Os Poetas Malditos

Por: Marisa Sousa a 2020-03-04

Stéphane Mallarmé

Stéphane Mallarmé

Poeta francês e figura cimeira da modernidade poética, Stéphane Mallarmé nasceu a 18 de março de 1842 em Paris e morreu em Valvins a 9 de setembro de 1898. Mallarmé forma, juntamente com Verlaine e Rimbaud, o núcleo do movimento simbolista francês. O seu estilo fin-de-siècle antecipa muitos dos desenvolvimentos que viriam a surgir com o Dadaísmo, o Surrealismo e o Futurismo, como a fusão entre arte e poesia, os jogos de signos e a tensão entre palavras e imagens, estando também, por isso, entre os precursores da poesia concreta ao lado de Guillaume Apollinaire e Ezra Pound.

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Paul Verlaine

Paul Verlaine

Paul-Marie Verlaine nasce na Lorena a 30 de março de 1844, filho de um militar. Em 1851 a sua família muda-se para Paris, onde Verlaine estudará até obter o bacharelato. No ano de 1862, inscreve-se na Faculdade de Direito, altura em que começa a frequentar os cafés e a beber regularmente. Em 1864 decide abandonar os estudos definitivamente, já depois da publicação do seu primeiro poema (1863), e torna-se funcionário da Câmara Municipal de Paris. O poeta troca correspondência e contacta com vários escritores e artistas da época, como por exemplo Victor Hugo, Charles Cros e Villiers.
Em 1870, casa com Mathilde Mauté de Fleurville, casamento que será perturbado quando, no ano seguinte, Verlaine conhece Rimbaud, com quem mantém estreita amizade com uma dimensão homossexual. Esta relação levará Mathilde a pedir a separação judicial em 1872, ano em que Verlaine embarca com Rimbaud para Londres. Este relacionamento acabará em 1875.
Entre 1875 e 1879 o poeta é alternadamente professor em Inglaterra e França, país para onde regressará definitivamente. Segue-se um período de escrita intensa, atribulado por dificuldades económicas e de saúde, numa sucessão de internamentos em vários hospitais. Morre a 8 de janeiro de 1896 de uma congestão pulmonar.
Fernando Pinto do Amaral, no prefácio a «Poemas Saturnianos e Outros», afirma: «Ao lermos hoje os poemas de Verlaine, resta sobretudo a beleza da sua música soberana e misteriosamente evocadora das vertigens por vezes discretas — mas nem por isso menos cativantes — de um espírito vibrátil e sensível aos mais ínfimos acordes do ser — acordes harmoniosamente dissonantes, como os de qualquer poesia que não hesite em interrogar o doloroso enigma que se abriga nos mil fragmentos do real e lhes dá, a cada um deles, uma alma própria e insubstituível.»

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Jean-Arthur Rimbaud

Jean-Arthur Rimbaud

Une Saison en Enfer (1873) é a mais famosa obra de Rimbaud (1854-1891), na qual exprime o drama da sua vida e da sua obra, numa verdadeira descida aos infernos. Em Adeus, o último trecho do livro resume a tragédia de alguém que quisera descobrir uma poesia nova ao cultivar as sensações, e apenas obtivera um caos de imagens. Protótipo do poeta revoltado em busca de outras paragens, recusa Deus e agarra-se à realidade humana.

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Foi Alfred de Vigny quem primeiro utilizou a expressão poetas malditos, na peça Stello (1832). O termo acabou por se popularizar quando Paul Verlaine publicou a antologia Les poètes maudits - a primeira (1884), com poemas de Arthur Rimbaud, Tristan, Corbière e Stéphane Mallarmé; a segunda (1888), ampliada, à qual acrescentou Marceline, Desbordes-Valmore, Villiers de l’Isle Adam, e a si próprio, sob o anagrama Pauvre Lélian. Acredita-se que Verlaine poderá ter sido impelido a produzir esta antologia na sequência da recusa da publicação na terceira edição da prestigiante revista Le Parnasse contemporain (1876). 

Apesar de, na antologia, Verlaine nunca chegar a definir a expressão que dava título à obra, traçando apenas os perfis dos poetas que considerava “absolutos”, esta teve um efeito imediato, tendo o termo “escritores malditos” ou “poetas malditos” passado a designar uma geração de autores que mantinham um estilo de vida à margem da sociedade, que rejeitavam as regras que esta lhes impunha e se recusavam a pertencer a qualquer ideologia estabelecida. Este grupo de poetas incorporou o mal como essência do próprio ser humano, integrando o tema na sua poesia, tantas vezes hermética. 

Mallarmé e Verlaine ficam para a história como os fundadores do Simbolismo, movimento artístico e literário, que nasceu como reação contra o materialismo e mecanização da civilização industrial, rejeitando o Realismo, o Romantismo e o Impressionismo e defendendo que a arte deveria exprimir ideias a partir de uma conceção simbolista das formas e da cor. Conheçamos melhor três dos mais importantes poetas “absolutos”.

