O The Guardian elegeu os melhores livros de 2019

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-12-03

Margaret Atwood

Margaret Atwood

Margaret Atwood nasceu em Otava, em 1939. É a mais celebrada autora canadiana e, além de A História de Uma Serva – agora uma série de televisão multipremiada –, publicou mais de quarenta livros de ficção, poesia e ensaio. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Arthur C. Clarke, o Booker Prize (em duas ocasiões, por O Assassino Cego, em 2000, e por Os Testamentos, em 2019), o Prémio Príncipe das Astúrias para a Literatura, o Pen Center USA Lifetime Achievement Award e o Prémio da Paz dos Editores e Livreiros Alemães. Foi ainda agraciada com o título de Chevalier da Ordem das Artes e das Letras de França e com a Cruz de Oficial da Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha. Uma das mais ativas vozes do feminismo moderno, na ficção e na não ficção, está traduzida para trinta e cinco línguas. Vive em Toronto.

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Deborah Levy

Deborah Levy

Romancista, dramaturga e poeta britânica, Deborah Levy nasceu em 1959, na África do Sul. As suas peças foram já encenadas pela Royal Shakespeare Company e é autora de uma vasta obra literária, aclamada pela crítica. Nadar para Casa, finalista do Man Booker Prize 2012 – foi considerado um dos melhores livros de 2012 por The New York Times, The Guardian, The Sunday Telegraph, Financial Times e The Huffington Post. Foi já adaptado para a rádio pela BBC Radio 4 e valeu à autora uma nomeação para o prémio de Autora do Ano nos National Book Awards 2012

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Erin Morgenstern

Erin Morgenstern

Erin Morgenstern é a autora de O Circo dos Sonhos, um bestseller internacional, vendido em todo o mundo e traduzido para trinta e sete idiomas. É licenciada em teatro pelo Smith College e vive no Massachusetts.

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John le Carré

John le Carré

John le Carré (19 de outubro de 1931, Poole, Reino Unido - 12 de dezembro de 2020, Royal Cornwall Hospital, Truro, Reino Unido) estudou em Berna e Oxford, foi professor em Eton e esteve durante cinco anos ligado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo primeiro secretário da Embaixada Britânica em Bona e, posteriormente, cônsul político em Hamburgo.
Começou a sua carreira literária em 1961, tendo-se tornado um escritor mundialmente reconhecido com o livro O Espião Que Saiu do Frio, o seu terceiro. A consagração de le Carré deu-se com o excelente acolhimento que teve a célebre trilogia de Smiley: Tinker Tailor Soldier Spy, The Honourable Schoolboy e A Gente de Smiley.
Entre os seus romances, todos eles assinaláveis êxitos de vendas e de crítica, contam-se O Alfaiate do Panamá, Single & Single, O Fiel Jardineiro, Amigos até ao Fim, O Canto da Missão e Um Homem Muito Procurado.

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O Homem que Via Tudo
18,00€
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The Testaments
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Lanny
17,69€
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An American Marriage
11,58€
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Agente em Campo
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Eu, Elton John
22,00€
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Está na altura de incluir na playlist diária alguns dos êxitos mais conhecidos do Natal. Acompanhado de Mariah Carey, Michael Bublé, Andy Williams ou Wham!, esperamos que já tenha a árvore montada, no cantinho perfeito da sala, pronta para ser admirada. Se está sem ideias sobre o que colocar debaixo da árvore, o jornal The Guardian tem as sugestões ideais para si

Os críticos literários do jornal britânico escolheram os livros que, no ano de 2019, deixaram uma marca nos seus corações. Fique com algumas das suas recomendações e, quem sabe, talvez encontre o presente perfeito. 

