Maria Teresa Horta é a vencedora do Prémio Literário Casino da Póvoa 2021, atribuído no âmbito do festival literário Correntes d’Escritas, com a obra Estranhezas (2018). O anúncio foi feito esta manhã, na cerimónia de abertura oficial do festival, habitualmente realizado na Póvoa do Varzim, mas a decorrer, este ano, num formato inteiramente online.
O júri, constituído pelo poeta Daniel Jonas, a escritora Inês Pedrosa, o escritor e professor José António Gomes, o realizador Luís Caetano e a artista Marta Bernardes, atribuiu o galardão por unanimidade, afirmando que “Estranhezas é uma exaltação da paixão, da beleza, do real concreto e efémero eternizado pela deslocação da esfera do tempo para o espaço de escrita.”
A obra, editada pela Dom Quixote, desdobra-se por sete capítulos – No Espelho, Da Paixão, Da Beleza, Alteridades, Tumulto, Ferocidades, Diante do Abismo – revisitando os temas principais da sua obra desde o seu primeiro livro, Espelho Inicial, escrito em 1960. O júri acrescentou que a autora “criou um glossário e uma sintaxe muito pessoais, um idioma singular que subverte e atualiza a ideia da poesia como canto celebratório”, neste livro escrito sob o signo da asa.
Entre os finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa encontravam-se nomes como Ana Luísa Amaral, Filipa Leal, Nuno Júdice e Eucanaã Ferraz. Maria Teresa Horta sucede, assim, ao romancista Pepetela, distinguido em 2020, com Sua Excelência, de Corpo Presente (2018).
Pode acompanhar o Correntes d’Escritas em direto e com acesso livre, sem inscrição prévia, através da transmissão em direto, a partir da página do festival no Facebook.
Maria Teresa Horta, 83 anos, nasceu em Lisboa, onde frequentou a Faculdade de Letras. Escritora e jornalista, foi a primeira mulher a exercer funções dirigentes no cineclubismo em Portugal, sendo também conhecida com uma das mais destacadas feministas portuguesas.
Estreou-se na poesia em 1960, e a sua obra poética publicada até 2006 – dezoito títulos – pode encontrar-se em Poesia Reunida (2009), livro que lhe valeu o Prémio Máxima Vida Literária. Para além da poesia, Maria Teresa Horta é também reconhecida pelos seus romances. Ao livro As Luzes de Leonor, escrito em 2011, foi atribuído os prémios D. Dinis e Máxima de Literatura.