Hoje, celebramos o aniversário de Miguel Esteves Cardoso, escritor, colunista, investigador português, que lança agora a edição completa de uma das suas mais icónicas obras: Escrítica Pop e O Ovo e o Novo (dois livros num só).
Ao jornal Público confessou “Quis ser escritor desde que me lembro de ler — muito depois de ter aprendido a querer”. Para o celebrar, escolhemos sete citações de alguns dos seus mais aclamados livros.
“Para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo. Eu, por exemplo, sou. A felicidade é inversamente proporcional a uma série de coisas de boa fama, como a sabedoria, a verdade e o amor. Quando se sabe muito, não se pode ser muito feliz. A verdade é quase sempre triste.”
In Os meus problemas
“Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, fachada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade.”
In Último Volume
“A única coisa é a vida. A única coisa é a vida de cada um. Sem vida, nada feito. Viver não é a melhor coisa que há: é a única coisa. Cada momento da vida não é único. Mas há momentos únicos. A nossa felicidade não é passá-los como quisermos. É dar por ela a aproveitá-los. (…) A única coisa é saber que um dia virá em que nos será tirada a vida. Para sempre. Mas, por sabermos isso, não podemos perder tempo a pensar nisso. (…) A única coisa é estar aqui, agora, a escrever isto. Enquanto posso. Enchendo-me de alegria.”
In Amores e Saudades de um Português Arreliado
“Os verdadeiros democratas não são aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos não sei que mais. São os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os desconvencer à força.”
In As Minhas Aventuras na República Portuguesa
“O amor é um processo contínuo de conhecimento e aceitação. Não é um arrebatamento. Não é uma loucura. É um acto de inteligência, de curiosidade e de carinho sem fim. Não pode amar, nem ser devidamente amado, quem não pode suportar a verdade ou for incapaz de resignação.”
In Explicações de Português
“O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.
É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida.
Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo”
In O Amor é Fodido
“Os livros são escritos por quem não teve sorte na vida. Por quem odeia um bocadinho a vida tal como ela é. Inventar uma que não existe ou denunciar aquela que persiste acaba por ser a mesma coisa. Ou começa: depois, logo se vê. E vê.”
In Como é Linda a Puta da Vida