Desde Bag End até Babel: As Bibliotecas na Ficção

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-08-01 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899. Cresceu no bairro de Palermo, «num jardim, por detrás de uma grade com lanças, e numa biblioteca de ilimitados livros ingleses». Em 1914 viajou com a família pela Europa, acabando por se instalar em Bruxelas, e posteriormente em Maiorca, Sevilha e Madrid. Regressado a Buenos Aires, em 1921, Borges começou a participar ativamente na vida cultural argentina. Em 1923, publicou o seu primeiro livro – Fervor de Buenos Aires –, mas o reconhecimento internacional só chegou em 1961, com o Prémio Formentor, seguido por inúmeros outros. A par da poesia, Borges escreveu ficção (é sem dúvida um dos nomes maiores do conto ou da narrativa breve), crítica e ensaio, géneros que praticou com grande originalidade e lucidez. A sua obra é como o labirinto de uma enorme biblioteca, uma construção fantástica e metafísica que cruza todos os saberes e os grandes temas universais: o tempo, «eu e o outro», Deus, o infinito, o sonho, as literaturas perdidas, a eternidade – e os autores que deixam a sua marca. Foi professor de literatura e dirigiu a Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973. Morreu em Genebra, em junho de 1986.

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Carlos Ruiz Zafón

Carlos Ruiz Zafón

Carlos Ruiz Zafón (1964-2020) nasceu em Barcelona. Iniciou a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguiram El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publicou A Sombra do Vento, que rapidamente se transformou num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Carlos Ruiz Zafón viveu em Los Angeles e, além dos seus romances, colaborou em jornais como La Vanguardia ou o El País.

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J. R. R. Tolkien

J. R. R. Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien nasceu na África do Sul, de pais ingleses, em 1892. Tinha 4 anos quando o pai morreu e foi já em Inglaterra que fez os seus estudos, concluídos em 1915 na Universidade de Oxford. Alistado no Exército Inglês, combateu na Primeira Grande Guerra e foi vítima da "febre-das-trincheiras", que o levou a estar hospitalizado durante um ano. A seguir à guerra trabalhou na equipa que organizou o "Dicionário Inglês de Oxford" e começou a lecionar, primeiro na Universidade de Leeds, depois na de Oxford. Tolkien era um especialista do Old English (que vai do séc. VIII a.C. ao séc. XII d.C.) e do Middle English (que vai do séc. XII ao XVI).
"O Hobbit", seu primeiro livro (já publicara textos académicos, nomeadamente, em colaboração com E. V. Gordon, "Sir Gawain and the Green Knight) escreveu-o em 1937, e a trilogia de "O Senhor dos Anéis" foi publicada nos anos de 1954 e 55. J.R.R. Tolkien viria a morrer em 1973, com 81 anos.

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George R. R. Martin

George R. R. Martin

Trabalhou dez anos em Hollywood como argumentista e produtor de diversas séries e filmes de grande sucesso. Autor de várias coletâneas de contos e noveletas, foi em meados dos anos 90 que começou a sua obra mais famosa, As Crónicas de Gelo e Fogo. É a saga de fantasia mais vendida da atualidade e uma adaptação televisiva de grande sucesso foi realizada pela HBO. Um autor multifacetado, a sua obra estende-se a diversos géneros como o horror, a fantasia, a ficção científica, e a prova disso são os títulos Dying of the Light, Windhaven (com Lisa Turtle), The Armageddon Rag e Sonho Febril. O autor vive em Santa Fé, Novo México, com a sua mulher, Parris.

