Miller subiu ao palco para reafirmar o compromisso do prémio com a liberdade de imprensa, num país onde a pressão política sobre os meios de comunicação é crescente.
Descubra os vencedores das categorias literárias: os livros que a Academia considerou os melhores de 2026.
Na categoria de Ficção, o prémio foi para Angel Down, de Daniel Kraus. O romance acompanha soldados da Primeira Guerra Mundial que encontram um anjo caído na Terra de Ninguém, e é escrito na sua totalidade numa única frase. Não se trata de um artifício: é uma escolha formal que determina o ritmo e o fôlego de toda a narrativa. A Academia descreveu-o como uma obra que mistura alegoria, realismo mágico e ficção científica num todo coeso. Kraus, que já tinha uma carreira estabelecida na ficção especulativa, chega ao Pulitzer com um romance que é difícil de classificar e impossível de ignorar.
Na categoria de Memórias e Autobiografia, venceu Yiyun Li com Tudo na natureza apenas continua, editado em Portugal pela Alfaguara. A autora escreve sobre a perda dos dois filhos para o suicídio, o mais novo pouco mais de seis anos após a morte do mais velho da mesma forma, numa memória austera e desafiante que se concentra nos factos, na linguagem e na persistência da vida. Li, nascida na China e radicada nos Estados Unidos, é uma das vozes mais respeitadas da literatura contemporânea em língua inglesa. Um livro de uma honestidade e uma coragem raras.
Em História, o prémio foi para Jill Lepore com We the People: A History of the U.S. Constitution, ainda sem publicação em Portugal. Lepore, historiadora em Harvard e colaboradora regular do The New Yorker, é conhecida pela capacidade de transformar história académica em leitura acessível. Num momento em que a Constituição norte-americana é citada e contestada com uma frequência inédita, o livro chega com uma oportunidade rara: perceber de onde vem o texto que continua a moldar os debates políticos de hoje.
Em Biografia, venceu Amanda Vaill com Pride and Pleasure: The Schuyler Sisters in an Age of Revolution, ainda sem edição no nosso país. A obra recupera a história das irmãs Schuyler, figuras centrais da Revolução Americana que foram durante demasiado tempo relegadas para o papel de secundárias na história dos seus maridos e pais. Para quem ficou a conhecer o nome Schuyler através do musical Hamilton, este livro é o passo seguinte natural.
Na Poesia, o prémio foi para Ars Poeticas, de Juliana Spahr. Uma coleção em que a poeta faz um balanço da sua própria desilusão para interrogar a sua relação com a arte, a comunidade e a política.
Em Não Ficção, venceu Brian Goldstone com There Is No Place for Us: Working and Homeless in America. A Academia descreveu-o como uma proeza de reportagem, análise e narrativa sobre a crise nacional de sem-abrigos entre os chamados trabalhadores pobres. Goldstone parte de histórias individuais para revelar uma falha sistémica que os números por si só nunca conseguiriam mostrar.