“Galinhas do Mato”
foi um trabalho diferente, mas esteve quase para não ver a luz do dia. Enquanto estava a ser gravado,
Zeca Afonso
adoeceu. Por isso, as gravações do disco pararam sem previsão de serem retomadas.
O estúdio de gravação onde estavam a trabalhar pertencia ao engenheiro de som José Fortes. A editora alugava o espaço para que os músicos lá gravassem, mas a forma de trabalhar era definida pelo estúdio. Com a paragem das gravações, o estúdio tinha regras a cumprir: durante seis meses mantinha as fitas já gravadas, mas passado esse tempo a editora teria de comprar o material, caso contrário o estúdio iria apagá-lo.
No final dos seis meses, ainda com o processo de gravação parado, José Fortes contactou a editora de
Zeca Afonso
para saber se iam continuar o disco e se queriam guardar o material já gravado. A resposta foi negativa. José Fortes alertou-os para o facto de que as fitas seriam apagadas se não as comprassem, mas a editora manteve a resposta.
Só um ano depois, a editora voltou a contactar o estúdio para saber se ainda tinham as gravações. José Fortes mentiu e disse-lhes que tinham sido apagadas. Quando soube da notícia, Zélia, mulher de
Zeca Afonso
, telefonou a José Fortes. Estava triste por achar que o trabalho do marido tinha sido perdido.
Então, Fortes convidou Zélia para um café. Explicou-lhe que, na realidade, não tinha apagado as gravações. Ofereceu as fitas à mulher, mas estabeleceu
uma condição
: ela teria de as publicar com outra editora. Foi assim que o disco sobreviveu àquilo que teria sido uma grande perda para a música portuguesa.