“Nunca as injustiças ligadas às origens foram tão gritantes, quer se trate do acesso ao ensino, ao emprego, à habitação, à segurança, ao respeito ou à dignidade; e, no entanto, nunca se falou tanto em justiça e igualdade de direitos, de medição do racismo e de luta contra as discriminações. Este texto destina-se a todos os cidadãos que não se contentam com esta situação.” (Thomas Piketty em Medir o Racismo, Vencer as Discriminações).
Thomas Piketty está de regresso com um novo livro, Medir o Racismo, Vencer as Discriminações. Depois de Uma Breve História da Igualdade, (Temas de Debates, 2022), ao longo de pouco mais de uma centena de páginas, o cofundador da World Inequality LAB, propõe um modelo “universalista” como ferramenta de medição e luta contra as discriminações. Esta proposta foi inicialmente pensada para ser aplicada em França, mas numa época em que é cada vez mais visível a obsessão pelas origens de cada cidadão, Piketty acredita que o modelo pode ser aplicado a nível europeu.
O autor de O Capital no Século XXI, desconstrói discursos de ódio tendo por base acontecimentos recentes na Europa, nos Estados Unidos ou na Índia, entre outros países, ligados ao crescimento da extrema-direita. Esta expansão política extremista dos últimos anos tem-se alimentado com a discriminação de uma minoria, acusando-a de ser privilegiada e recetora dos mais variados benefícios. O “repúdio radical”, apresentado nesses discursos, tem como alvo as origens e tradições culturais e religiosas dessa minoria, apesar de muitas nações — principalmente na Europa — terem origem em cruzamentos de raças e etnias, bem como em migrações provenientes de África.
Thomas Piketty defende que a única forma de se reduzir as desigualdades passa por se aplicar políticas universais e, a partir desse ponto, iniciar o combate ao racismo e às discriminações. “Para reduzir as desigualdades ligadas às múltiplas origens étnico-raciais e nacionais é indispensável combater na sua globalidade as desigualdades entre classes”, defende o autor numa entrevista ao jornal Expresso.