 

 
O Homem que Via Tudo, de Deborah Levy

As escolhas no género de ficção estiveram a cargo de Justine Jordan, crítica que não deixou de enfatizar o facto de 2019 ser feito de duplas, com dois prémios Nobel da Literatura e duas vencedoras do Booker Prize. Uma das obras escolhidas foi O Homem que Via Tudo, de Deborah Levy, enredo que partilha essa duplicidade ao narrar a história de “um homem, duas cronologias e dois acidentes de carro” e que a jornalista considera ser de leitura obrigatória.

Em 1988, Saul Adler vai para Berlim Este para estudar. Ao encontrar diferentes formas de totalitarismo nesta nova vida – do Estado, da própria família e até do olhar masculino – a personagem principal explora a individualidade do ser ao longo do romance.

Movendo-se entre tempos diferentes e deixando um rasto em espiral, Levy analisa o que vemos e o que não conseguimos ver, as consequências do descuido, o peso da história e as nossas desastradas tentativas de o sacudir dos ombros.

 
The Testaments, de Margaret Atwood

Margaret Atwood é, talvez, um dos grandes nomes a apontar em 2019. The Testaments, sequela de The Handmaid’s Tale, foi nomeada para o Booker Prize 2019 ainda antes de ser publicada – e ganhou, lado a lado com Bernardine Evaristo e o romance Girl, Woman, Other.

Justine Jordan aponta a obra como fan-pleaser, repleta de curiosidades literárias, um exemplo fascinante de interação entre ficção escrita e para televisão”, acrescentando que Atwood conseguiu juntar todos estes ingredientes no mesmo livro, aliados a reflexões sobre poder e padrões históricos que tendem a repetir-se. 

Relembramos que The Testaments foi publicada 34 anos depois da obra original, continuando a distopia passada na República de Gilead que deu origem a uma das séries mais vistas dos últimos anos, produzida pelo canal americano Hulu. A Bertrand Editora, entretanto, já anunciou a tradução para português, com data de publicação prevista para 2020

 

Lanny, de Max Porter

Este é o segundo romance de Max Porter depois de O Luto é a Coisa com Penas, publicado em Portugal pela Elsinore, em 2016. Lanny foi aclamado internacionalmente como um dos melhores livros de 2019, tendo chegado, inclusive, à longlist do Booker Prize 2019.

A fantasia mistura-se com a realidade neste romance, aliando fabulismo com o quotidiano, “conversa comum com a voz espiritual de um tempo profundo”. 

Esta é a história de uma aldeia inglesa situada a não mais de meia hora de distância de Londres, não muito diferente de todas as outras: com o seu pub, a sua igreja, as suas lojas e casas de tijolo vermelho, repleta de vozes que falam de amor e desejos, de trabalho e de morte e das coisas quotidianas. A aldeia pertence ao presente, mas também ao seu passado, às famílias desaparecidas há gerações e às que para lá se mudaram há pouco tempo. 

É também a história de Lanny, um rapazinho extraordinário, recém-chegado à aldeia, que irá despertar o interesse do Falecido Papá Dentilária, figura lendária, feita de folhas de hera, parte da paisagem desta aldeia há centenas de anos.

 
 
An American Marriage, de Tayari Jones

Foi em junho de 2019 que Tayari Jones ganhou o Women’s Prize for Fiction 2019 com An American Marriage, um livro que “faz brilhar uma luz na América de hoje (…) com uma prosa luminosa, impressionante e verdadeiramente comovente.” Ainda que a obra tenha sido publicada em 2018, a jornalista do The Guardian não deixa de a referir novamente na lista de melhores livros de 2019, precisamente pelo galardão que celebra as obras publicadas por mulheres a nível internacional.

O romance de Jones conta a história de Celestial e Roy. As vidas destes recém-casados são viradas do avesso quando Roy é sentenciado a 12 anos de prisão por uma violação que não cometeu. Ainda que Celestial acredite na sua inocência, dá por si a encontrar o conforto necessário no seu amigo de infância, Andre. Cinco anos depois, a condenação de Roy é revogada e ele volta a casa.

