Os benefícios da leitura para a nossa saúde são inúmeros e, em situações de doença, pode mesmo oferecer um escape da realidade verdadeiramente terapêutico. No entanto, para muitos pacientes de cancro torna-se uma tarefa quase impossível. O “cancer fog”, também conhecido como confusão mental ou deficiência cognitiva relacionadas com o cancro, é um efeito secundário comum do tratamento que leva muitos pacientes a abandonarem a leitura numa altura em que os seus benefícios poderiam ser especialmente úteis.
Podendo durar até 12 meses após a conclusão dos tratamentos de quimioterapia, afeta a resolução de problemas, a concentração, a memória, a motivação, a navegação, o processamento visual e, consequentemente, a leitura. Mas Elizabeth Wells, candidata a doutoramento na University of South Australia, acredita ter encontrado uma solução.
Ao deparar-se com este fenómeno, Wells, que já foi bibliotecária e agora investiga o papel que a leitura pode ter no nosso bem‑estar, desenvolveu um programa de leitura em voz alta para pessoas com cancro. Juntando cada paciente de cancro a um leitor experiente, moderou sessões de leitura em voz alta de 45 minutos cada, durante seis semanas, nas quais foram lidos contos, não-ficção e alguma poesia.
Os resultados foram promissores, com a maioria dos participantes afetados por “cancer fog” a confirmarem uma maior facilidade em visualizar e compreender a história quando esta lhes era contada em oposição a quando esta era lida. Para além disso, a distração da dor e da doença que estas sessões proporcionam aos participantes e respetivos familiares, revelou-se igualmente terapêutica.
Para além dos inúmeros benefícios da leitura em voz alta, Wells defende que estas sessões de leitura coletiva têm potencial para aliviar ou reduzir os efeitos secundários do tratamento, como náuseas, dor, ansiedade, depressão e solidão. Como tal, o seu objetivo é integrar programas como este em hospitais e centros oncológicos na Austrália e no mundo, e continuar a explorar os surpreendentes benefícios dos “remédios literários”.
Em antecipação do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, que se celebra anualmente no dia 4 de fevereiro, deixamo-lo com um conselho de Elizabeth Wells: “Se tem alguém na sua vida que está a passar por um cancro, experimente ler para essa pessoa. O resultado poderá surpreendê-lo.”
Sugestões de leitura para o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro:
Fonte: https://theconversation.com/i-can-see-the-characters-how-reading-aloud-to-patients-can-break-through-cancer-fog-211274