Não é novidade para os leitores a importância que a música tem na vida e no estilo literário do autor japonês Haruki Murakami.
Murakami começou o seu percurso profissional como proprietário de um clube de jazz em Tóquio, escrevendo, inclusivamente, duas coleções de ensaios intitulados Portrait in Jazz e Portrait in Jazz 2. Não obstante, o jazz não é o seu único estilo musical de eleição: nos seus romances, a música clássica e o rock&roll estão muito presentes, contribuindo para o imaginário dos cenários construídos pela sua escrita.
O autor confessa aos ouvintes do seu programa “Murakami Radio”, na Tóquio FM: "Em vez de aprender a técnica de contar histórias, adotei uma abordagem musical muito consciente sobre ritmos, harmonia e improvisação". Talvez esta abordagem explique a qualidade evocativa da sua prosa.
Um fã acérrimo do autor construiu uma playlist para o romance “A Morte do Comendador”, uma coleção que conta com Sheryl Crow, Puccini, o Modern Jazz Quartet, Mozart, Thelonious Monk, Verdi, Dylan, The Doors, Beethoven, Bruce Springsteen, Roberta Flack, The Beatles, The Beach Boys, entre outros.
Como é que todos estes artistas se encaixam? Tal como os estranhos acontecimentos que ocorrem no mundo criado por Murakami, é preciso parar de tentar dar sentido às coisas e simplesmente vivê-las.