 


 

Stéphane Mallarmé

Stéphane Mallarmé, 1894

 

Stéphane Mallarmé (França, 1842 – 1898) 

 

"Mallarmé é intraduzível, mesmo em francês." — Alain-Fournier

 

Ficou órfão de mãe aos cinco anos. Publicou os seus primeiros poemas em 1862, influenciado pela leitura das obras de Charles Baudelaire e Edgar Allan Poe. No final de 1874, dirigiu e escreveu La Dernière Mode - Gazette du Monde et de la Famille, uma revista feminina. Sob os pseudónimos de Marguerite de Ponty, Miss Satin, Zizy ou Olympe la négresse, entre outros, escreveu sobre moda, culinária e educação de crianças. 

Mallarmé é considerado, com Paul Verlaine, o iniciador do Simbolismo. Em 1868, chegou à conclusão que embora não haja nada para além da realidade, dentro do vazio, criado por essa conceção, existem "as formas perfeitas". O seu poema L'après-midi d'un faune (1876), inspirou Prélude à l'après-midi d'un Faune, do compositor Claude Debussy. A partir de 1880, passou a organizar, em sua casa, tertúlias literárias, que contavam com a presença da elite intelectual da época, de onde se destacam nomes como André Gide e Oscar Wilde

Mallarmé desempenhou um papel fundamental na evolução da literatura no século XX, especialmente nas tendências futuristas e dadaístas. Todos os seus poemas são verdadeiras tentativas de esgotar as formas poéticas tradicionais. O poema Un coup de dès jamais n'abolira le hasard rompe com as estruturas tradicionais da poesia, escrito em caracteres variados, ao longo do espaço de uma página dupla. As inovações deste texto exerceram uma poderosa influência sobre as vanguardas literárias do século XX, especialmente pela função expressiva que atribui à utilização dos espaços em branco e pelos tipos escolhidos para a impressão, acabando por configurar, pela primeira vez, o que se veio a chamar sintaxe gráfico-visual

Pediu à mulher e à filha que queimassem grande parte de seus escritos, após a sua morte -  tal como fizeram Franz Kafka e o poeta Virgílio. Morreu asfixiado, em 1898, sem ter chegado a concluir a grande obra de sua vida, le Livre.

 

Paul Verlaine e Arthur Rimbaud
Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, Bruxelas, 7 outubro 1873

 

Paul Verlaine (França, 1844-1896) 

 

“Para mim, a glória é um modesto e efémero absinto.” (Paul Verlaine)

 

Fez amizade com vários poetas e passava os seus dias em longas conversas, bebendo absinto. O pai, desgostoso com este estilo de vida, deixou de lhe dar dinheiro. Em 1866, publicou o seu primeiro livro, Les Poèmes Saturniens, grandemente influenciado por Baudelaire. Casou em 1870, mas, um ano depois, apaixonou-se pelo poeta Arthur Rimbaud, na altura com 17 anos. Em 1873, após uma discussão com o amante, tentou dar-lhe um tiro  e acabou por ser preso durante 18 meses. Na prisão, estudou William Shakespeare e a obra Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, e escreveu Romances Sans Paroles, considerado pelos críticos uma das suas obras-primas. Escreveu também o poema Ars poétique (1874) - que só foi publicado dez anos mais tarde, tendo sido posteriormente considerado como o manifesto do Simbolismo. A partir de 1883, entrou numa fase de grande decadência, dormindo em bairros de lata e passando largos períodos hospitalizado. Com Mallarmé e Baudelaire, formou o grupo dos chamados Decadentes, conhecido pela sua atração pelo mórbido, perverso e bizarro e pela liberdade moral. Em 1894, após a sua obra ter sido redescoberta pelos seus contemporâneos, foi considerado "O Príncipe dos Poetas franceses". Morreu na miséria, a 8 de janeiro de 1896, mas o seu funeral foi acompanhado por milhares de pessoas.

 

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (França, 1854 – 1891) 

Foi abandonado pelo pai quando tinha apenas seis anos. Apesar da educação rígida, imposta pela mãe, com 16 anos viaja para Paris, sem a sua autorização, e acaba preso. Em 1871, publica o seu primeiro livro, Le Bâteau Ivre e, entre as várias fugas, conhece o poeta Paul Verlaine, em Paris, para quem havia enviado o seu poema Soneto de Vogais (1870). Verlaine acolhe-o em sua casa e, frequentemente mergulhados em álcool e drogas, iniciam uma relação que chocou a sociedade da época.

Em 1873, ano em que escreve Uma Temporada no Inferno, tenta terminar a relação com Verlaine, que acaba por alvejá-lo, ferindo-o na mão. Em Adeus, o último trecho do livro, resume a tragédia de alguém que quisera descobrir uma poesia nova ao cultivar as sensações, e apenas obtivera um caos de imagens. A obra foi considerada um marco na história da poesia e influenciou diversos poetas modernos, bem como muitos movimentos da contracultura do século 20. 

Em 1886, surge uma edição, realizada por Verlaine, de Iluminações, onde Rimbaud demonstra a sua preferência pelo humano, em detrimento do divino. Esta obra viria a restabelecer a sua reputação como poeta. Aquele que Paul James descreveu, à época, como "um jovem Shakespeare", morreu aos 37 anos, vítima de um cancro na perna.

 

“De Rimbaud poderia dizer-se que, tentando escapar ao inferno teológico, fechou sobre si as portas do inferno na terra.” Mário Cesariny, in Uma Época no Inferno, Portugália, 1960.

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