Quem traiu Anne Frank?

Por: Bertrand Livreiros a 2024-06-12 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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Uma investigação, liderada por um ex-agente do FBI, sobre quem denunciou a adolescente Anne Frank e sua família, concluiu que pode ter sido Arnold Van den Bergh, um notário judeu, a revelar aos nazis a localização, para salvar a sua própria família. As conclusões são agora reveladas em Quem Traiu Anne Frank? A investigação que revela o segredo jamais contado, de Rosemary Sullivan,  que chegará às livrarias em março.



As acusações contra Arnold Van den Bergh, que morreu em 1950, têm como base provas que incluem uma carta anónima, enviada ao pai de Anne Frank após a Segunda Guerra Mundial, que identificava o notário como um traidor, segundo noticiaram recentemente diversos meios de comunicação neerlandeses. O museu da Casa de Anne Frank comunicou à agência AFP que os resultados da investigação, liderada por um antigo agente do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI), Vincent Pankoke, levaram a uma "hipótese fascinante", mas que exige mais investigação.

Há já bastante tempo que circulam diversas teorias sobre quem revelou o anexo secreto onde a família Frank estava escondida. O nome Van den Bergh tinha recebido até agora pouca atenção, mas ganhou ênfase durante uma investigação que usou técnicas de investigação mais recentes, incluindo Inteligência Artificial (IA), para filtrar grandes quantidades de dados. Esta investigação reduziu a lista de suspeitos para quatro, incluindo Van den Bergh, membro fundador do Conselho Judaico, um órgão administrativo que os nazistas forçaram os judeus a estabelecer para organizar deportações. As averiguações permitiram descobrir que a família deste notário tinha uma isenção de deportação, revogada no momento da traição dos Frank, mas que acabaria por nunca se concretizar, por razões ainda desconhecidas. Ronald Leopold, diretor da Casa de Anne Frank, alertou que ainda há dúvidas sobre a carta anónima e que é necessária uma investigação mais aprofundada. “É preciso ter muito cuidado para escrever sobre alguém que ficou na história como aquele que traiu Anne Frank, caso não exista 100 ou 200 por cento de certeza”, lembrou à AFP.

Anne Frank nasceu em Frankfurt (centro da Alemanha) em 12 de junho de 1929, no seio de uma família judia que em 1934 fugiu dos nazis para os Países Baixos. Em 1940, as tropas nazis invadiram os Países Baixos e, em 1942, intensificaram a perseguição aos judeus naquele país, o que obrigou a sua família a esconder-se nos fundos de uma casa (anexo), em conjunto com outras famílias judias, no qual permaneceram durante dois anos. Anne começou a escrever o Diário em 12 de junho de 1942, quando completou 13 anos. “Espero poder confiar-te tudo o que não pude confiar a ninguém”, refere a primeira anotação. A última passagem descrita no livro está datada de 1 de agosto de 1944, três dias antes de os nazis terem descoberto o esconderijo e detido a sua família e os restantes judeus. O Diário acabaria por ficar em Amesterdão e foi conservado pelos empregados de Otto Frank, pai de Anne Frank, a quem entregaram os escritos depois do fim da guerra. Anne Frank morreu em março de 1945 e poucas semanas depois o campo de concentração de Bergen-Belsen foi libertado pelos britânicos. O seu Diário foi declarado património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). 


Fonte: Lusa
 

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