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Umberto Eco

Umberto Eco

Escritor e homem de letras italiano, Umberto Eco nasceu a 5 de janeiro de 1932 em Alessandria (Piemonte) e morreu a 19 de fevereiro de 2016. Pouco se sabe sobre as suas origens e a sua infância, salvo que revelou extrema precocidade ao doutorar-se pela Universidade de Turim com apenas vinte e dois anos de idade, em 1954, apresentando para o efeito uma tese consagrada ao pensamento filosófico de São Tomás de Aquino "O Problema Estético em S. Tomás de Aquino".
Entre 1954 e 1959 desempenhou as funções de editor cultural na famosa cadeia de televisão estatal italiana RAI, lecionando também nessa altura nas universidades de Turim, Milão e Florença e no Instituto Politécnico de Milão. Com apenas trinta e nove anos de idade foi nomeado professor catedrático de Semiótica pela Universidade de Bolonha, a mais conceituada do seu país.
Começou a escrever nos finais da década de 50, contribuindo para diversas publicações periódicas com uma série de artigos que seriam reunidos em volumes como "Diario Minimo" (1963, Diário Mínimo), "Il Costume di Casa" (1973), "Dalla Periferia Dell'Impero" (1977) e "Il Secondo Diario Minimo" (1992). O seu início de atividade ficou também marcado por obras como "Opera Aperta" (1962) e "Apocalittici E Integrati" (1964, Apocalípticos e Integrados).
Mantendo uma carreira editorial bastante completa e ativa, Eco não deixou de publicar estudos académicos sobre Estética, Semiótica e Filosofia, dos quais se podem destacar "La Definizione Dell'Arte" (1968), "Le Forme Del Contenuto" (1971), "Trattato Di Semiotica Generale" (1976), "Come Si Fa Una Tesi Di Laurea" (Como Fazer Uma Tese de Doutoramento, 1977) e "Arte E Bellezza Nell'Estetica Medievale" (1986), obra que lhe valeu vários e conceituados prémios literários. Em 1980 publicou o seu primeiro romance, "Il Nome Della Rosa" (O Nome da Rosa), obra que foi imediatamente considerada como um clássico da literatura mundial. Contando as andanças de um monge do século XIV que é chamado a uma abadia beneditina para solucionar um crime, Eco restabelecia a velha contenda entre o mundo material e o espiritual. A obra foi adaptada com sucesso para o cinema em 1986, pela mão do realizador Jean-Jacques Annaud.
Bastante popular, sobretudo nos meios mais eruditos foi o seu segundo romance, "Il Pendolo Di Foucault" (1988, O pêndulo de Foucault), em que Eco contrapunha o hermetismo e a cosmologia aos potenciais da informática e aos perigos do crime organizado.
O público acolheu com mais modéstia "L'Isola Del Giorno Prima" (1995, A Ilha do Dia Antes), romance em que Roberto della Griva, um aristocrata do século XVII, desperta numa embarcação à deriva no Pacífico Sul, e "Baudolino" (2000, Baudolino), obra também pertencente ao género do romance histórico.

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Na estranheza dos dias, na suspensão da liberdade, sobra sempre a leitura

Temos vivido tempos estranhos. Tão estranhos que algumas palavras ganham novos sentidos. Cancelado. Suspenso. Adiado. Anulado. São algumas das palavras que nos habituamos a ver às portas dos teatros, dos cinemas, dos museus e das salas de espetáculos. Enquanto as bibliotecas, as livrarias e outros espaços de socialização exibiam expressões como: Fechado por imposição legal. Voltamos em breve. Estamos online.Há palavras fortes, amargas, delicadas, e palavras que, em tempos incertos, vemos começarem a enfraquecer, mas das quais não devemos desistir. Cultura é uma delas. Diz quem somos, nós e o nosso país, ensina-nos a ser. Na estranheza dos dias, na suspensão da liberdade, sobra sempre a leitura.

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"Uma Ida ao Motel e outras histórias", de Bruno Vieira Amaral, uma coletânea dos contos anteriormente publicados no Expresso Diário, é para gente grande. Aponta-nos a vida com um letreiro néon onde algumas letras teimam em não acender. Acabou de valer ao autor o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, no valor pecuniário de 7500 euros, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE).

"Klara e o Sol" | O que faz de nós seres humanos?

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“In a good bookroom you feel in some mysterious way that you are absorbing the wisdom contained in all the books through your skin, without even opening them.” — Mark Twain

 

Um livro é muito mais do que um livro. É a narrativa e a ficção transposta para a nossa alma e coração, mas é também a junção de um trabalho minucioso, desde o alinhamento e construção do conteúdo até aos detalhes da capa, qual muralha disposta a proteger o seu castelo.  Tal como Mark Twain (1835-1910) , foram muitos os escritores que partilharam esse amor maior pela biblioteca. Um lugar que esconde universos, mas também um espaço que abriga a cultura das civilizações, a história dos povos, o passar dos séculos. Há algo intrinsecamente valioso numa biblioteca, e quem o assegura é Stuart Kells.  

Bibliófilo e académico australiano, Kells é reconhecido pelo seu trabalho relacionado com a literatura, nomeadamente na extensa investigação que denota a importância do livro e das bibliotecas espalhadas pelo mundo. Uma das suas obras mais recentes, The Library: A Catalogue of Wonders , é o resultado de uma pesquisa extensa sobre a biblioteca enquanto lugar mágico, a celebração do livro e do espaço que o nutre. 

Inicialmente, Stuart Kells começou por catalogar apenas as bibliotecas de escritores, mas depressa percebeu que também queria abordar bibliotecas ficcionais . Num artigo publicado para o The Guardian , o autor enumerou as suas favoritas. Fique a descobrir algumas delas. 

