"Uma shortlist que celebra o espírito humano" – é assim que o júri do International Booker Prize descreve os seis livros finalistas da edição deste ano. Anunciados no dia 8 de abril, os nomeados incluem quatro mulheres e dois homens, todos estreantes no prémio, e representam cinco países: Dinamarca, França, Japão, Itália e Índia. Esta edição é ainda marcada por dois feitos inéditos: pela primeira vez, todas as obras são publicadas por editoras independentes, e quatro dos seis finalistas têm menos de 200 páginas – prova de que grandes histórias cabem em pequenos formatos.
Entre as histórias que nos contam, destacam-se a de uma livreira antiquária condenada a reviver incessantemente o mesmo dia, uma recriação ficcionada da travessia de um barco de imigrantes pelo Canal da Mancha e uma coletânea de contos que especula sobre o fim da Humanidade tal como a conhecemos. A 20 de maio, em Londres, será anunciada a obra vencedora, e sucessora de Kairos, de Jenny Erpenbeck (vencedora da edição passada), que arrecadará o prémio de 50 mil libras. Fique a conhecer estes seis livros que celebram a força do espírito humano num mundo em constante mudança – e faça as suas apostas.
On the Calculation of Volume I, de Solvej Balle
Traduzido do dinamarquês por Barbara J. Haveland, On the Calculation of Volume I narra a história de uma livreira antiquária que se vê presa num loop temporal, condenada a reviver repetidamente o dia 18 de novembro. Primeira parte de uma septologia, é o projeto literário mais ambicioso de Solvej Balle, autora, editora, tradutora e poetisa dinamarquesa, que alcançou reconhecimento internacional com o aclamado According to the Law: Four Accounts of Mankind.
Small Boat, de Vincent Delecroix
Baseado em acontecimentos verídicos, Small Boat reconta a trágica travessia de um grupo de migrantes pelo Canal da Mancha, que terminou com a morte de 27 pessoas. Traduzido do francês por Helen Stevenson, desenvolve-se a partir do ponto de vista de uma trabalhadora da guarda costeira francesa que recebeu — mas ignorou — os pedidos de socorro, e deve agora explicar as suas ações às autoridades. Um chocante conto moral dos tempos modernos, sobre o lado mais negro da Humanidade, é a obra mais recente de Vincent Delecroix, filósofo e escritor parisiense, nascido em 1969.
Under the Eye of the Big Bird, de Hiromi Kawakami
Passado num futuro longínquo, Under the Eye of the Big Bird transporta-nos para uma civilização à beira do colapso onde as crianças são fabricadas industrialmente e os adultos vivem sob o olhar atento de entidades de inteligência artificial conhecidas como "Mães". Composta por 14 narrativas interligadas entre si, esta obra traduzida do japonês por Asa Yoneda, volta a confirmar Hiromi Kawakami como uma das vozes mais marcantes da literatura japonesa contemporânea, 23 anos após ter conquistado os leitores com Strange Weather in Tokyo.
As Perfeições, de Vincenzo Latronico
O único livro da lista editado em Portugal até à data, As Perfeições segue um jovem casal de nómadas digitais que tenta viver o seu sonho em Berlim, mas que se vê esmagado pela inevitável desilusão do mundo moderno e a realidade distorcida das redes sociais. Um dos romances mais aclamados da literatura italiana contemporânea, traduzido por Sophie Hughes na edição inglesa e por Vasco Gato na portuguesa, marca a estreia do romancista, tradutor e crítico de arte Vincenzo Latronico em Portugal.
Heart Lamp, de Banu Mushtaq
Traduzido do canarês — a língua materna de cerca de 38 milhões de indianos — por Deepa Bhasthi, Heart Lamp reúne doze contos sobre mulheres muçulmanas marginalizadas no Sul da Índia, que lutam para sobreviver e prosperar numa sociedade em que as probabilidades estão firmemente contra elas. Alvo de censura, mas também de reconhecimento por alguns dos principais prémios literários da Índia, esta obra afirma Banu Mushtaq, advogada, ativista e autora de ficção, ensaio e poesia, como uma das vozes indianas mais poderosas da atualidade.
A Leopard-Skin Hat, de Anne Serre
Traduzido do francês por Mark Hutchinson, A Leopard-Skin Hat capta o amor e o desespero de uma intensa amizade platónica entre o narrador e a sua melhor amiga de infância, Fanny, que sofre de graves problemas psicológicos. Escrito através de uma série de fragmentos de memória que saltam para trás e para a frente no tempo, este romance profundamente comovente foi escrito na sequência da morte da irmã mais nova de Anne Serre, autora nascida em Bordéus em 1960, que alcançou reconhecimento com Les Gouvernantes.