Na sua biografia, consta apenas que é livreiro. Nunca publicou antes dos 38 por achar que os seus textos não eram suficientemente bons para serem publicados – além de se considerar “muito preguiçoso e desprendido“. Em conversa com Gonçalo Mira, para o Público, o escritor assegura que o seu primeiro livro, Cinerama Peruana, surge apenas em 2013 graças a um amigo, João Leal (autor de Alçapão, Quetzal, 2011) que “decidiu tomar o assunto entre mãos e levar os textos até à editora“.
Autor discreto e contido, mas com uma extraordinária capacidade narrativa, Rodrigo Magalhães aparece sem qualquer bagagem em termos de publicação ou de atribuição de prémios, mas apresenta uma maturidade única, que lhe dá destaque nas críticas literárias. Sobre Cinerama Peruana, José Riço Direitinho escreve: “Com grande maturidade narrativa, e uma riqueza vocabular pouco comum, o autor constrói um universo literário que surpreende pela sua singularidade na recente literatura portuguesa“.
Em 2017, pela Quetzal, publica Os Corpos, uma espécie de policial, inspirado no caso Tamam Shud, e que cuja história é desdobrada, multiplicada por tantas quantas as perspetivas dos protagonistas, das testemunhas, das figuras secundárias, dos figurantes. Cada um transporta consigo uma história, a sua própria história, e esta intromete-se na história dos outros, interrompendo-a. Um livro misterioso, inquietante, de uma imensa originalidade, em que ressoam ecos de Buzatti, Bolaño ou Knausgaard.