 


 

The Hobbit , de J. R. R. Tolkien

Tolkien  (1892-1973) criou um mundo fantástico inesquecível e cuidadosamente detalhado. Nos seus livros sempre houve espaço para incluir grandes bibliotecas, como as de Minas Tirith e Rivendell , mas também outras mais humildes, como as do Shire . De acordo com Stuart Kells , uma das melhores bibliotecas que se pode encontrar no Shire é em Bag End , uma casa de campo em miniatura, bem inglesa, situada no subsolo e onde residiu Bilbo e Frodo Baggins.

É em Bag End que qualquer Hobbit civilizado pode encontrar tudo aquilo que mais deseja: paredes com painéis, chão de mosaicos, uma lareira, mobília de qualidade e estantes baixas – porque os Hobbits não gostam de escadas. 

Em The Lord of The Rings , Tolkien presenteia-nos igualmente com descrições maravilhosas de pergaminhos, códices e, inclusive, encadernações de livros raros do Shire, como o Livro Vermelho de Westmarch

 
A Biblioteca de Babel , de Jorge Luis Borges

Em 1938, Jorge Luis Borges (1899-1986) bateu com a cabeça e começou a delirar. Para o reanimar, a sua mãe começou a ler C. S. Lewis (1898-1963) em voz alta. Mais tarde, o escritor argentino concebeu a visão de uma biblioteca infinita, composta por salas hexagonais interligadas, idênticas entre si.

A biblioteca, idealizada por Borges em A Biblioteca de Babel, teria todos os livros escritos no passado e todos os que viriam a ser escritos no futuro. Quem a visitasse poderia encontrar títulos como as autobiografias dos arcanjos, centenas de catálogos falsos, a justificação da falácia desses mesmos catálogos, a verdadeira história da nossa morte, a tradução de todos os livros em todas as línguas, etc.

NOTA: A Biblioteca de Babel é um conto inserido no livro Ficções , escrito originalmente em 1944.

 
O Nome da Rosa , de Umberto Eco

Foi num mosteiro Beneditino que Umberto Eco (1932-2016) teve a epifania que o levaria a criar a biblioteca mais cativante da ficção. Inspirado pela biblioteca infinita de Jorge Luís Borges , era caracterizada pelas mesmas divisões hexagonais e um bibliotecário de nome Jorge de Burgos

Para Stuart Kells , um detalhe estranho passava pelo facto de esta biblioteca ser mais incorreta a nível histórico do que, por exemplo, a de Tolkien . As bibliotecas medievais na Europa não suportavam mais do que 2,000 livros e ali, na abadia italiana imaginada por Eco , existiam 87,000 livros – incoerência que gerou várias críticas por parte de académicos e especialistas da época. Kells parece ter, no entanto, uma resposta para eles, citando Lucien Polastron : “Dream and fantasy laugh at accountants”.

 
A Sombra do Vento , de Carlos Ruiz Záfon

O Cemitério dos Livros Esquecidos esconde-se nas ruas de Barcelona. Daniel Sempere, com apenas 11 anos, encontra-o com a ajuda do pai, em pleno coração da cidade espanhola, e é aí que descobre A Sombra do Vento, do escritor barcelonês Julián Carax. Este cemitério, conhecido por poucos na cidade, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para livros abandonados pelo mundo, à espera que alguém os encontre. Daniel fica fascinado com o livro de Carax e depressa descobre não só que ninguém ouviu falar dele, mas também que alguém anda a queimar todos os seus livros. 

Carlos Ruiz Záfon (1964) inspirou-se em galerias de espelhos, nas histórias dentro de outras histórias, nas bibliotecas de Wilfrid Voynich e Francis Edwards , na biblioteca da abadia de Umberto Eco e nos dépôts littéraires da revolução francesa, onde pilhas de livros roubados eram acumulados em larga escala.  

 
A Guerra dos Tronos , de George R. R. Martin

Na saga fantástica mais aclamada dos últimos tempos, de George R. R. Martin (1948), a Citadela, em Oldtown, possui uma biblioteca fascinante – a maior existente em Westeros – que é, segundo Stuart Kells , uma verdadeira maravilha medieval .

Tal e qual como foi imaginada na série de televisão da HBO , Game of Thrones (2011-2009), esta biblioteca tem um átrio central enorme, onde uma estrutura de espelhos e lentes, suspensa no tecto, propaga a luz natural pelas várias divisões. Os livros mais preciosos e perigosos estão acorrentados em estantes, de forma semelhante à biblioteca da Catedral de Hereford, no Reino Unido. 

 

 

Descubra estas e outras bibliotecas no artigo original, escrito por  Stuart Kells , para o  The Guardian , intitulado “ From Bag End to Babel: Top 10 libraries in fiction”. 

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