Adicionalmente, Barack Obama sugeriu An American Marriage nas suas já habituais recomendações de verão em 2018

 
Agente em Campo, de John Le Carré

No campo dos policiais e thrillers, a jornalista Laura Wilson aponta a mais recente obra de John le Carré, Agente em Campo, pelos “comentários astutos” em situações políticas específicas – neste caso sobre o Brexit, a mais recente crise do Reino Unido. 

A personagem principal é Nat, 47 anos, veterano dos Serviços Secretos britânicos, pensa que o seu tempo como controlador de agentes chegou ao fim. Está de regresso a Londres com a mulher, a paciente e dedicada Prue. Mas, face à crescente ameaça do Centro de Moscovo, a repartição tem mais uma missão para ele. Nat é nomeado chefe do Porto de Abrigo, um inoperante subposto da Geral de Londres com um bando de espiões incompetentes. 

Agente em Campo é um retrato arrepiante do nosso tempo, ora doloroso, ora com laivos de humor negro, traçado com uma tensão infatigável pelo maior cronista da atualidade.

 
The Starless Sea, de Erin Morgenstern

A fantasia e ficção científica também ganham destaque para o The Guardian, pelas palavras do crítico Adam Roberts que não deixa de enfatizar a importância dos géneros: “A ficção científica de hoje é o facto científico de amanhã.”

Para os fãs de The Night Circus, Erin Morgenstern volta a surpreender com The Starless Sea, uma história sobre uma biblioteca subterrânea, cujos livros sobre piratas, espiões e amantes fundem-se com a realidade.

Tudo começa com Zachary Ezra Rawlins, no dia em que descobre um livro misterioso onde, no meio de amantes aprisionados e coleccionadores de chaves, encontra-se, também, a história da sua infância. Decidido a desvendar este mistério, Zachary vai ao encontro dessa biblioteca anciã, repleta de cidades e oceanos perdidos e de histórias sussurradas pelos mortos.

O livro indicado para livrólicos que se perdem no realismo mágico, em mundos paralelos e no amor infinito que existe numa biblioteca.

 
The Five, de Hallie Rubenhold

Aida Edemariam foi a editora responsável pela escolha das melhores biografias de 2019. O primeiro livro selecionado foi The Five, de Hallie Rubenhold, que narra as histórias impressionantes das mulheres assassinadas por Jack, o Estripador, o serial killer mais conhecido do século XVIII. 

Quem sabe o nome das mulheres que foram mortas pelas mãos de Jack? É este o objetivo da autora britânica – mostrar que, em mais de 200 anos de “Ripperology”, ninguém quis realmente saber das suas vítimas. Deste modo, Rubenhold diz os seus nomes e conta as suas histórias: Mary Ann “Polly” Nicholls, Annie Chpaman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly.

Em vez de detalhar a violência das suas mortes, a escritora, segundo Edemariam, decide honrar antes as suas vidas e aquilo que deixaram antes de partirem deste mundo, como “um vestido de flanela, um bolso grande e uma luva vermelha.”

 
Eu, Elton John, de Elton John

Por último nos nossos destaques, mas não menos importante, destacamos o grande testemunho do ano, segundo Hadley Freeman, escrito por uma celebridade: Eu, Elton John. Elton John, um dos mais prolíficos cantores e compositores da música contemporânea, dirige-se aos leitores na primeira pessoa com a sua habitual frontalidade e bom humor.

Não falta drama nesta autobiografia: as rejeições iniciais das editoras; as amizades com John LennonFreddie Mercury e George Michael; as noites loucas no Studio 54; as tentativas de suicídio e a dependência que escondeu até de si próprio durante anos, e que quase o destruiu, são apenas alguns dos episódios.

Excentricamente divertido mas também profundamente emocionante, Eu, Elton John levá-lo-á numa viagem inesquecível pela intimidade de uma lenda viva.

 
Veja o resto da lista completa com os melhores livros de 2019, segundo o The Guardian, aqui.
 
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