‘Luanda Lisboa Paraíso’ vence Prémio Literário Eça de Queiroz

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-08-28 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia Pereira de Almeida

(Luanda, 1982) Vencedora do Prémio Novos 2016 - categoria Literatura, estreou-se no romance em 2015 com Esse Cabelo (Teorema). Ajudar a Cair, um retrato ensaístico do Centro Nuno Belmar da Costa, foi publicado, em 2017, pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Em 2018, publicou Luanda, Lisboa, Paraíso (Companhia das Letras Portugal). Licenciada em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa, doutorou-se em Teoria da Literatura, na Universidade de Lisboa, em 2012. Em 2013, foi uma das vencedoras do Prêmio de Ensaísmo serrote, atribuído pela Revista serrote (Instituto Moreira Salles, Brasil); em 2016, esteve entre os finalistas do 8º ciclo da Rolex Mentor and Protégé Arts Initiative. Publicou em Common Knowledge, Granta.com, Granta Portugal, Ler, Revista Pessoa, Quatro Cinco Um, Revista serrote, Words Without Borders, Revista Zum, entre outras.

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Djaimilia Pereira de Almeida venceu o Prémio Literário Fundação Eça de Queiroz de 2019 com o seu mais recente romance, Luanda Lisboa Paraíso , editado pela Companhia das Letras. O galardão foi anunciado esta terça-feira em Lisboa.

De acordo com o comunicado, o júri decidiu, por unanimidade contemplar o romance por este desenhar “a solidão das personagens de forma magistral, numa contenção poética em que se estabelece o equilíbrio entre a esperança e o desespero” .

O prémio, no valor de 10,000 euros, foi instituído em 2014 a fim de promover e incentivar a produção de obras literárias em língua portuguesa, bem como homenagear Eça de Queiroz , “um dos maiores vultos nacionais e internacionais da literatura e cultura portuguesas” . Nas edições anteriores contemplou narrativas ficcionais inéditas e obras de carácter ensaístico já publicadas. A partir desta edição, passa a distinguir bienalmente uma obra ficcional (romance ou novela) escrita em língua portuguesa e publicada em Portugal por autor nacional com idade não superior a 40 anos à data da publicação.

 


 

Fotografia: Global Imagens

 

“Parecia pensar que um dia lhe bateriam à porta e lhe diriam que estava tudo tratado, que era enfim português, direito que julgava pertencer-lhe. Não sabia ele conjugar o gerundivo e a origem etimológica da palavra ‘Tejo’? Não achava, inspecionando-se ao espelho, que não se geravam a norte do Alentejo, ‘e muito menos em África’, maçãs-de-adão como a de Aníbal Cavaco Silva? Não era dócil e cordato contando que não estivesse bebido? Não engraxava os sapatos do filho aos domingos sentindo-se sempre mortificado? Não escolhera já o seu talhão no Cemitério dos Prazeres, para onde se esquivava a entoar cânticos fúnebres em kikongo enquanto admirava os jazigos de família? Não se arrepiava ao ouvir o hino de Portugal e sabia de cor a primeira estrofe dos Lusíadas? Não abafara o seu desejo ao ponto de ter esquecido de como era o corpo de Glória e decorado os afluentes do Mondego? Não estava curvado e musculado como uma atracção de circo a quem se pagaria para ver recitar a dinastia de Bragança enquanto equilibrava um banco na cabeça? Como não havia um secretário engravatado de lhe bater à porta um dia, saudando-o e estendendo-lhe um diploma comprovativo, enquanto um conjunto tocava concertina, bombo e tuba à graça do mais recente português?”  in Luanda, Lisboa, Paraíso , de Djaimilia Pereira de Almeida

 

A autora tem vindo a ser reconhecida pela sua escrita desde o seu primeiro romance, Esse cabelo , onde foi premiada, em 2016, com o Prémio Novos. Também no início deste ano, em março , Djaimilia Pereira de Almeida ganhou o Prémio Literário Fundação Inês de Castro com Luanda Lisboa Paraíso , que volta agora a ser condecorado pela Fundação Eça de Queiroz, em colaboração com a Câmara Municipal de Beirão. 

Luanda, Lisboa, Paraíso   conta a história de Cartola de Sousa e Aquiles, pai e filho, que viajam para Lisboa, por volta de 1980, deixando para trás Glória, a mãe doente e imobilizada na cama, entregue aos cuidados da filha, Justina. O título do livro traça o percurso feito por pai e filho, numa viagem sem retorno, onde começam em Luanda, viajam para Lisboa, acabando a viver numa pensão para, mais tarde, acabarem a viver no Paraíso, um bairro da lata na margem sul do Tejo.

A entrega do prémio terá lugar no dia 14 de Setembro na sede da Fundação Eça de Queiroz , em Tormes, na casa que inspirou o autor de  A Cidade e as Serras .

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