António Franco Alexandre vence primeiro Grande Prémio de Poesia Diogo Bernardes

Por: Bertrand Livreiros a 2022-09-26 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

António Franco Alexandre

António Franco Alexandre

António Franco Alexandre nasceu a 17 de junho de 1944, em Viseu. Fez os seus estudos académicos nas áreas de Matemática e Filosofia em França (primeiro, em Toulouse, depois em Paris) e nos EUA (Harvard). Após o seu regresso a Portugal, em 1975, é convidado para professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou até meados de 2009. Embora se tenha estreado como poeta ainda na década de sessenta, é sobretudo a partir da publicação de Sem Palavras nem Coisas (1974) que a sua obra se afirmou. Uma voz incontornável no nosso panorama literário, são suas algumas das obras mais significativas da poesia portuguesa contemporânea: Os Objectos Principais (1979), A Pequena Face (1983 – Grande Prémio de Poesia do PEN Clube Português), Quatro Caprichos (1999 – Prémio Luís Miguel Nava, Grande Prémio APE de Poesia), Duende (2002 – Prémio D. Dinis e Prémio Correntes d'Escritas), Aracne (2004) e Poemas (2021 - Grande Prémio de Poesia Diogo Bernardes APE/ Câmara Municipal de Ponte da Barca).

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Poemas
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O escritor António Franco Alexandre venceu, por unanimidade, a primeira edição do Grande Prémio de Poesia Diogo Bernardes, com o livro “Poemas” (2021). O prémio, patrocinado pela Câmara Municipal de Ponte da Barca, foi criado no ano passado e tem o valor pecuniário de 12.500 euros. Nesta 1.ª edição do galardão, a título excecional, concorreram obras editadas nos anos de 2019, 2020 e 2021, referiu a APE.



O júri foi constituído por Cândido Oliveira Martins, José Manuel de Vasconcelos e Rita Patrício que, em ata, divulgada pela APE, justificou a escolha de Franco Alexandre “pelo longo e singular percurso literário de várias décadas, materializado numa escrita vocacionada para a poética do impreciso, exigindo sucessivos movimentos de aproximação; uma poética onde a incerteza e a opacidade, o rumor e a metamorfose constroem uma escrita única, questionadora da própria natureza da linguagem, no propósito de dizer transfiguradoramente o mistério o mundo”.
 

Gregor transformou-se em barata gigante.
Eu não: fiz-me aranhiço,
tão leve que uma leve brisa o faz
oscilar no seu fio de baba lisa.
Até que, contra a lei da natureza,
creio que tenho peso negativo,
e me elevo no ar se me não prendo
ao canto mais escuro desta ilha.
Quando descer à teia derradeira
não se verá no mundo alteração, ou só
talvez alguma mosca mais contente.
Em noites de luar, na alta esquina,
ficará a brilhar, mas sem ser vista,
a estrela que tracei como armadilha.


António Franco Alexandre, in Poesia

 

António Franco Alexandre, de 78 anos, foi já distinguido, entre outros, com o Prémio Correntes d’Escritas, em 2005, pela obra “Duende”, que lhe valeu também o Prémio D. Dinis, em 2003. Em 1999, recebeu o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava, pela obra “Quatro Caprichos”. O autor começou a publicar em finais da década de 1960 e conta cerca de 14 títulos.


Vi roma arder, e neros vários
bronzeados à luz da califórnia
guardar em naftalina nos armários
timidamente, a lira babilónia;
as capitais da terra, uma a uma,
desfeitas em rumor e negra espuma,
atingidas de noite no seu centro;
mas nunca vi paris contigo dentro.
E falta-me esta imagem para ter
inteiro o álbum que me coube em sorte
como um cinema onde passava «a morte»;
solene imperador, abrindo o manto
onde ocultei a cólera e o pranto,
falta-me ver paris contigo dentro.


António Franco Alexandre, in Poesia
 

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