"Quarentena", de José Luís Peixoto

Por: Bertrand Livreiros a 2020-09-04 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

José Luís Peixoto

José Luís Peixoto

José Luís Peixoto nasceu em Galveias, em 1974.
É um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras.
Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d'Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior, e em 2016 recebeu, no Brasil, o Prémio Oeanos com Galveias. As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil). Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas.
Para saber mais sobre o autor: https://www.joseluispeixotoemviagem.com

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Para além de ser um dos romancistas de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea, José Luís Peixoto tem também feito algumas incursões na poesia. O seu primeiro livro de poemas, A Criança em Ruínas, publicado em 2001, foi o vencedor do Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores 2013. A esse, seguiu-se A Casa, a Escuridão no ano seguinte, e, em 2008, o livro Gaveta de Papéis, foi vencedor do Prémio Daniel Faria. Regresso a casa é o quarto livro de poesia de José Luís Peixoto e fala-nos das quatro paredes de uma casa - e de todas as suas recordações em tempo de pandemia.

No dia em que José Luís Peixoto celebra o seu 46º aniversário, fique a conhecer o poema Quarentena, publicado no seu mais recente livro.

 


Quarentena, de José Luís Peixoto

Olhamo-nos nos olhos pela internet. 


Eu transmito-te este domingo à tarde,

a voz do vizinho através da parede.


Tu transmites-me a distância que existe 

depois do que consigo ver pela janela.


Durante a noite mudou a hora e, no entanto, 

continuamos no tempo de ontem.


Como é raro este domingo, não podemos

garantir que amanhã seja segunda-feira.


O futuro perdeu-se no calendário, existe

depois do que conseguimos ver pela janela.


O futuro diz alguma coisa através da parede,

mas não entendemos as palavras.


Lavamos as mãos para evitar certas palavras.


E, mesmo assim, neste tempo raro, repara:

tu e tu estamos juntos neste verso.


O poema é como uma casa, tem paredes

e janelas, é habitado pelo presente.

 

Olhamo-nos nos olhos pela internet,

estamos verdadeiramente aqui.

 

O poema é como uma casa,

e a casa protege-nos.

 

(29 de março de 2020)

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